Discussão

Hype (o que é, como surge)

Quando algo surpreende, é bom. E quando algo que deveria surpreender acaba frustrando?

Hoje pretendo abrir uma discussão sobre como somos influenciados pela mídia e pelo alvoroço do público quando algo mais esperado é anunciado.




Esse sentimento que mistura ansiedade e expectativa, muito explorado em nosso ramo, é bom para manter o acesso dos sites alto e contínuo. Mas, por outro lado é péssimo quando a realidade não supera a expectativa, o que gera frustração para todos (incluindo para nós jornalistas, por criar uma expectativa muito além do resultado gerado).

O bom (hype), o mau (hype) e o (hype) feio

Mas o que é hype? Segundo o Wikipedia, o termo se originou do termo hipérbole, mas não há referências da onde o autor tirou este fato. O Urban Dictionary complementa o artigo, colocando o hype como um termo usado por publicitários e marqueteiros quando algum produto é altamente procurado pelo público. Faz sentido.

Na época dos analógicos, dos 16-bit e dos sopros de cartuchos, senti o hype pela primeira vez na vida quando anunciaram Sonic & Knuckles, do Mega Drive. A primeira coisa que me chamou a atenção na continuação de Sonic 3 foi o cartucho:


Parecia o Game Genie, com uma saída na parte de cima para se colocar mais um cartucho. Lembro que comecei a ficar super ansioso pelo jogo quando li um artigo explicando tudo sobre o próximo grande lançamento da SEGA na saudosa revista Ação Games, e aprendi que aquela saída do cartuchão de S&K aceitava todas as fitas da franquia Sonic já lançados no Mega Drive: Sonic, Sonic 2 e Sonic 3 e todos traziam um gameplay diferente. Aquilo, jovens leitores, era um milagre da tecnologia gamer. Para o Diego de 12 anos, a coisa mais incrível depois da chegada do homem à Lua.

Naquele tempo também havia a questão política e econômica do país. Games e videogames eram coisa de criança abastada que o pai trazia quando viajava para fora. Um lançamento levava bem mais de um mês para surgir nas lojas e locadoras nas vias normais (nas vias “alternativas”, levava menos, mas o preço era absurdamente caro). A única locadora de games que ficava perto de casa conseguiu a fita no mesmo mês do lançamento, mas eles não estavam contando com a imensa demanda. Compraram um único cartucho, e quando finalmente me avisaram que o jogo estava disponível, tinham se passado uns três meses de angústia. Até lá  já tinha dado “meus pulos”.
 

E quando finalmente consegui jogar, o hype foi justificado. O jogo é referência até hoje de inovação e qualidade, e a SEGA demorou muito para conseguir se superar (Sonic 4 não foi, nem de longe, uma boa sequência).

Também há o outro lado da expectativa. Aquilo que sentimos quando uma empresa anuncia uma sequência de filme ou jogo, e depois de meses (ou anos) de espera, temos algo totalmente diferente nas mãos. E a chuva de críticas chega a machucar.

Quando hype frustra

Senti isso quando joguei o New Super Mario Bros. 2 para o 3DS. Claro, eu sabia que iria jogar mais um Super Mario, mas este conseguiu chover no meu desfile. O jogo é praticamente a mesma coisa dos outros New Super Mario Bros. para DS e Wii. Me senti ainda mais ofendido quando escutei as mesmas músicas que já havia ouvido nos títulos anteriores, sem nenhuma mixagem para disfarçar a vergonha. Sinceramente, aquilo foi um desperdício de tempo e de franquia.

Claro, Diego. Mario é Mario. Sempre vai ser a mesma coisa, você deveria amar Mario por isso. VIVA MARIO”, deve estar pensando o leitor nintendista. De fato, não sei por que aquele jogo me incomodou tanto.


Vítimas do hype: fãs japoneses aguardando o lançamento de Smash Bros for 3DS.

Eu sabia que iria ver um encanador bigodudo. Sabia que seriam oito castelos, oito chefões, um Bowser no final, salvar a princesa. Estranho seria se não houvesse essa fórmula. Mas e as novidades? Não vi a justificativa para o jogo existir. Para mim, são só algumas fases extras do Mario, com uma pincelada nova ali e aqui. Porém continua sendo a mesma coisa. Obviamente isso é uma opinião (sei que vão me crucificar por isso), e sei que Mario ainda é um sucesso de vendas, sempre. Por que é Mario. Quem não gosta do Mario?

Por outro lado, temos o novo Smash Bros. O jogo é excelente! Mas isso não o torna imune a críticas. A falta de um modo história e os "clones" foram alguns aspectos que me incomodaram (sem falar da ausência do Snake, meu favorito no Brawl). Mas nada que desmereça todo o crédito que o tão esperado título está recebendo.

Assim como o New Super Mario Bros. 2, há trillhas que já apareceram nos outros jogos. Há clones, há mapas iguais. Por que então não sentimos a mesma coisa?

E é aqui que passo a bola para vocês. O que acham destas expectativas criadas? O que já os decepcionou e o que superou seus mais insanos hypes? Por que alguns jogos muito esperados nos decepcionam, e outros, mesmo sendo quase iguais, nos deixam de bigode arrepiado?

Revisão: Leonardo Nazareth
Capa:

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original.


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