Os caminhos do Ansatsuken! O mundo competitivo de Street Fighter

Conheça as principais competições e competidores de Street Fighter no mundo.


O ano de 2015 começou, e com pouco mais de um mês corrido, as competições de fighting games já iniciaram a todo vapor, especialmente para os jogadores de Ultra Street Fighter IV, com a realização do DreamHack e da Canada Cup Master Series 2015. Dada a largada, vamos conhecer a cena competitiva e os principais torneios da briga de rua mais famosa do mundo.


A Saga pelo melhor lutador 

Durante o ano inteiro, diversos torneios ocorrem pelo mundo, simulando na vida real a jornada dos guerreiros mundiais em busca dos mais fortes. Um desses templos da luta é o Evolution, popular EVO. Cabe citar que o EVO também abriga torneios de outros jogos de luta, como Ultimate Marvel vs. Capcom 3, Smash Bros. for Wii U, Killer Instinct, etc. Lá, jogadores de vários países se enfrentam pelo título de campeão e para conseguir vaga para a Capcom Cup, maior torneio de Street Figther do Mundo.

O elenco do EVO2015
Ficou curioso para saber mais sobre esses campeonatos? Acha que tem qualidades suficientes para enfrentar os melhores do mundo? Conheça mais sobre esse fantástico universo dos torneios de luta virtual.

EVOlution, a Copa do Mundo dos Games de Luta 


Fundado em 1996 por Tom Cannon, o Evo começou com uma fórmula um pouco diferente dos dias atuais: 40 jogadores se enfrentando em gabinetes de Arcades com Super Street Fighter II Turbo e Street Fighter Alpha 2.

Tradicionalmente a competição utiliza o formato Double Elimination (Eliminação Dupla), o qual garante que o competidor realize no mínimo duas lutas. A reta final do torneio de Ultra Street Fighter IV ocorre com 64 jogadores, que sobreviveram às eliminatórias dos primeiros dias. No último dia, todos entram competindo no lado da chave (Bracket) chamado Winners. Quando perdem uma luta, vão para o outro lado chamado Losers.

Entendendo a Eliminação Dupla: Esse ano cheguei em Las Vegas para disputar o EVO e acabo sendo umas das surpresas. No dia da final, venço todas as lutas até chegar na rodada Top 16. Essa rodada é decisiva, pois logo chegamos ao round chamado Finals, com 8 jogadores, ou Top 8. Se eu perco, saio do lado Winners e começo a disputar Losers. É minha última chance no torneio. Quando eu perder novamente, estarei eliminado de vez. Se eu chegar até a final como Loser, enfrentarei o campeão do lado Winner. Aqui pode ocorrer algo muito interessante e que aumenta a emoção e hype no público. Se o jogador da Losers vencer a Grand Final, ocorre o chamado “Reset Bracket”, o que isso significa? Isso mesmo, temos dois competidores Losers. Não se esqueça que todos têm direito a uma derrota. Se sou finalista como Winner, significa que ninguém me derrotou até o momento e, se sou derrotado não posso perder mais, porém, caso seja final, vamos a luta derradeira pelo caneco, pontos, vaga na Capcom Cup e o cheque.

Por nascer com Street Fighter, a cada ano os laços da comunidade em torno do game e suas futuras versões amentavam consideravelmente, mesmo com grandes títulos rivalizando com a série, como The King of Fighters, com um sistema similar e mais solto, e pros anos 2000 o surgimento de Guilty Gear, que pode ser chamado com méritos de sucessor de SF com suas mecânicas e estilo cartunesco.

As competições clássicas são raras de serem encontradas, mas as lendas vivem até hoje. Antes de surgir o jogador chamado de “Kami” (Deus em japonês), Daigo Umehara, o competidor mais temido era, e ele ainda mantém seu respeito e influência, Alex Valle. Sua grandeza é tanta, que o principal item que precisamos aprender para nos tornarmos dominantes em um jogo teve os melhores conceitos criados por ele em sua forma de jogar.
Os jovens Alex Valle e Daigo Umehara em 1998
Reconhecido como um dos melhores Ryu para sua referência ao jogar com o karateka, Alex domina a arte do chamado “footsies”. De modo simples, porém acredite, simplificar esse conceito não é fácil, o footsies consiste de técnicas e táticas do seu jogo, para induzir o oponente a fazer o que você quer enquanto pratica um jogo neutro, procurando o melhor espaço da tela para o seu personagem e quando o adversário cair na sua isca, é o momento que você armou para então puní-lo com o que deseja.
Um exemplo clássico dos shotokans como Ryu e Ken. Seu jogo básico consiste em dominar o cenário na horizontal com Hadoukens e se o inimigo vier pelo alto, dominar a vertical de aproximação com Shoryuken. Ryu é dominante nessa jogada e podemos induzir o adversário a pular em nós, para receber o Shory. Como? O própio Hadouken funciona como isca, pois o adversário vai ter de optar entre defender, pular neutro ou arriscar a voadora em você!
Repare a área que Ryu controla para pressionar o Ken. Se o rival decidir escapar das magias, como diz o ditado popular: “Pulou, é shory(uken)!”
Até a edição de 2003, os campeonatos eram realizados em gabinetes, os famosos arcades. Mas, na edição de 2004, a organização do evento mudou o torneio para os consoles, aposentando os nossos fliperamas e os deixando nas lembranças de jogadores e em botecos e locadoras, e apostando as fichas nos consoles da sétima geração. Primeiro predominando o PS3, para depois utilizar as versões do Xbox 360.

