Blast from the Past

Road Rash: rachas, tombos e pancadaria

Lançado pela Eletronic Arts em 1991, Road Rash (Mega Drive) trouxe uma nova perspectiva aos jogos de corrida ao introduzir elementos de pancadaria, perseguição policial e inovações gráficas.




Até o final da década de 1980 os jogos de corrida tinham uma premissa básica. Possuíam um plano horizontal fixo, e a corrida era geralmente contra o tempo. Jogos como Out Run e Poli Position eram exemplos disso. Não era diferente com os jogos de moto, nesse quesito tinha o jogo Hang On da Sega, bastante jogado nos arcades e, pouco depois, no Master System e Mega Drive.

Porém, a Eletronic Arts surgiu com uma ideia inovadora, mudando totalmente esses conceitos. A disputa agora não seria contra o tempo, mas sim contra competidores virtuais. Tampouco seriam limpas, sequer legais, essas disputas. Nela valeria tudo, desde empurrar o oponente até chutes, socos e uso de armas brancas. Nessa disputa ainda havia o problema legal, então era preciso fugir dos policiais que porventura aparecessem, até mesmo derrubá-los. Dessas ideias inovadoras nascia o Road Rash.

Um novo sentido aos jogos de corrida

Possuindo uma perspectiva em terceira pessoa – semelhante ao Hang On da Sega – Road Rash parecia ser mais um jogo de moto, ledo engano. Nos primeiros segundos de jogo já se podia ver a diferença.


Começava com a física do jogo. Desta vez os aclives e declives interferiam na movimentação da moto. Não se tratava apenas de um plano horizontal fixo, o ambiente interferia diretamente na performance da corrida. Por conta disso, qualquer objeto podia te atrapalhar, desde uma poça d’água até uma vaca, tudo influenciava no jogo.

Havia a possibilidade de você ir tunando sua moto e até mesmo comprar motos melhores. Em cada corrida se ganhava uma boa grana, dependendo da sua colocação no final dela. Uma estratégia bastante usada era farmar dinheiro nas primeiras pistas, assim poderia comprar uma moto melhor para as competições.

A maior inovação trazida pelo Road Rash foi a possibilidade de sentar a mão nos competidores, isso trouxe um novo sentido ao jogo e elevou o quesito diversão ao extremo. No início você começa apenas com as mãos, mas se conseguir roubar um taco de baseball, nunchaku ou corrente de outro competidor, até mesmo o cacetete do policial, você estará com uma boa vantagem no mano a mano, isso se conseguir manter sua arma até o final da corrida.

Um jogo desafiador

As inovações de jogabilidade trazidas pelo Road Rash transformaram ele num game muito mais desafiador, não se tratando apenas de chegar em primeiro lugar, mas também de conseguir terminar uma corrida.


Como foi dito, dependendo de sua colocação você recebe um prêmio em dinheiro, porém também existem muitas maneiras de você perder dinheiro, e se sua grana chegar a zero pode esperar um Game Over e começar tudo de novo.

Neste jogo é muito fácil você quebrar a moto no meio da corrida ou ser preso por algum policial e este é o momento de perder dinheiro pagando o conserto da moto ou a multa. Isso demanda do jogador algumas habilidades a mais, além de você ser bom na velocidade e nas curvas, você terá que ser expert na pancadaria, principalmente quando vier o policial na moto, e também em desviar dos obstáculos, que variavam entre poças de lama e óleo, carros e animais. Isso requeria muita atenção no jogo, uma cochilada e você dá de cara com uma vaca no meio da pista.

Continuações e ports

No Mega Drive Road rash teve ainda mais duas continuações, Road Rash II de 1993, que trouxe duas inovações à franquia: o sistema de luta e a adição de mais uma arma – a corrente – e o sistema de Nitro; e Road Rash 3 de 1995, que deu um upgrade nas armas, enfocou mais as lutas e expandiu a ambientação, agora as corridas seriam pelos cinco continentes.


Também houve versões para outros consoles. O Master System e o Game Gear tiveram um bom port do jogo, bem como o Game Boy Advance e o Sega CD. Porém as melhores versões ficaram para os 32 bits, com o 3DO, e logo depois, Sega Saturn e Playstation, que trouxeram as divertidas cutscenes e uma trilha sonora marcante com bandas que despontavam no cenário, dentre elas Soundgarden e Therapy?, incluindo um clipe da banda PAW feito especialmente para o jogo.

Houve uma continuação para o Playstation, batizada de Road Rash 3D, lançado em 1998 pela EA. Sua recepção foi morna, havendo críticas na sua jogabilidade e a falta de um multiplayer. O Nintendo 64 também ganhou sua versão em 1999, o Road Rash 64, desta vez desenvolvida pela Pacific Coast Power and Light. Ficou bem aquém das outras versões, tornando-se um jogo muitas vezes repetitivo e monótono.

Cancelamento da franquia e um sucessor espiritual

Em 2006 a Electronic Arts havia anunciado uma continuação da franquia que teria o nome de “High Speed”, porém devido a problemas financeiros e o fechamento da Eletronic Arts West Coast o projeto acabou sendo cancelado.



Desde 2012 o estúdio independente Pixel Dash, por meio de financiamento coletivo, vem trabalhando no desenvolvimento do Road Redemption. Considerado como um sucessor espiritual de Road Rash, o projeto estava previsto para ser lançado em 2014, porém acabou sendo postergado para outubro de 2017. Este jogo traz algumas mudanças quanto ao Road Rash, como o modo missão e o acréscimo de armas de fogo. Também há previsão para lançá-lo nos consoles caseiros, não sendo especificado em quais.

Uma revolução nos jogos de corridas

Quando foi lançado em meados da década de 1990, Road Rash se tornou um marco no desenvolvimento dos jogos de corrida. Foi um jogo que ousou trazendo muitas novidades, revolucionou com sua jogabilidade e tornou os jogos de corrida muito mais divertidos. Foi também uma revolução gráfica ao abandonar o plano horizontal fixo, permitindo uma física bem mais realista e uma influência maior do ambiente no jogo.


Road Rash se tornou um dos grandes clássicos do gênero, sempre lembrado com carinho por aqueles que jogaram na época. Um jogo além do tempo, pois mesmo após mais de 27 anos, ele continua divertidíssimo, inclusive para as novas gerações. É um jogo que não envelhece, transcende o tempo trazendo o mesmo espírito de diversão dos seus quase 30 anos de existência.

Revisão: João Paulo Benevides
Lúcio Amaral é jornalista e advogado, músico por paixão e gamer desde que se conhece por gente. Sua paixão pelos videogames começou na segunda metade dos anos 1980 quando teve seu primeiro videogame, um Philips Odyssey - ou Odyssey² - quando tinha 7 anos. Acompanhou, com muito entusiasmo, todo caminhar tecnológico e assumiu uma paixão pela Sega, sem deixar de flertar sempre com a Nintendo. Hoje é colecionador com um acervo que vem desde a segunda geração de consoles aos mais atuais e encontrou no Blast uma maneira de compartilhar toda sua paixão e convívio com esse fantástico mundo dos videogames.

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