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Em Assassin's Creed, o mar pertence ao Gralha, navio pirata de Cap. Kenway

Solte as velas, prepare os canhões e limpe a proa, marujo! Conheça Gralha, o navio pirata de Edward Kenway em Assassin’s Creed IV - Black Flag (Multi).

Um dos pontos altos de Assassin’s Creed IV - Black Flag são as lutas e explorações marítimas, as quais você comanda, na maior parte do jogo, através do navio que fez história junto ao Capitão Edward Kenway. O Gralha, como fora batizado pelo pirata assassino, tem uma grande relevância no jogo e o diferencial de crescer junto com o protagonista da história. De brigue espanhol destroçado a lenda viva, esse monte de madeira flutuante ganhou os mares enfrentando frotas reais, mercenários caçadores de piratas, templários e até os navios lendários. Ele tem muitas histórias cravadas em seus mastros, velas e canhões; vamos saber um pouco mais sobre elas agora.
CUIDADO: O texto a seguir pode conter spoilers para quem não jogou Assassin's Creed IV - Black Flag até o fim. Leia por sua conta e risco.

 O rapto de El Dorado

Toda história tem um começo, e a do Gralha foi antes dele ter esse nome. El Dorado era um brigue espanhol do século XVIII, parte de uma frota que levava prisioneiros para o novo mundo. Em um dos navios dessa frota, como prisioneiro, estava Edward Kenway. Fazendo uma manobra muito audaciosa Kenway, com a ajuda de outro prisioneiro, Adéwalé, liberta várias pessoas e começa o motim em um dos navios. Fugindo, eles passam de navio em navio através da frota até chegar no mais distante, El Dorado. Após uma fantástica luta, dominam a embarcação e fogem até uma tempestade, para escapar da frota que os bombardeava.

Com o incrível domínio da tripulação por Adéwalé e a destreza no timão de Kenway eles são os únicos sobreviventes da tempestade. Enfim seguros,, decidem transformar Kenway em capitão do navio e Adéwalé em seu primeiro imediato. Capitão Kenway rebatiza o navio como Gralha, por causa das aves que eram muito comuns em sua terra natal e também pelo fato da cor preta ser o símbolo da pirataria.

Assim, em 30 de Julho de 1715, o Gralha parte para Nassau, uma grande ilha pirata da época, em busca de mantimentos e reparos. Essa foi  sua primeira viagem sob a bandeira negra da pirataria.

Uma saga pelas Índias Ocidentais

Não é exagero dizer que o Gralha desbravou todo o território das Índias Ocidentais. Começando por cidades e ilhas próximas a Nassau, o navio de Kenway rapidamente ganhou os mares da região. Com quase 50 metros de altura e 60 de comprimento, a embarcação fez inimigos e aliados a cada porto que passava.

O ato considerado pioneiro no ramo da pirataria em alto-mar foi perto de Nassau, quando o capitão Benjamin Hornigold, aliado de Kenway na época, ensinou ao pirata a melhor forma de atirar com os seus canhões. Logo depois, ele foi usado para transportar Kenway até Cat Island e saquear uma plantação, sendo perseguido pela fragata espanhola El Arca del Maestro através das Bahamas até chegar em Great Inagua. Já na ilha, Kenway se infiltrou no casarão e matou seu dono, o templário francês Julien du Casse. Dessa forma, o capitão do Gralha tomou o lugar para si e o transformou em sua base de operações. Entre 1715 e 1722 não era incomum ver o Gralha ancorado nas docas da ilha.

Com a fama crescendo e uma base já estabelecida, Kenway guiou o Gralha pelos mares esbarrando em um antigo território conhecido como Tulum, onde os membros da tripulação foram aprisionados por Laurens Prins. Kenway os libertou e eles voltaram ao mar. Tulum era lar dos Assassinos, grupo que Kenway integraria posteriormente.

De volta à capital dos piratas, a tripulação do Gralha notou que Nassau estava em decadência e sob uma epidemia. O que fez o Capitão Kenway equipar o Gralha com um sino de mergulho para fins exploratórios. Assim, ele poderia mergulhar em águas profundas buscando entre náufragos medicamentos para serem usados na cidade pirata.



Algum tempo depois, Nassau foi dominada pela marinha britânica. Os únicos navios que escaparam do bloqueio foram Ranger, de Charles Vane, e claro, o Gralha. Entretanto, logo em seguida os dois foram emboscados pela Marinha Real e separaram-se. O reencontro dos aliados foi na Jamaica, certo tempo depois. Supostamente Vane queria ajudar Jack Rackham a roubar o navio de Bartholomew Roberts, mas tudo na verdade era uma armadilha para Kenway. Rackham fez um motim e dominou o Gralha, soltando seu antigo capitão em uma ilha chamada Isla de Providencia para morrer no melhor estilo “Piratas do Caribe”. Rackham comandou o navio entre Novembro de 1718 e Janeiro do ano seguinte.
Jack Rackham e Charles Vane respectivamente, os piores amigos que alguém poderia ter.

