Blast from the Past

StarTopia (PC) unia ficção científica com muita diversão

Relembre a experiência de conviver com alienígenas de muito bom humor ao restaurar uma estação espacial de volta à sua glória.

em 02/08/2015

Em um futuro muito distante, o universo conhecido sofreu bastante durante uma pesada guerra entre as diversas raças que o habitam. Algumas poucas estações espaciais restaram, porém estão apenas parcialmente funcionais e abandonadas. Com a intenção de restaurar a vida nesses locais, você foi indicado como o administrador dessa estação. Então é sua responsabilidade criar uma base no espaço para que diversos tipos de alienígenas possam se curar, descansar, relaxar, trabalhar e até mesmo encontrar amor (mas de maneira provisória). Pronto para esse desafio?


Bem vindo ao espaço

As estações eram patrocinadas por algum grupo alienígena, que buscava criar algo na região para suprir suas necessidades específicas. Você era instruído por um assistente de inteligência artificial conhecido como VAL (virtual artificial lifeform), que deveria ser o foco no começo de cada missão. Ele lhe passava dicas de como melhorar sua estação, alternando com piadas pelas coisas não funcionarem melhor devido às suas limitações como humano.
Muita coisa precisa ser feita para restaurar essas estações para seu auge


Normalmente esses grupos eram formados por uma raça específica de alienígenas que defendia seus interesses e repassava sua cultura pelo espaço. No total você podia receber e se comunicar com nove raças diferentes, com nenhuma delas sendo humana. Conheça agora um pouco mais delas:
  • Salt-hogs: Humanoides que lembram uma mistura entre porcos e pássaros, são baixinhos e sempre vestem seus uniformes, já que são focados em trabalhos industriais. Eles são os últimos que você vai encontrar visitando um lugar muito chique.
  • Targs: São uma raça de insectoides, baixinhos com asas e um rosto lembrando moscas. Eles são acostumados a trabalhar com comunicação em massa devido a pertencerem a uma população muito grande.
  • Greys: Os cinzentos são a definição clássica de que temos sobre alienígenas cabeçudos e com grandes olhos escuros. Eles são conhecidos por sequestrar pessoas e enfiar neles sondas em locais não muito agradáveis para conhecer melhor sua anatomia.
  • Sirens: São humanoides com asas, lembrando a definição que temos de anjos, porém mais sexy. É a única raça que a diferença entre gêneros é visível. Mas não se engane, já que as fêmeas são os que parecem machos e vice-versa.
  • Karmarama: São humanoides de quatro-braços com uma grande conexão com a natureza, e ostentam com seus dreadlocks verdes um comportamento hippie.
  • Kasvagorians: São humanoides bem grandes e corpulentos, e a armadura natural de sua pele mostra que são feitos para a guerra. Eles consomem mais comida que os demais e tendem a criar mais confusão que os outros alienígenas.
  • Turrakken: São alienígenas extremamente focados em descobrir os segredos do universo, portanto são muito focados nos campos de ciência e engenharia. Como tanto conhecimento não caberia em um único cérebro, eles possuem duas cabeças.
  • Zedem: Altos e sempre vestidos com seus robes cerimoniais, eles são extremamente religiosos e ajudarão qualquer alienígena que tente se converter a pagar penitência por seus pecados anteriores.
  • Gem Slugs: Essas enormes lesmas se movem com flutuadores e formam a aristocracia da galáxia. Elas vão lhe visitar procurando um lugar para gastar suas riquezas. Todos os membros dessa raça são tão ricos que até seus excrementos contêm um dos minérios mais raros existentes.

  • Essas são as diversas criaturas que você encontrará por suas estações espaciais, incluindo alguns indesejados.

Todas as estações são em formato de rosquinhas circulares com um vão no meio. Além disso, eram divididas em três decks e dezesseis setores. Você iniciava com uma sessão de cada um dos decks e podia expandir para os outros decks pagando um custo de energia para arrumar os setores quebrados. Ou então invadia com um robô de segurança no caso do setor vizinho ser ocupado por um inimigo. Os decks eram baseados em:
  • Engenharia: Tudo começava por aqui. Construções básicas, como banheiros e restaurantes, e estruturais, como fábricas, portos e compactadores de lixo, só podiam ser colocadas aqui.

  • O coletor de energia é a principal construção desse deck, que ainda pode receber restaurantes e banheiros
  • Diversão: Quase todas as construções básicas também podiam ser colocadas aqui, dividindo com o deck anterior. Junto a isso também podia receber instalações focadas em diversão, como diversos bares, lojas, discoteca e o ninho do amor.

  • Nesse deck, discotecas, bares, lojas e hotéis e se juntam a atrações bizarras como uma que engolia o visitante e o cuspia algum tempo depois.
  • Biológico: Esse deck era diferente dos demais por não permitir construções e permitir visualização do espaço por ter paredes de vidro. O terreno aqui podia ser customizado para refletir diversos tipos de ambientes como pântanos, desertos e montanhas e receber vegetação nativa de cada. Os alienígenas podiam passear por esses terrenos e ficavam felizes por encontrar os parecidos com o de suas terras natais.

