1990: Nintendo, Sega e a guerra dos consoles

Após a quase morte dos videogames, no crash de 1983, dois gigantes japoneses surgem salvando o mercado e protagonizando a maior rivalidade do século 20.



No final da primeira metade da década de 1980 a venda dos consoles caseiros caía vertiginosamente nos EUA e Europa. A enxurrada de jogos ruins saturando o mercado, mais o crescimento das vendas dos computadores caseiros, fez o público perder o interesse nos videogames. Seu ápice se deu com o lançamento do jogo E.T: The Extra-Terrestrial, no natal de 1982, um fracasso tão retumbante que fez a Atari, literalmente, enterrar milhares de cartuchos, encalhados nas lojas, no meio do Novo México.

A Nintendo entra no mercado


Em 1983 uma antiga empresa japonesa resolveu entrar no mercado de consoles, a qual  já havia conseguido muito sucesso nos jogos eletrônicos com um título que logo virou clássico, o Donkey Kong de 1981, lançando por tabela dois ícones: o próprio Donkey Kong e um bombeiro bigodudo chamado de Jumpman, atualmente  conhecido como Mario. Essa empresa era a Nintendo.
Batizado de Famicom (Family Computer), o console da Nintendo é lançado em julho de 1983 no Japão se tornando um sucesso imediato, porém, devido ao grande crash nos EUA, chegar ao mercado americano se tornou um desafio.

Apenas dois anos depois do lançamento do Famicom, a Nintendo resolveu arriscar no ocidente. Para atingir o mercado americano, mudou o design do seu console. Por ter uma aparência mais infantil, eles resolveram mudar para um design mais maduro. Além disso, mudaram o nome para algo que seria mais atrativo para os americanos, e o rebatizaram de Nintendo Entertainment  System, ou simplesmente NES. O intuito era vender um aparelho como uma central de entretenimento, uma vez que os videogames estavam mal afamados no ocidente.

Então, no outubro de 1985, com um novo nome, novo design e nova proposta, a Nintendo invade o ocidente. Primeiramente fazendo um teste, dispondo cerca de 50.000 unidades em Nova York, o que vendeu rapidamente. Logo, em fevereiro do ano seguinte, a Nintendo disponibilizou a sua máquina para o resto do país e mais tarde na Europa, Austrália e Brasil, tornando-se um grande sucesso e líder de vendas nos mercados japonês e americano.

O crescimento de um rival


Ao contrário do que a maioria pensa, a Sega tem origem americana. A empresa foi fundada em 1920 em Honolulu, no Havaí, como Standard Games, por Martin Bromley, Irving Bromley e James Humpert. Em 1954, por intermédio do empresário americano David Rosen, no intuito de importar cabines de fotografias instantâneas, a Sega chega às terras nipônicas.

Devido ao grande sucesso das cabines no Japão, a empresa de Rosen – Rosen Enterprises – resolve expandir os negócios importando também jogos eletro-mecânicos, e em 1965 as duas empresas se fundem formando a Sega Enterprises. Somente no ano de 1984 um conglomerado japonês, a CSK, compra a empresa americana e a renomeia para Sega Enterprises LTD., passando definitivamente a sua sede para o Japão.

Neste mesmo ano, a agora japonesa Sega entra no mercado de videogames lançando o Sega SG-1000, apresentando algumas diferenças, como a possibilidade de adaptar um teclado ao console e os famosos CardCatcher, acessório adicional para que o videogame lesse cartões.
No mesmo ano que a Nintendo começa a explorar o mercado ocidental a Sega lança um console à  altura para rivalizar com seu principal oponente. Em 1985  nasce o Sega Mark III no mercado japonês, território dominado pela Nintendo.

O início da guerra


A Sega perdia feio para a Nintendo nas terras japonesas, mas isso não impediu que a empresa lançasse seu console no resto do mundo. Em 1986, fazendo modificações no design e rebatizando o Mark III para Sega Master System, eles entram no mercado americano, porém o domínio da Nintendo era absoluto, o que fez a Sega vender os direitos de comercialização do Master System para a Tonka, que fez um péssimo trabalho de divulgação e distribuição, fazendo com que as vendas do console fossem baixíssimas nos EUA e que o mesmo fosse descontinuado em 1992.

Porém na Europa o resultado já foi diferente, com um ótimo suporte da Sega Européia o console foi muito bem aceito no velho mundo, tinha um hardware melhor que o do seu oponente e as vendagens por lá foram bem melhores, tendo sido produzido jogos para ele até 1996.