Uma nova era está chegando, pois quando Street Fighter V estrear, a competição será menos dividida, já que o jogo será exclusivo da Sony com seu PlayStation 4, e também será lançado para PC, trazendo o tão aguardado Cross-Plataform.

Capcom Cup, a reunião dos World Warriors 


A intenção do torneio é reproduzir no mundo real, o mote do jogo, o torneio com os "World Warriors" (Guerreiros Mundiais). Ao longo do ano, ocorrem várias etapas e algumas são eliminatórias por todo o mundo. Os jogadores acumulam pontos e entram para o ranking da Capcom buscando uma vaga para o torneio.

O torneio foi criado em 2013 e começou com os jogos Super Street Fighter IV Arcade Edition Ver. 2012, Ultimate Marvel vs. Capcom 3 e Street Fighter X Tekken. Em 2014 a Capcom fechou uma parceria com o Twitch TV, fazendo o torneio exclusivo de Ultra Street Fighter IV e, nessa edição, o Brasil marcou presença. Para 2015 a Capcom fechou parceria com a Sony, devido à exclusividade do Street Fighter V para PS4 (e PC), e dará a singela bagatela de U$500.000,00 em prêmios. É hora de treinar!

Para participar da Capcom Cup temos 4 maneiras de obter a classificação, e são elas:
  1. EVO Tier: o campeão do EVO leva a vaga automaticamente. Lutas do EVO valem o quádruplo de pontos dos Premier Tournament, para os competidores.
  2. Premier Tournament: o campeão de um Torneio Premier garante vaga no torneio. Caso o vencedor possua vaga, o próximo jogador com maior pontuação no torneio leva a vaga.
  3. Ranking Tournament: são torneios regionais. Exemplo: o Topanga, que era um torneio japonês, e tornou-se uma eliminatória Asiática. Uma das mais difícieis de se obter vaga.
  4. Online Tournaments: torneios realizados no online do jogo. Há uma quantidade de torneios que dão pontos para classificar.

Alguns Top World Warriors 

MCZ Daigo - Considerado o maior jogador de Street Fighter de todos os tempos, o japonês pertence ao grupo chamado “Cinco Deuses Japoneses”. Seu jogo foge do normal e sempre surpreende a todos. A lenda em torno do “The Beast” tornou-se mundial quando ele saiu do Japão para participar do EVO 2004. Sua luta na semi-final contra Justin Wong (Chun-Li), ofuscou o resto do torneio e gerou o Evo Moment 37, confira o impossivel acontecendo.


MCZ Tokido - Outro membro do Olimpo japonês, Hajime Taniguchi possui um jogo solido que não fica restrito a Street Fighter. Tokido é conhecido por sua versatilidade. Todo jogo de luta que ele disputa, dificilmente fica de fora do Top 8. É uma das grandes referências para jogadores de Akuma.
Tokido X Infiltration, sempre excelentes mirror matchs de Akuma
Infiltration - O sul-coreano Seon Woo Lee é quase uma maquina. Sua principal característica foi apelidada pela comunidade como “Download”. É muito comum ele fazer um round sem grandes pretensões, para no próximo dominar seu adversário sem chances de respirar. Dominou a cena em 2012 levando o EVO e a Capcom Cup especial de 25 anos de Street Fighter.

MD Luffy - Olivier Hay é o último vencedor do EVO surpreendendo o mundo jogando com a personagem Rose. Seu estilo consegue camuflar muito bem as fraquezas da italiana que possui movimentos lentos, mas um bom convite de boas vindas a novatos. Luffy quase teve um 2014 perfeito, porém perdeu a Capcom Cup após dominar o torneio. Uma curiosidade interessante, diferente dos seus rivais que utilizam controle arcade, ele utiliza um controle do primeiro PlayStation!