  • O Biodeck podia se tornar um local muito bonito ao misturar diversos biomas.

Começando as operações

Uma das necessidades iniciais da estação era instalar um coletor de energia e um porto de entrada no deck de engenharia. O coletor serve como fonte de energia para todas as instalações, armazenando e utilizando os valores gastos por visitantes ou então energia excedente de uma radiação solar próxima. Já o porto é a passagem de acesso que os visitantes utilizam para entrar e sair de sua estação. Ambas eram recebidas pré-construídas armazenadas em caixas, e só eram finalizadas por robôs de serviço após você abri-las e selecionar o local correspondente para serem posicionadas. Logo em seguida elas já entravam em operação automaticamente.
Seu trabalho no início se resumia a abrir as coisas e esperar que tudo fosse construído


Porém algumas instalações também necessitavam ser operadas manualmente por alguém. Cada uma das raças possuía especialidades, então era possível contratar alguns dos visitantes para atuar por você. Como exemplo, os Grey são focados em atividades médicas, já que ficaram famosos por sequestrar vacas na Terra para estudar sua biologia. Ou então os Turakken com pesquisas tecnológicas, pois duas cabeças pensam melhor que uma. E os Sirens proviam amor por fazer parte de suas crenças e de seus corpos curvilíneos. Após contratado, o alienígena partia automaticamente para cobrir necessidades em sua estação.
Esse Siren está pronto para dar amor para quem precisar.


Caso alguma instalação estivesse vazia, o local poderia ser ocupado por um criminoso. Eles fingiam realizar a mesma atividade, porém com prejuízos para você e para os visitantes que receberam o serviço. Um Gray criminoso eventualmente matava seu paciente, por exemplo. Para combatê-los, você precisava montar uma estrutura de segurança, com prisões e robôs-guarda. Os prisioneiros passavam algum tempo congelados em suas celas, e eventualmente eram liberados como cidadãos normais.

Ameaças no espaço

Caso outro administrador estivesse na mesma estação, era necessário expulsá-lo a força. Para isso, você precisava chegar até o reator de energia dele e destruí-lo. Você podia utilizar quase todos os alienígenas que empregava como força de combate, mas o ideal era uma tropa de Kasvagorian para ter certeza de sua vitória.
Uma grande tropa era a chave do sucesso, já que não existiam táticas de combate


Eventualmente você podia ser alvo de terroristas. Eles entravam pelo porto como quaisquer outros visitantes, mas com uma diferença gritante: sempre eram humanos tentando se esgueirar pela estação. Eles instalavam bombas para atrapalhar seu progresso caso você não os encontrasse rapidamente.

Outro problema que podia acontecer era a invasão de sua estação por pequenos animais parecidos com gatos. Se eles conseguissem se alimentar de lixo, infectavam algum alienígena próximo a eles com um parasita. Quando ele se desenvolvia, explodia para fora do corpo do hospedeiro um enorme monstro, louco por destruição. E monstro morto dava origem a mais felinos, criando um ciclo perigoso.
É difícil imaginar que esses fofos animais podem criar uma criatura horrenda e destrutiva em sua estação.

Um divertido legado

StarTopia foi desenvolvido pela Mucky Foot, empresa britânica organizada por ex-funcionários da Bullfrog após sua aquisição pela Electronic Arts. A Bullfrog criou fama por divertidos jogos de administração como Theme Park, Theme Hospital e Dungeon Keeper. Então boa parte do bom humor delas também foi transferido ao espaço. São diversas piadas com séries clássicas de ficção científica como Guia do Mochileiro das Galáxias, Alien, Star Wars, Star Trek entre diversas outras. O nome de VAL, por exemplo, era uma piada com a inteligência artificial HAL-9000 de 2001: Uma Odisséia no Espaço.


O jogo chegou a ser indicado em 2001 para a categoria de jogos do BAFTA (British Academy of Film and Television Arts), porém acabou não recebendo o prêmio. Suas vendas alcançaram pouco mais de um milhão de cópias, sendo então um jogo bem sucedido. Hoje ele pode ser encontrado no GOG.com e no Steam. StarTopia foi dedicado a memória de Douglas Adams, autor do Guia do Mochileiro das Galáxias. Ele faleceu pouco tempo depois do lançamento do jogo. Uma pena, já que ele não pôde aproveitar algo muito parecido com suas obras.



Revisão: Luigi Santana
Capa: Felipe Araujo

é formado em Administração de Empresas pela USP, e mestre em cultura inútil pelas experiências de vida. Desde 1993 gosta de explorar o mundo dos games em seu tempo livre. Pode ser encontrado reclamando da vida no Facebook e Twitter.
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