Jaguar: o último console da Atari

O Jaguar foi a última tentativa da Atari de se manter no mercado de consoles prometendo entregar um aparelho a frente do seu tempo.


A Atari foi responsável pelo grande boom dos videogames no final da década de 1970 e no início da década de 1980. Abriu para o mundo um novo mercado de entretenimento com o icônico Atari 2600, bem como foi culpada por muitos pela quase morte dos consoles após o crash de 1983.



Porém, mesmo após o crash, a Atari se manteve no mercado de games lançando vários consoles como o Atari 5200, ainda na segunda geração, mas com um hardware melhor; o Atari 7800, já da 3ª geração, mas muito inferior aos concorrentes da Sega e Nintendo; o portátil Atari Lynx da 4ª geração, visando concorrer com o Game Boy e, posteriormente, com o Game Gear; e o seu derradeiro, o Atari Jaguar.

Desenvolvimento

Sem poderio para competir com os donos do mercado — Sega e Nintendo — a Atari Corporation se funde com a Flare Technology e formam uma nova companhia, a Flare II.

No início, a companhia trabalhou em dois modelos, um com a arquitetura de 32-bits — chamado de Phanter — e o outro com a arquitetura de 64-bits, chamado de Jaguar. Optaram pela segunda plataforma e em novembro de 1993 foi lançado o Atari Jaguar na América do Norte e, no início do ano seguinte, no Japão e Europa.

Muito barulho

O marketing fez muito barulho no seu lançamento, anunciou um console bem a frente do mercado e ainda mandava fazer a conta, demonstrando que o 64-bits da Atari era muito superior aos 16-bits da Sega e Nintendo e ao 32-bits do 3DO, até então o console mais popular da 5ª geração.


O barulho até que fez efeito, pois o Jaguar chegou a ultrapassar o 3DO (que custava o triplo do valor do Jaguar), mas isso durou por pouco tempo, durante o período de férias nos EUA.

Com poucos jogos lançados e com dificuldade em lançar novos, o Jaguar rapidamente perdeu o terreno na 5ª geração. O 3DO voltou a vender mais que o console da Atari, e logo depois a Sega lança o Saturn e a Sony o PlayStation, trazendo dores de cabeça maiores ainda para o 64-bits.

Arquitetura complexa

A arquitetura do console não contribuiu. Ele usava 5 processadores, sendo que desses, 2 são de 64-bits. Um deles era igual ao do Mega Drive (Motorola 68000), porém esse processador foi construído para ser utilizado para mapeamento de funções de controle e afins.

Por conta disso, a maioria dos programadores optava pela facilidade de utilizar o processador do Mega Drive como um central, portando jogos de 16-bits para o Jaguar, e foram vários: Flashback, Pitfall, entre outros. Poucos, como o Jeff Minter, conseguiram fazer esses processadores conversarem entre si, aproveitando o real potencial do console. Os que conseguiram criaram jogos excelentes como Tempest 2000 e Alien vs. Predator.

Tempest 2000 para o Atari Jaguar

Tudo isso fez com que grande parte dos desenvolvedores se afastassem do Jaguar. Realmente era muito difícil desenvolver jogos para a sua arquitetura. Mas, mesmo assim, isso não impediu que o console tivesse bons jogos.

Um biblioteca pouco aproveitável

Mesmo com todo esse problema arquitetônico, alguns bons jogos nasceram neste console. O mais famoso deles foi o FPS Alien vs. Predator. Este se tornou um clássico do gênero, mostrando todo o potencial do console, com um gráfico belíssimo, sendo considerado por muitos o melhor jogo do Jaguar.


Outro jogo que foi bem aproveitado foi o Doom, considerado o melhor port feito. O FPS que nasceu nos PCs finalmente teve uma versão de console a altura do original e foi muito bem aproveitado no Jaguar.

Super Burnout também merece destaque aqui. Pouco conhecido, este excelente jogo de corrida de moto trouxe a essência de jogos como Hang-On, mas com gráficos bastante melhorados e uma jogabilidade ótima. Um jogo que garante bem a diversão para os possuidores do console.

Tempest 2000 é outro jogo obrigatório para quem possui o Jaguar. Foi o primeiro jogo lançado para o console que demonstrou a sua qualidade. Ele é uma releitura do clássico shooter da Atari dos anos 1980, mas com uma roupagem nova e inovadora.

Kazumi Ninja: um dos piores jogos já feito

No entanto, foram poucos os jogos bons lançados. A dificuldade em se programar para o Jaguar fez com que muitos penassem para fazer algum jogo realmente bom para o console. Isso resultou numa gama de jogos sofríveis. Alguns dos piores jogos da história pertencem à biblioteca do Atari Jaguar, como: Kasumi Ninja — um jogo genérico de Mortal Kombat; White Man Can't Jump — usando somente o nome do famoso filme, este se tornou apenas mais um genérico 16-bits muito mal feito de basquete de rua e, apesar de usar o nome do filme, não existe um personagem da produção hollywoodiana. Uma dica, nunca joguem estes jogos!

Periféricos estranhos

Para completar a lista de erros, a Atari parece que não soube desenvolver seus periféricos. O controle parece ser algo inconcebível. Tem a aparência de um celular metido a moderno, com dezenas de botões que não tem função alguma. Além disso, era anatomicamente incorreto, muitos reclamavam do desconforto que era segurar esse joystick.


Outro periférico estranho foi o Jaguar CD, tentando prolongar mais a vida do console a Atari lança este acessório para tornar o Jaguar compatível com a mídia em evidência da época, o CD- ROM. Alguns jogos foram lançados para o periférico, porém era muito feio e, instalado no videogame, deixava ele com uma aparência no mínimo excêntrica, a de um vaso sanitário.

Este periférico teve seu lançamento adiado várias vezes e só veio à luz em 1995, já próximo a descontinuação do console, o que fez ele ser pouco aproveitado, com pouquíssimos jogos lançados, morrendo meses depois junto com o Jaguar.

Com o Jaguar CD no formato "vaso sanitário"

O Atari Jaguar foi a última tentativa da Atari de voltar ao topo do mercado, prometeu entregar um console muito a frente da concorrência, mas com uma arquitetura difícil de se programar e falhas de execução, fizeram dele um grande fracasso, figurando entre os piores consoles caseiros da história. Após a sua descontinuação, a Atari não conseguiu mais se reerguer, declarou sua falência fechando permanentemente suas portas para o mercado de consoles de mesa.

Revisão: Ana Krishna Peixoto
Lúcio Amaral é jornalista e advogado, músico por paixão e gamer desde que se conhece por gente. Sua paixão pelos videogames começou na segunda metade dos anos 1980 quando teve seu primeiro videogame, um Philips Odyssey - ou Odyssey² - quando tinha 7 anos. Acompanhou, com muito entusiasmo, todo caminhar tecnológico e assumiu uma paixão pela Sega, sem deixar de flertar sempre com a Nintendo. Hoje é colecionador com um acervo que vem desde a segunda geração de consoles aos mais atuais e encontrou no Blast uma maneira de compartilhar toda sua paixão e convívio com esse fantástico mundo dos videogames.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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