Parceria com a Tectoy alavanca as vendas no Brasil

No Brasil da década de 1980 havia a infame reserva de mercado, que tinha o intuito de fomentar o investimento do Governo e Setor Privado na formação e especialização de recursos humanos voltados à transferência e absorção de tecnologia em montagem microeletrônica, arquiteturas de hardware, desenvolvimento de software básico e de suporte. Porém isso causou um revés que dificultava a exportação e instalação de indústrias estrangeiras no país, o que findou legalizando um tipo de pirataria bastante comum que era a fabricação de consoles clones. Na época somente a Magnavox e, mais tardiamente, a Atari conseguiram implantar seus videogames no Brasil, o Odyssey² e o Atari 2600 respectivamente.


Em 1988 a Sega já havia feito parceria com a Tectoy na comercialização da pistola Zillion, então no ano seguinte os japoneses decidem  firmar nova parceria com a empresa brasileira para distribuir seu videogame, o que fez a Sega sair na frente no mercado brasileiro. Afinal a Tectoy revendia um produto oficial, diferentemente da Nintendo que até então só se tinha conhecimento de seus produtos no Brasil através dos clones aqui vendidos.

A Tectoy começa a investir pesado na campanha de marketing. Além dos comerciais comuns,  a empresa brasileira  investiu em programas globais, trazendo as famosas Master Dicas, criou o Master Clube e trouxe o Hot Line para o Brasil. Também foi responsável por traduzir alguns jogos como o Phantasy Star, fazer alguns ports como o Mônica no Castelo do Dragão e rebatizar títulos para o português como o California Games que virou Jogos de Verão.

Tudo isso fez com que o videogame da Sega fosse um grande sucesso na terra de Pindorama desbancando até a gigante Nintendo. Aliás, graças a essa parceria, o Brasil foi o único lugar que a Sega passou a Nintendo nas vendas, tornando a Tectoy bastante respeitada pela Sega e mantendo uma parceria que dura até hoje.

O que se pode dizer dessa primeira fase da guerra é que a Nintendo ganhou fácil, conseguiu sucesso de vendas num mercado que estava praticamente morto devido ao Crash de 1983, ressuscitou o mercado de consoles caseiros e, com exceção do Brasil, liderou todo o mercado mundial tornando-se sinônimo de qualidade e entretenimento quando se fala em videogames.

 Anos 90: chega o ápice da guerra

Atrás na guerra dos consoles, em outubro de 1988 a Sega lança um novo console, o Mega Drive, entrando assim para a 4ª geração de videogames. Com o dobro da capacidade dos seus antecessores, o novo console foi a aposta da Sega para desbancar a Nintendo do topo. O videogame foi um sucesso até o início dos anos 90, quando a Nintendo deu seu contragolpe.

Em novembro de 1990 a Nintendo lança o seu representante da 4ª geração, o Super Nintendo, contendo um hardware superior ao do seu rival e trouxe uma tecnologia totalmente inovadora para o mercado, o chip Mode 7, que propiciava fazer rotações nos gráficos dos jogos e trazer uma sensação maior de profundidade e realidade. Foi um tapa na cara da concorrência quando a Nintendo mostrou essa inovadora tecnologia em jogos como o revolucionário F-zero.

No lançamento do seu console a Nintendo dá de presente o quarto jogo do seu mascote, o Super Mario World. O jogo foi um sucesso de vendas, um enorme sucesso crítico e comercial, sendo considerado o mais bem vendido da plataforma, com 20 milhões de cópias vendidas no mundo todo e colocou a Nintendo mais uma vez no topo de vendagens.

Para não ficar atrás, a Sega apostava no processamento muito mais rápido do Mega Drive, e para fazer jus a isso eles planejaram um jogo que pudesse aproveitar toda essa vantagem. Foi então que a Sega reuniu uma equipe formada por Yuji Naka, Naoto Ohshima e Hirokazu Yasuhara para criar algo que pudesse explorar esse potencial da máquina da Sega. Resultado, a equipe não só conseguiu cumprir esse objetivo, como, por tabela, criaram o mascote e ícone da empresa: Sonic the Hedgehog.

Briga de mascotes

Com a criação do Sonic a Sega finalmente encontrou um mascote à  altura dos irmãos Mario. Afinal o Alex Kidd, até então mascote da Sega e do Master System, perdia feio. Teve títulos importantes, principalmente Alex Kidd in  Miracle World do Master, mas a preferência estava com o  Super Mario Bros. 3 do NES. Mesmo com o lançamento de um console superior, o Mega Drive, a maioria dos nintendistas permaneceram com seus 8 bits por causa do excelente acervo de jogos da nintendo e, principalmente, por causa da franquia Mario Bros.

A Nintendo já havia retomado a dianteira com o lançamento do Super Nintendo e do Super Mario World, porém, com a criação do novo mascote - o Sonic - trazendo uma jogabilidade completamente nova aos jogos de plataforma, a Sega conseguiu mais uma vez ficar em par de igualdade com a Nintendo e, desta vez dividiu os fãs entre seguistas e nintendistas. A partir daí a briga ficou bem feia.

