Blast from the Past

Flashback (multi) e a busca por identidade

Originalmente lançado em 1992, para o computador Amiga e, mais tarde, sendo convertido para diversas plataformas, o jogo trouxe enredo muito bem desenvolvido e gráficos belíssimos.

Desenvolvido pela francesa Delphine Software International e publicado pela U.S. Gold, o jogo tem raízes diretas em Out of This World, de 1991, – também desenvolvido pela Delphine – e bebe muito da fonte implantada por Prince of Persia, de 1989.


Flashback foi um dos precursores do gênero thinking action, misturando o jogo de plataforma com puzzles. A mente por trás desta obra Sci-fi/Cyberpunk foi o francês Paul Coisset, também responsável pelo clássico de ficção da década de 1980, Future Wars.

O enredo

O jogo começa com uma cutscene mostrando o personagem principal fugindo de um complexo logo após ter sua memória apagada. Nessa fuga, seu veículo acaba sendo atingido pelos perseguidores e ele acaba caindo no meio da floresta, desarmado e sem memória. Assim o game tem seu início.



Ao explorar a floresta, logo achamos nossa arma e o holocubo. Com este objeto em mãos, finalmente podemos descobrir quem é o nosso personagem e o que devemos fazer. Nós controlamos o agente Conrad B. Hart e temos como primeiro objetivo ir à New Washington encontrar com um velho amigo – Ian – que irá trazer sua memória de volta.

Também com Ian descobrimos porque Conrad estava sendo perseguido. Ele havia descoberto o plano de uma raça alienígena – os Morphs –  de dominação do planeta Titan. Eles conseguiram se infiltrar entre os humanos usando sua habilidade metamórfica e já estavam pondo em prática o seu estratagema até Conrad descobrir tudo.


Com a memória recuperada, passamos a ter um novo objetivo: impedir a dominação alienígena. Para isso, além de enfrentar os vários inimigos que surgem, deveremos resolver vários quebra-cabeças e, inclusive, conseguir um emprego para chegarmos ao planeta natal dos alienígenas, resolvendo de vez os problemas causados por eles.

A jogabilidade

Flashback tem a mesma estética do primeiro Prince of Persia e Out of This World. Ele é um jogo de plataforma 2D, single player, com o estilo cinematic/platformer. O jogador pode interagir com vários elementos do cenário, como elevadores, máquinas e alguns personagens.


A mecânica de combate é simples, com confrontos diretos. Pode ser utilizadas  tanto a pistola, quando o inimigo estiver distante, como o combate corporal (socos e coronhadas) se o adversário estiver muito próximo.

A mecânica de jogo é fluida, tendo uma boa resposta nos controles, principalmente, na hora de correr e saltar. Com isso,a jogabilidade se mostra bastante suave.
Guinness book:
Flashback está no Guinness Book como o jogo francês com venda mais expressiva na história

Continuações

O jogo ainda teve uma continuação para PC, lançada em 1995, e para Playstation 1, que chegou em 1996 e foi batizado de Fade to Black. Houve muitas mudanças deste jogo para o seu antecessor.


A primeira foi a transição da arquitetura de plataforma 2D para o 3D em terceira pessoa, a Delphine caprichou muito na questão gráfica, porém problemas técnicos substanciais e opções de design contra-intuitivas impediram que o título fosse a obra-prima que poderia ter sido.

O jogo continua logo após os eventos de Flashback. Depois de destruir o planeta dos Morphs, Conrad, em estado criogênico, vaga pelo espaço sideral por meio século, até ser encontrado por um navio espacial. Ao ser acordado, ele descobre que foi aprisionado pelos Morphs e está sendo transportado para a prisão lunar de New Alcatraz. No caminho, acaba recebendo ajuda de um homem misterioso conhecido como John. Assim tem início a trama de Fade to Black.

O remake

Flashback foi um sucesso estrondoso na época do seu lançamento, tão grande que ainda ganhou vários ports para diversos consoles, com destaque para as versões do Mega Drive, Super Nintendo, Sega CD, 3DO e Atari Jaguar. Foi então que em 2013 a VectorCell junto com a Ubisoft lançaram o belíssimo remake do clássico da geração 16/32 bits.


Fazendo um paralelo ao game original, a VectorCell manteve os elementos básicos do jogo: continua sendo de plataforma e a história é praticamente a mesma, apenas com algumas alterações nos diálogos. Mas, as inovações gráficas deram um novo ar, respeitando muito a ambientação do jogo original, o que tornou esse remake belíssimo graficamente e com jogabilidade que lembra muito a do original.

Mesmo assim, a crítica foi muito morna. Sites como o GameRankings e Metacritic, por exemplo, deram 51,67% para a versão  do Xbox 360,  e 50/100 para a versão PlayStation 3.


Clássico eterno

Flashback: Quest for Identity foi um jogo que marcou uma geração. Trouxe belos gráficos, controles fluidos e uma jogabilidade incrível. Ainda hoje, é muito desafiador, não somente pela sua ação, como também pela resolução de seus puzzles.


Com um enredo muito bem construído e protagonista cativante, o jogo foi um sucesso desde o seu lançamento. E, mesmo após 26 anos do seu lançamento, a história de Conrad B. Hart continua fixa na memória de todos aqueles que a vivenciaram e ajudaram a salvar o mundo de Titan dos Morphs. Flashback é como música boa, não envelhece, se torna um clássico eterno.
Lúcio Amaral é jornalista e advogado, músico por paixão e gamer desde que se conhece por gente. Sua paixão pelos videogames começou na segunda metade dos anos 1980 quando teve seu primeiro videogame, um Philips Odyssey - ou Odyssey² - quando tinha 7 anos. Acompanhou, com muito entusiasmo, todo caminhar tecnológico e assumiu uma paixão pela Sega, sem deixar de flertar sempre com a Nintendo. Hoje é colecionador com um acervo que vem desde a segunda geração de consoles aos mais atuais e encontrou no Blast uma maneira de compartilhar toda sua paixão e convívio com esse fantástico mundo dos videogames.

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