RG Snake Eyez - O norte americano Derryl Lewis merece sua atenção. Ele é um dos grandes jogadores de Zangief do mundo ao lado de Itabachi Zangief. Snake Eyez consegue surpreender seus rivais, realizando ótimo uso de Footsies, que consiste em induzir o rival a fazer o que quer, e punindo sem perdão. Dar bobeira e deixar ele se aproximar, é pedir para levar “pilão”!

CNB ChuChu - O Brasil marcou presença no ranking mundial da Capcom, e chegou a hora de conhecer o primeiro brasileiro a disputar a Capcom Cup em 2014. Eric Moreira é conhecido como um dos melhores jogadores de Sakura. Seu jogo torna simples a arte de fazer combos de qualquer golpe em qualquer lugar.

Em Busca dos Mais Fortes 

Sendo desde sua existência um fenômeno mundial desde que ajustou sua fórmula em Street Fighter II, é lógico que não estaríamos de fora da cena. No Brasil temos grandes torneios espalhados pelo país e nos últimos anos, alguns jogadores de fora marcaram presença como Tokido, GamerBee, Infiltration e Dieminion.

Para falar sobre o cenário competitivo nacional, nada melhor do que o nosso melhor jogador na atualidade para nos ajudar, não? Batemos um papo com CNB ChuChu, confira:

Renan Pinheiro: Olá ChuChu, para começarmos a entrevista, se apresente ao pessoal do GameBlast.

CNB ChuChu: Meu nome é Eric Moreira Silva, tenho 23 anos e moro em São Paulo.

RP: Como você começou a se interessar e cair no mundo competitivo de Street Fighter, e fazer disso parte da vida como algo profissional?

ChuChu: Desde que comecei a jogar SF4 já sabia que tinha competição, então já entrei com a intenção de ser um jogador competitivo, mas não fazia ideia que existiam times que patrocinavam jogadores e tal, foi meio inesperado.

RP: Sem dúvidas 2014 foi um grande ano para você, fazendo história sendo o primeiro Brasileiro na Capcom Cup, o maior torneio de Street Fighter do mundo. Como foi essa experiência, e o que você viu que pode ser aproveitado na cena nacional?

ChuChu: Foi sensacional, melhor experiência que já tive como jogador, posso dizer que alcancei um dos meus objetivos como competidor. Pra comunidade nacional acho que foi bom, agora somos mais conhecidos lá fora por causa disso e graças a isso estamos sendo visados, mas isso é algo que não posso contar ainda, “risos”.

RP: Falando no competitivo nacional, como você avalia nosso atual cenário, e suas expectativas para os próximos anos? 

ChuChu: Estamos em crise devido a um acontecimento meio inesperado pela galera competitiva e isso pode afetar um pouco o desenvolvimento da comunidade, mas tenho esperança que tudo vai acabar bem e que esse será mais um ano turbulento e cheio de campeonatos, já que será nossa despedida de Street Fighter IV. Espero que com o lançamento do SFV, muitos dos antigos jogadores voltem a jogar e que ganhemos novos jogadores, não só jogadores, como novos competidores, falta muito ainda para atingirmos um bom número de competidores, espero que o jogo cause uma nova animação pra todos.

RP: Você vive bem a nossa realidade, e viu um pouco da organização de um grande torneio, além de ter conhecido grandes Top Players que estão constantemente nos grandes eventos, como Daigo, PR Rog, Ricky Ortiz, Justin Wong e outros. O que você conseguiu ver de diferença entre as realidades que são possíveis de fazermos por aqui?

ChuChu: Como sempre digo, o grande diferencial de lá são patrocínios, lá eles têm bastante, aqui não temos, ponto final.

RP: Quem vive na cena competitiva, e quem busca informações, constantemente vê comentários sobre o Online não ser bom para desenvolvimento. Você luta muito offline, e foi para a Capcom Cup via classificação dos torneios online, qual a sua opinião e conselho para quem tem apenas o modo online para desenvolver seu jogo?

ChuChu: Online é muito bom para crescer como jogador, eu mesmo melhorei bastante depois do online e já vi e vejo muita gente assim, acontece que o online tem que saber ser aproveitado, por isso que muita gente não consegue melhorar e mal joga online, porque não sabe aproveitar bem as utilidades desse modo. A dica que eu tenho é que você tem que ser dedicado e mente aberta, derrotas sempre virão, por causa de lag, por causa do online, por que você é ruim ou seu oponente é muito bom, cabe a cada um ter o pensamento correto perante a cada “tipo de derrota” e saber aproveitar isso como aprendizado sempre.