Marketing desleal

A Sega começou a pegar pesado no marketing, tudo para superar o rival. reforçava que seu produto era mais maduro, infantilizando o seu rival, queria demonstrar como seus jogos eram mais próximos aos dos arcades, e muitas vezes exageravam. Criou o slogan "Genesis does what Nitendon't", um trocadilho com o nome da rival, algo como "O Mega Drive faz o que a Nitendonão" (tradução livre). Ou seja, apelava mesmo para reforçar que seu produto era melhor.


Porém a Nintendo contra-atacou de modo simples, demonstrando que ela faz sim o que a Sega faz, e melhor. O Super Nintendo tinha realmente um hardware superior ao Mega Drive, só perdia para o seu rival da Sega no quesito velocidade, porém com a introdução dos chips Super FX e o Mode 7 - que dava efeitos de zoom - a Nintendo demonstrou sim que podia fazer, até melhor, o que a Sega faz.

A Sega ainda lançou produtos que rivalizassem com o chip Super FX. O chip SPV foi a aposta para o Mega Drive, era capaz de renderizar gráficos vetorias dando o aspecto de 3D na tela, foi utilizado nos jogos Virtua Racing e Virtua Fighter. Porém ele chegou tarde, pois a nova geração de consoles já estava encaminhada fazendo com que a sua tecnologia se tornasse obsoleta em pouco tempo.

Mega Drive com o Sega Cd e o 32X acoplados

Tentou também emplacar o infame Sega CD que trazia melhorias gráficas e sonoras ao aparelho, capaz de rodar CDs, abusou dos jogos em FMV (Full Motion Videos) e trouxe alguns bons ports de arcades, como o Final Fight. No final o Sega CD foi um fracasso de vendas que trouxe prejuízos à Sega.

A Nintendo quase embarca na onda do periférico em CD rom, chegou a fechar parceria com a Sony e desenvolveram um add on para o Super Nintendo, iria se chamar Super Nintendo PlayStation, porém, com o fracasso do periférico da Sega, a Nintendo resolveu cancelar o projeto em vias de lançamento, o que resultou no despertar de um monstro na concorrência, a Sony.

Super Famicom e o seu add on, o PlayStation desenvolvido em parceria com a Sony

Quinta geração: erros e acertos


Com a chegada da quinta geração, impulsionada com o lançamento do 3DO em Março de 1994, as duas empresas líderes do mercado não poderiam ficar atrás. A Sega, no mesmo ano, tentou se adiantar lançando outro periférico, o Sega 32X (parece que não aprenderam com os erros do Sega CD), foi outro fracasso de vendas e mais prejuízo para a empresa.

Tentando recuperar o dinheiro perdido com o Sega Cd e o 32X a Sega entra de cabeça na 5ª geração, e lança em novembro de 1994 o Sega Saturn. Teve muito sucesso no seu lançamento, principalmente no Japão, superou fácil o 3DO, porém a Sega não contava com uma coisa, um monstro chamado Sony.

Após o cancelamento do Super Nintendo PlayStation a Sony não deixou de lado o console. Embora tivesse acabado a parceria com a Nintendo, a Sony resolveu dar continuidade ao projeto. Eis que em dezembro de 1994 ela lança o seu console, tirando apenas o nome do Super Nintendo, nasce um monstro chamado Playstation. Com um hardware muito superior ao da concorrência, o console da Sony simplesmente engoliu o mercado se tornando um dos videogames mais vendidos da história.

Nintendo Virtual Boy

No ano seguinte a Nintendo tenta entrar na quinta geração, porém comete o maior erro de sua vida. Em julho de 1995 lança às pressas o Virtual Boy. O console era para ser um portátil, porém por  seu tamanho enorme  (bem maior que um Super Nintendo), ser um devorador de pilhas, pouca biblioteca de jogos e gráficos monocromáticos (vermelho com fundo preto), que causavam náuseas e dores de cabeça em quem jogava por mais de 45 minutos, o videogame foi descontinuado meses depois.

A resposta da Nintendo veio somente em 1996 com o lançamento do Nintendo 64. Um console bem superior aos da concorrência, pois tinha o dobro da capacidade, e  com um novo objetivo: bater a Sony. Nesta altura a Sega já estava bem atrás, a Sony engolia o mercado, e com o lançamento do Nintendo 64, a sega amargava um terceiro lugar nas vendas, trazendo mais um enorme prejuízo à empresa.

O último suspiro da Sega

Amargando vários prejuízos com seus últimos lançamentos, a Sega resolve apostar alto. Fecha uma parceria de grande nível e, junto com a Microsoft, começam a trabalhar numa verdadeira máquina de jogar.

