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Análise: The Last Door (PC) envolve o jogador em um conto de terror pixelado

Conheça uma história macabra sobre o mal e leve alguns sustos.

Os últimos séculos foram períodos em que diversos gênios da literatura mundial surgiram. Dentre os gêneros que mais se destacaram, o terror foi um deles. Já se imaginou mergulhado em uma história de Edgar Allan Poe, em que cada passo era um calafrio na espinha? Ou quem sabe em um conto tenebroso de H. P. Lovecraft, em que o mais inesperado sempre podia acontecer? Junte todo esse clima de terror ao mundo eletrônico e a uma história envolvente e prepare-se para descobrir os mistérios de The Last Door (e também levar alguns bons sustos).

Malum in se

Tha Last Door é um game com um visual simples que poderia ter sido editado com um simples programa de imagens digitais sólidas.Felizmente, ele é mais um dos casos no mundo eletrônico de “não julge um jogo pelos seus gráficos”. Apesar do visual totalmente pixelado e de baixa resolução, em questão de poucos minutos de gameplay, o jogador percebe que aquilo que menos interessa nele é seu visual. Uma boa história não precisa de uma bela capa para ser lida, mas de um escrito que saiba emocionar com as palavras.

O game é do estilo aventura point ‘n click (se você já conhece games como Deponia, a mecânica é muito similar). Para progredir na história, é necessário investigar cenários e objetos a sua volta, coletando certos itens e fazendo até combinações entre eles para resolver vários tipos de mistérios e puzzles. O jogador encarna o jovem Jeremiah Devitt, um jovem britânico do século XIX que se vê mergulhado em uma trama assustadora que envolve memórias de seu passado e um segredo cruel.

É surpreendente como ao longo do gameplay é fácil se esquecer que se está em um game. Apesar de ter que utilizar o mouse para se mover e interagir com o ambiente, o jogador se comunica com tantos personagens, lê tantas cartas, e faz comentários para si mesmo sobre cada aspecto que observa (de uma forma profunda e quase poética) que você se sente dentro de um livro. A sensação de que o jogo que está conduzindo você, e não ao contrário, é um mérito que poucos títulos possuem, e The Last Door merece aplausos por conseguir realizar essa façanha sem nem mesmo o jogador perceber.

No entanto, mesmo estando completamente envolvido em uma história, isso não impede que coisas inesperadas ocorram e o game dá belos sustos no jogador. Tudo bem, a ocorrência desses “miniataques cardíacos” é algo muito comum em games de terror, um elemento praticamente obrigatório. A questão é que, sutilmente, The Last Door leva esses momentos de sustos a um nível além, a uma camada onde se pode perceber algo realmente maléfico vindo das entranhas da história. Não menospreze a trama do game. Por mais clichê que as histórias em que Jeremiah se envolve possam parecer, nunca duvide da densidade delas. Como citado no ínicio desse trecho da matéria, esteja sempre atento ao seu redor, pois “Malum in se”: “O mal em si mesmo” habita o universo do game.

E no fim de tudo… Escuridão!

Definitavemente, se fosse necessário definir The Last Door em apenas uma palavra, “Escuridão” seria a melhor escolha. E não porque o game seja escuro, muito pelo contrário. Os cenários são ricamente detalhados e bem iluminados, apesar de ser fácil se confundir com algum objeto ou forma. A verdade é que o clima do game é extremamente lúgubre e mórbido, duas sensações que vão se construindo aos poucos através dos quatro episódios em que a trama se desenrola. Sentimentos de desespero, ansiedade e uma total falta de esperança tomam tanto o personagem e o jogador à medida que se descobre que a maldade pode ser o abismo mais escuro da humanidade. E que, acima de tudo, existem certas "portas" que jamais deveriam ser abertas.

The Last Door é uma obra-prima do mundo dos games do estilo terror que homenageia grandes gênios literários como Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft . Com um visual e mecânica de jogabilidade simples, o título convida o jogador a entrar em um mundo sombrio que parece saído das páginas de um romance tenebroso do século XIX. Junte a esses ingredientes uma trilha sonora clássica e cheia de acordes lancinantes ao ouvido e à alma (e que muito bem poderiam acompanhar um filme de Hitchcock) e você tem um game que em apenas poucas horas consegue deixar uma marca na memória do jogador. Além de algumas noites sem dormir, claro.


O game termina de uma forma surpreendentemente macabra e, mesmo assim, consegue atiçar a mente do jogador em buscas de respostas. Os produtores de The Last Door já confirmaram uma segunda temporada do game que está atualmente em desenvolvimento.

Prós

  • Trama de mistério clássico bem elaborada;
  • História e personagens envolventes,
  • Uma bela trilha sonora de gelar a espinha.

Contras

  • O visual pixelado pode atrapalhar na hora de identificar detalhes;
  • Alguns puzzles chegam a ser simples demais.


 The Last Door - PC - Nota: 8.0
Revisão: Vitor Tibério
Capa: Doug Fernandes

Escreve para o GameBlast sob a licença Creative Commons BY-SA 3.0. Você pode usar e compartilhar este conteúdo desde que credite o autor e veículo original do mesmo.

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