RP: Quando você recebeu patrocínio, e a coisa ficou mais séria, como foi essa realidade para você? Houve alguma resistência por parte de seus pais, quando você chegou com a notícia que ia ganhar jogando videogame?

ChuChu: Não tive interferência de ninguém, até porque eu nem ganho salário jogando nem nada, por isso não me considero um “pro player” meu patrocínio arca com todas as despesas que tenho para jogar, mas não sou pago por isso nem nada parecido.

RP: ChuChu, agradeço sua atenção e o tempo reservado para falar conosco, qual mensagem você deixa para nossos leitores que querem começar a jogar Street Fighter ou outros jogos de luta, de forma mais séria, e onde o pessoal te encontra na internet?

ChuChu: Ah, se você quer começar a jogar competitivamente, tenha em mente que exige muito treino e dedicação, você vai apanhar MUITO antes de começar a melhorar seu nível, mas isso é completamente normal, todos começamos assim, todo mundo começa de baixo, certo? De qualquer maneira, se você quer aprender sobre SFIV, especificamente, acesse meu canal do YouTube, montei vários tutoriais sobre o jogo, ou pode falar comigo através das minhas redes sociais.
Youtube: www.youtube.com/cnbchuchu
Facebook: www.facebook.com/cnbchuchu
Twitter: www.twitter.com/cnbchuchu
Em breve teremos uma entrevista com Guilherme Sarda, outro personagem conhecido na cena competitiva no Brasil. Aguardem.

Now, fight your rival! 


Como podemos ver, a cena no Brasil vem em uma crescente com as participações dos nossos guerreiros no EVO e na Capcom Cup. Mesmo que haja um momento de transição nos entendimentos da cena, temos novos torneios e pequenos campeonatos para chamar mais espectadores e jogadores, como o Invitational realizado pelo CNB ChuChu nos dias 21-2 e 7-3.

Não está convencido a praticar seu estilo de luta? Nos últimos anos, o EVO vem numa crescente alta com os torneios de Street Fighter como cereja do bolo, além do surgimento da Capcom Cup que este ano dará U$500.000,00 em prêmios. Em 2013 Infiltration levou a competição e ganhou um carro pela edição comemorativa do torneio pelos 25 anos da série.

Lutando por umas moedas
Claro que o cenário competitivo é uma realidade cada vez mais presente no Brasil, como vimos até aqui. Mas nem sempre de grandes cifras e torneios em ginásios lotados foi feito nosso competitivo. Durante as décadas de 1990, por exemplo, a pancadaria rolava solta nas locadoras e fliperamas dos bairros. Campeonatos e rivalidades pessoais tomavam conta das disputas. Queria ver o lugar pegar fogo? Bastava colocar uma ficha na máquina quando aquele cara metido a malandro estava jogando. A disputa parava o fliper e o vencedor levava glória e umas moedas da aposta pra casa — bons tempos.

Vencer o EVO além de garantir um bom prêmio em dinheiro, ajuda com outras receitas, devido à exposição que você receberá, conseguindo patrocinadores para seu controle e até entrar para algum time. Não custa sonhar e tentar entrar para o time Mad Catz.
As ferramentas da arte: Fighting Pad e Arcade Stick
Outro efeito da exposição monstruosa que você ganha, se reflete nos números de seguidores conquistados, seja para redes sociais para te acompanharem, ou te ajudarem na audiência do streaming.

Com as devidas proporções, se dedicar a um jogo de luta nos leva a uma disciplina e concentração, similar às adquiridas com a prática de artes marciais. Ser um jogador sério requer um corpo completo e não apenas habilidade com o controle.

Ryu pronto para soltar seu Hadouken em Street Fighter V
Agora que você conhece o principal caminho para as glórias como lutador de rua, chegou a hora de começarmos a treinar. Na ausência de Street Fighter IV, pegue sua versão disponível do jogo e comece a entender pequenas noções como dominio do espaço e resposta certa ao movimento do adversário (punição, como o exemplo do Shoryuken). As mecânicas de SF continuam com o tempo, e aprendemos as novidades de cada versão, sem deixar de lado nossa bagagem do jogo. A quinta versão está batendo na nossa porta, e o clássico Super Street Fighter II e suas variações ainda nos ensinam muita coisa para melhorarmos no SF3 e no USF4. Em breve começamos o nosso treinamento.

Street Fighter sempre transformou a forma como os jogo de luta são, ou podem ser. Quais as suas experiências com a franquia e como foi seu primeiro contato com esse universo?

Revisão: Alan Murilo
Capa: Felipe Araujo
Colaborador: Italo Chianca

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Escrevemos sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0 - você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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