Zeebo: a curta vida do videogame brasileiro

Lançado em 2009 pela Tectoy visando o público de renda menor e abolindo de vez os jogos em mídia física, porém tudo deu errado na curta vida do console brasileiro.



Na tentativa de lançar o primeiro console brasileiro, a Tectoy vem com uma ideia visionária, abolir a mídia física. Todos os jogos seriam baixados pelo próprio serviço on line do console, para isso a empresa brasileira fechou parceria com a Claro, para usar a tecnologia 3G, e uma rede própria para a compra de jogos, o ZeeboNet 3G, que seriam armazenados na memória do console.



O Zeebo nasceu da parceria entre a Tectoy e a Qualcomm que começou em 2006 pelo projeto Genie de Reinaldo Normand. Em novembro de 2008 a Tectoy anuncia oficialmente o console para o primeiro trimestre de 2009, nele viriam 6 jogos gratuitos: FIFA Soccer 09; Need for Speed: Carbon e Treino Cerebral, que já vinham instalados na memória; e Prey Evil, Quake e Quake II, disponíveis para download.

Assim a Tectoy entra oficialmente como produtora de consoles, com todo o know how adquirido com os anos de parceria com a Sega, a empresa brasileira aposta num console totalmente novo, prometendo trazer nova tecnologia, um novo modo de adquirir seus jogos, e acessibilidade para quem não tinha condições de adquirir os consoles de ponta da 7ª geração. 

Promessas não cumpridas


Uma das premissas da Tectoy era entregar um console de 7ª geração acessível a quem não podia comprar os videogames de ponta (Wii, Playstation 3 e Xbox 360), então o preço do Zeebo deveria ser bem abaixo do mercado, trazendo bons jogos para esse público. Isso serviria para justificar a baixíssima qualidade gráfica do console, porém o que a Tectoy entregou estava longe do prometido.


A ideia era muito boa, um console acessível, jogos inteiramente virtuais – baixando assim seu preço e evitando a pirataria – e franquias já consagradas como FIFA, The Need For the Speed e Quake, mas na prática não era nada disso.

Começando pelo preço do console. A Tectoy prometeu vender o Zeebo abaixo dos R$ 500,00. Saiu nas lojas sendo vendido por R$ 499,00, uma verdadeira falácia ao que foi prometido, tornando o console muito caro para o público que a Tectoy queria atingir. Lembrando que o salário mínimo em 2009 era de 465,00 R$, o cidadão teria que dar, praticamente um mês de salário para adquirir um.

A baixa qualidade dos jogos foi outro ponto negativo. Além de gráficos muito mal elaborados a biblioteca de jogos do Zeebo se resumia a pouquíssimos jogos bons e uma gama de jogos de celular produzidos em Java. A Tectoy lançou o Zeebo como videogame de 7ª geração, porém seus gráficos estavam muito mais próximos de um Playstation 2 (em muitos jogos, parecia ser do PS1).


Tudo isso fez com que a maioria das pessoas que não podiam comprar os videogames mais novos permanecessem com seus Playstations 2 e evitaram o Zeebo. Afinal o console da Sony já possuía uma biblioteca maravilhosa de jogos, gráficos melhores que o Zeebo e preço mais acessível. Ainda mais contando com a pirataria, onde se conseguia jogos bem mais baratos que os oferecidos na ZeeboNet.

Os jogos

Com uma enxurrada de jogos em Java, no melhor estilo "joguinho de celular", o Zeebo ainda teve alguns jogos bons, que até vale a pena conhecer. Alguns ports foram muito criticados, justamente pela baixa qualidade do console. Resident Evil 4 foi um deles, mesmo assim foi um bom jogo dentro da biblioteca do Zeebo, o mesmo vale para o Quake 1 e 2 e Crash Kart, são jogos com uma defasagem gráfica notória, mas não deixam de ser divertidos para quem tem o console.


Porém, alguns jogos exclusivos tiveram até um bom reconhecimento. Zeebo Extreme: Rolimã foi um deles. Trata-se de um jogo de corrida de rolimã, desenvolvido pela Tectoy Digital, apostando na casualidade.

Um exclusivo que foi bastante elogiado, inclusive no exterior, foi a versão de Double Dragon. Desenvolvido pela Milton Corp e Tectoy Digital, trazendo o clássico beat 'em up de volta, desta vez com novas fases e novos inimigos, principalmente novos boss.


A Electronic Arts ainda liberou alguns jogos para o console brasileiro, dentre eles: Need For Speed Carbon: Own City (este em parceria com a Tectoy Digital; Need For Speed ProStreet e o FIFA 2009, porém, este último, sendo desenvolvido pela Camelion e Tectoy Digital e distribuido pela EA. 

Controle Boomerang

O Boomerang foi um controle sem fio, com sensor de movimentos, no formato de bumerangue. Feito para aproveitar o sucesso do Wii Remote da Nintendo e focando, principalmente em jogos de esportes.

Foi criado uma série especial para o uso deste controle, o Boomerang Sports (tentando ir no hype do Wii Sports), sendo lançado quatro jogos: Boomerang Sports: Peteca, com um jogo de peteca e outro de badminton; Boomerang Sports: Queimada; Boomerang Sports: Tênis e Boomerang Sports: Vôlei.


Descontinuação


Muitos consideraram o Zeebo um console natimorto, mesmo assim ele conseguiu sobrevier por pouco mais de dois anos.


Foi um console que nasceu de uma boa ideia, visionária, até, uma vez que o caminho das mídias físicas é de irem à extinção. Porém, nada do que foi prometido pela Tectoy no pré-lançamento do console, no marketing feito em cima dele, foi cumprido.

Os jogos, em sua grande maioria, eram mais como "joguinhos de celular" do que algo que se poderia aproveitar em um verdadeiro console de mesa. Muitos com a jogabilidade terrível e com o nível de diversão bem abaixo do esperado.

Acima de tudo, o preço que era muito elevado para o público que a Tectoy queria atingir. Tudo isso somado a uma biblioteca pobre com gráficos que lembram mais jogos de consoles da 5ª e sexta geração.


Tudo isso afastou a grande parcela de seu público alvo, uma vez que consoles como o Playstation 2 tinha um poderio gráfico melhor e com uma biblioteca de jogos riquíssima, fazendo a grande maioria preterir o console brasileiro, sendo descontinuado em 2011. Um fim melancólico para um console que prometeu muito e acabou entregando nada.
Lúcio Amaral é jornalista e advogado, músico por paixão e gamer desde que se conhece por gente. Sua paixão pelos videogames começou na segunda metade dos anos 1980 quando teve seu primeiro videogame, um Philips Odyssey - ou Odyssey² - quando tinha 7 anos. Acompanhou, com muito entusiasmo, todo caminhar tecnológico e assumiu uma paixão pela Sega, sem deixar de flertar sempre com a Nintendo. Hoje é colecionador com um acervo que vem desde a segunda geração de consoles aos mais atuais e encontrou no Blast uma maneira de compartilhar toda sua paixão e convívio com esse fantástico mundo dos videogames.
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