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Análise: Gryphon Knight Epic (PC) inova e arrisca como shooter

Gryphon Knight Epic toma uma iniciativa arriscada como shooter e sofre na mesma medida que se aproveita disso.

Como um fã de longa data de shoot em ups, qualquer notícia de um novo jogo do gênero já me empolga, e não foi diferente com Gryphon Knight Epic. Surgido do kickstarter, Gryphon Knight Epic mistura elementos dos jogos tradicionais do gênero com elementos de exploração em um ambiente medieval. No entanto, o jogo não seguiu de fato as minhas expecativas, e isso foi tanto ruim quanto bom.

Nem tudo são flores

Por mais que Gryphon Knight Epic proponha várias coisas novas ao gênero, muitas vezes a execução ou até mesmo os conceitos me pareceram um pouco duvidosos. A exploração é provida principalmente pela possibilidade de mudar o curso do protagonista, podendo mover a tela tanto pra frente quanto pra trás, o que adiciona possibilidades ao jogo mas quebra imensamente o fluxo esperado de um shoot em up, e esse não é o único momento que ele faz isso.

Onde acelera esse bicho?
O jogo tem um ritmo extremamente lento comparado a outros shoot em ups e a ação parece parada ao jogador, sensação que é ampliada pela trilha sonora de estilo medieval, que faz o jogo parecer ainda mais lento do que ele já é. Trechos da história tomam mais tempo entre sessões de jogo em si e o tempo entre fases para se comprar upgrades e itens é aumentando graças ao exagero de abstrações, com diversas lojas e telas que interrompem ainda mais a ação que o jogador de shoot em up tanto espera.

Dois lados da mesma moeda

Apesar de seus defeitos que irritam principalmente o lado mais fã de shoot em up deste autor, é muito importante notar que tais características não estão no jogo a toa e o que podem parecer fraquezas são por outro lado o trunfo deste jogo.

A exploração é importante pois o jogo trata-se mais de uma “aventura” do que uma “missão”. A ambientação medieval é um ponto central e diferencial do jogo e é tratado com a devida importância pelos desenvolvedores. O ritmo do jogo pode ser mais lento para se adequar a ambientação e a música pode não incentivar a ação mas ajuda ainda mais a reforçar a atmosfera que o jogo já cria desde o primeiro instante, me lembrando em alguns momentos aqueles antigos adventures medievais de PC, como King’s Quest.

O menu mais nostálgico que pego em muito tempo.
As grandes porções do jogo dedicadas a histórias ambientam melhor o jogador e dão uma motivação extra além de pontos, que geralmente são o centro de shoot em ups. Para mim, pode não ter sido o mais divertido ou emocionante dos Shoot em ups, mas certamente foi o com uma ambientação mais forte e envolvente.

Conclusão 

Inicialmente fui extramamente crítico com Gryphon Knight Epic, mas o seu grande trunfo está, ao meu ver, em apostar justamente em algo diferente. Gryphon Knight Epic, é, ao meu ver, um Shoot em up para quem não é fã de Shoot em ups. O jogo não tem uma ação frenética, trilha sonora acelerada e não fornece aquela alegria de ver sua pontuação aumentando, mas através de seus elementos, ele faz com que o jogador se sinta mais um aventureiro do que um jogador.

Apesar disso poder ser tanto bom quanto ruim dentro do jogo em si, e mesmo que não me agrade como jogador em muitos momentos, o sucesso de Gryphon Knight Epic em trazer algo novo para o um dos mais antigos gêneros dos jogos é louvável e mostra que sempre há espaço para inovação.

Prós

  • Ambientação envolvente
  • Pixel art bem trabalhada e consistente

Contras 

  • Gameplay lento com pouca ação
  • Exploração pouco compensadora

Gryphon Knight Epic — PC — Nota: 7.0 
 Capa: Juni Chaves

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
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