Com os codinomes Katana e Blackbelt o projeto tem início e em novembro de 1998 nasce o revolucionário Sega Dreamcast, abrindo a sexta geração de consoles com 128 bits de potência, foi um marco. Muito bem recebido no seu lançamento, teve um grande sucesso de vendas nos primeiros meses. Parecia que desta vez a Sega iria se recuperar. Só que não!

A Sony já estava com seu ás na manga, e em março de 2000 lança o Playstaion 2. Embora o Dreamcast tivesse algumas vantagens contra o seu concorrente recém-lançado, como a placa de som e o sistema operacional do windows CE.

O grande erro da Sega, desta vez, foi a mídia. O Dreamcast adotou um tipo de mídia próprio, criado só pra ele no intuito de driblar a pirataria, o Giga Disk (GD). Como o PS2 já utilizava DVD ROM, como mídia, deu uma vantagem enorme, pois tinha uma capacidade de armazenamento quase 5 vezes superior ao Giga Disk, além do preço do videogame da Sony ser bem mais acessível, uma vez que o console da Sega era bem mais caro que os outros no mercado. Amargando mais uma derrota , A Sega deixou  de vez o mercado de consoles.

Em 2001 a Nintendo entra na batalha da sexta geração e lança o Game Cube. Trouxe algumas novidades como a interação com o portátil Game Boy Advance e um controle desenhado para melhor se adaptar aos jogadores de todas as idades. Lançou excelentes títulos como Zelda: The Wind Maker e  Super Mario Sunshine, porém ficou à sombra do poderosíssimo console da Sony, ficando longe do sucesso que teve na década passada.



Com a saída da Sega do mercado, tem-se também o fim da parceria Sega/Microsoft, mas isso nem de longe abalou a gigante americana, pelo contrário, a despertou para um novo mercado lucrativo. Em 2001 a Microsoft, com toda a experiência que teve com a Sega, entra no mercado de consoles. Cria o grandioso  Xbox, praticamente um computador voltado pra jogos, com  um hardware bem  superior ao do  Playstation 2, passando assim a protagonizar a linha de frente no mercado.

Nessa geração a Sony mais uma vez ultrapassou  a concorrência e fez o Playstation 2 ser o videogame mais vendido na história com mais de 140 milhões de unidades. A  Microsoft surge com muita força desbancando as experientes Sega e Nintendo. Esta geração é marcada por declarar definitivamente o fim da maior rivalidade de todas - Sega VS. Nintendo - e por enterrar de vez a Sega no  mercado de consoles caseiros, após  consecutivos prejuízos.

O Legado

A rivalidade entre as duas empresas japonesas foi uma das melhores coisas que aconteceu ao mercado de consoles caseiros, pois os videogames estavam praticamente mortos após o crash de 1984. Porém a Nintendo surgiu com muita força nesse período, renovando e resgatando o interesse do grande público no mercado. A chegada da Sega como grande rival só agigantou o mercado, fez com que ambas tentassem se superar criando verdadeiros apaixonados por cada uma das empresas.

Essa rivalidade foi responsável direta pelo nascimento de outras duas gigantes, a Sony, outrora parceira da Nintendo, e a Microsoft, outrora parceira da Sega. Se até a primeira metade dos anos 90 o mercado de videogames estava polarizado entre Sega e Nintendo, hoje a polarização entre Sony e Microsoft só existe graças aos acontecimentos durante a chamada “Guerra dos Consoles”.

Foi uma guerra onde não houve vencedores. A Sega, após uma sucessão de erros e consecutivos prejuízos praticamente faliu e para não fechar as portas precisou abandonar o mercado, focando apenas na produção de jogos. Já a Nintendo apenas corre por fora, continua produzindo excelentes consoles, mas com um público diferenciado, mais casual, longe do seu brilho de outrora. Foi uma disputa em que as duas empresas perderam, porém reviveu o mercado de videogames de um modo que, se não tivesse existido a Sega e a Nintendo, com certeza os consoles caseiros teriam morrido junto com o Atari 2600 na década de 1980.

Revisão: João Paulo Benevides
Lúcio Amaral é jornalista e advogado, músico por paixão e gamer desde que se conhece por gente. Sua paixão pelos videogames começou na segunda metade dos anos 1980 quando teve seu primeiro videogame, um Philips Odyssey - ou Odyssey² - quando tinha 7 anos. Acompanhou, com muito entusiasmo, todo caminhar tecnológico e assumiu uma paixão pela Sega, sem deixar de flertar sempre com a Nintendo. Hoje é colecionador com um acervo que vem desde a segunda geração de consoles aos mais atuais e encontrou no Blast uma maneira de compartilhar toda sua paixão e convívio com esse fantástico mundo dos videogames.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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