Kenway conseguiu retornar, com muito custo, para Great Inagua, onde Adéwalé e a aliada Mary Read tinham tomado o Gralha de volta de Rackham. Assim o Gralha, novamente sob comando de Kenway, rumou para Príncipe, onde Roberts havia montado base. Depois de tirar Roberts de seu esconderijo, eles seguiram para a costa do México, onde se lutaram contra uma frota portuguêsa antes de embarcar rumo ao Observatório, um local místico que era o último objetivo de Kenway.

No Observatório Roberts, mais uma vez, traiu Edward e Adewale, com a tripulação ao seu lado, fugindo do local. Quase um ano depois, Kenway reencontrou Adéwalé em Kingston e o imediato discordou dos planos do capitão, negando sua participação nos mesmos. Adéwalé acabou se juntando à Ordem dos Assassinos e, por sugestão dele, Edward também. Dessa forma, o Gralha ganhou outra bandeira, com o emblema dos Assassinos, e uma nova primeira imediata, Anne Bonny, amiga fiel de Mary Read e Kenway.
A combinação da bandeira pirata tradicional e o símbolo clássico da Ordem dos Assassinos.

Edward e Anne, com o Gralha a todo pano,  partiram para Kingston para eliminar Rogers. Por sua vez, o canalha revelou que Roberts havia retornado para Príncipe, para onde o Gralha foi até lá rapidamente, travando uma grande batalha contra Royal Fortune, o navio de Roberts, além de uma frota espanhola inteira. De forma brilhante, Kenway conseguiu matar Roberts e recuperar a caveira de cristal do Observatório.

O Gralha em seguida, fez uma última viagem de volta a Great Inagua, onde Edward finalmente se aposentou da pirataria, pois havia acabado de descobrir que possuía uma filha, Jennifer Scott. Em 1722, os dois navegaram o Gralha pela última vez através do Atlântico rumo a Londres, onde o ex-pirata viveria até o fim de sua vida.

Não existe muita informação a respeito do Gralha depois disso. Só o que se sabe é que entre 1722 e 1735 o navio voltou de Londres para as Índias Ocidentais e afundou na costa em circunstâncias desconhecidas.
O que restou do Gralha... O que será que aconteceu?

Acima de tudo, um guerreiro dos mares

Ao longo dos seus 60 metros de comprimento, o Gralha chegou a ser equipado com incríveis 50 canhões (senho 4 desses giratórios). Além disso, suas 26 velas garantiam uma velocidade incrível e os canhões frontais destruíam qualquer obstáculo que estivesse no seu caminho. Como se não bastasse, barris de pólvora poderiam ser arremessados ao mar para explodir perseguidores e morteiros atingiam facilmente alvos à distância.

Esse guerreiro dos Mares Ocidentais foi palco de grandes batalhas além do já citado épico embate contra o Royal Fortune. O cerco ao Barba Negra foi um dos principais, onde o próprio pirata lendário lutou ao lado de Edward Kenway contra todo um exército de soldados e acabou morrendo. Além disso, o navio sozinho desarmou e destruiu todas as fortalezas navais do Caribe na época e afundou cinco navios lendários que vagavam pelo Mar do Caribe: El Impoluto, os navios gêmeos HMS Destemido e Royal Sovereign, La Dama Negra e HMS Príncipe.
La Dama Negra foi um dos maiores desafios enfrentados pelo Gralha. Esse navio lendário era simplesmente invulnerável nas laterais! 

Um incrível e invencível navio que teve um fim misterioso. O Gralha foi um grande e inesquecível item em Assassin’s Creed IV - Black Flag. Com ele conseguimos explorar todo o território das Índias Ocidentais e travar batalhas épicas com incontáveis inimigos. Além disso, toda a mecânica de controle de veículos aquáticos (principalmente os antigos) nunca mais será a mesma graças a fluidez dos comandos criada de forma brilhante pela Ubisoft. A saga de Black Flag acabou, e Unity está cada vez mais próximo. Entretanto, quem jogou o quarto capítulo da franquia, levará para sempre as incríveis lembranças das explorações e batalhas no convés do Gralha.

Revisor: Bruna Lima
Capa: Diego Migueis

Gilson Peres é Psicólogo e Mestre em Comunicação pela UFJF. Está no Blast desde 2014 e começou sua vida gamer bem cedo no NES. Atualmente divide seu tempo entre games de sobrevivência e a realidade virtual.


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