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Análise: Sam & Max: The Devil's Playhouse (PC) é uma aventura mental

Junte um cachorro detetive, um coelho com poderes psíquicos e brinquedos cheios de poder e tenha The Devil’s Playhouse, um dos melhores jogos da Telltale.

O que se precisa para ter uma grande aventura? Que tal um cachorro gordo de paletó que se acha o maior detetive do mundo, um coelho branco maluco com poderes psíquicos, alguns brinquedos capazes de dar os poderes mais estranhos do universo e todas as reviravoltas possíveis em uma trama sem sentido algum? Possivelmente você não pensou nesta combinação (eu realmente espero que não), mas Sam & Max: The Devil’s Playhouse é um título capaz de mostrar que tudo isso pode se tornar uma das histórias mais engraçadas que você já vai jogar em um adventure.

Uma história incrivelmente interessante

The Devil’s Playhouse é o jogo que fecha a trilogia de Sam e Max (o cachorro e o coelho que me referi, respectivamente); logo, você é apresentado a vários personagens já conhecidos da franquia, como Stinky, Grandpa Stinky, Momma Bosco, C.O.P.S., Superball, Flint Paper, e outros totalmente novos, como o gorila espacial Skun-ka’pe, o mago Papierwaite, a barata gigante Sal e o deus Yog-Soggoth. Mesmo que você não tenha jogado os anteriores, logo entenderá a personalidade dos veteranos; não há perca no entendimento da história, exceto por algumas referências puramente nostálgicas a episódios passados.

A trama gira em torno dos Toys of Power, brinquedos provenientes da Devil’s Toybox, que, por acidente, acabaram caindo na nossa dimensão e espalhados pelo universo. Eles, na mente de certas pessoas (como Max), dão poderes psíquicos aos seus portadores, como teletransporte, metamorfose e visão do futuro. A graça começa aqui: todos eles são brinquedos relativamente comuns. Afinal, quando você imaginaria que cartas de baralho fariam você ler mentes ou uma marionete dar a possibilidade de fazer ventriloquismo?


A graça começa nos brinquedos, mas se prolonga por todo o resto do jogo. O humor faz parte da essência da franquia e é o prato principal de The Devil’s Playhouse. Dentro da construção da própria trama, da resolução dos puzzles e, na maioria das vezes, pelos hilários diálogos (com carinho especial à ironia politicamente incorreta de Max), você vai se divertir com certeza. Some isto a doses altíssimas de non-sense e temos um prato cheio para os amantes da comédia.

O jogo é dividido em cinco episódios (The Penal Zone, The Tomb of Sammun-Mak, They Stole Max’s Brain!, Beyond the Alley of the Dolls e The City That Dares Not Sleep) e, assim como em Back to the Future: The Game, não é necessário que as partes anteriores estejam instaladas no computador para jogar. Se você também tem problemas com espaço no HD ou é impaciente e tem uma internet lenta, seus problemas foram amenizados.

Brincadeira de criança

A jogabilidade flui bem na maioria das vezes, com alguns problemas apenas na movimentação dos personagens, que se complica devido a grande mudança de perspectiva em alguns momentos. Em contrapartida, o título tem compatibilidade total e automática com o controle (assumindo uma configuração de botões parecida com a versão do jogo para PS3) e a utilização dos Toys of Power é bem intuitiva e muito bem aproveitada na resolução da maioria dos puzzles.

Falando neles, até o querido Molejão já sabia bem como é bom brincar. Já comentei sobre a simplicidade dos poderosos brinquedos que Max controla durante a aventura, mas o melhor é a forma como eles fazem você pensar para resolver os desafios. O telefone de plástico te permite teletransporte, mas apenas para o lugar onde você tenha o número de telefone; isto lhe leva a sempre pensar onde está o celular de determinado personagem, por exemplo.

O segundo episódio, em especial, traz o Astral Projection como Toy of Power principal. Ele é um verdadeiro projetor em que você pode alterar as falas e comportamentos das projeções, além de poder começar a ver o “filme” pelo final para obter determinadas informações. A forma como os brinquedos são utilizados são um dos pontos altos de Devil’s Playhouse e, talvez, a parte mais interessante da jogabilidade do título.

Uma atmosfera sob medida

O visual do jogo é muito bonito dentro de sua proposta, se apresentando como um desenho interativo de Sábado Animado. Alguns personagens, como os próprios Sam e Max, têm uma feição bem simples, mas que cumprem o seu propósito. Tudo é bem equilibrado, os cenários são cheios de detalhes, muitos deles fundamentais ao prosseguimento da história.


A trilha sonora é muito rica, tendo uma grande presença das músicas dos filmes de detetive nos ambientes da cidade e de melodias egípcias, graças a grande influência do Egito Antigo na trama do jogo. A dublagem é uma beleza a parte, feita especialmente para dar vida ao aspecto cômico da história e do universo de Sam & Max. O único erro da Telltale foi deixar a música muito alta em várias passagens, impedindo assim, mesmo com várias configurações, ouvir as falas completamente.

A caixa de brinquedos do cara lá de baixo

Se você procura um adventure com uma trama interessante, cheia de idas, vindas e surpresas, Sam & Max podem estar precisando de você. Se você procura um jogo com uma jogabilidade diferenciada e puzzles criativos, os Toys of Power te esperam. Entretanto, se você só quer dar risada ou quer jogar um ótimo título, The Devil’s Playhouse é, sem dúvida, uma ótima pedida. O que você está esperando para salvar o universo com a Freelance Police?

Prós

  • Trama cheia de surpresas e reviravoltas;
  • Altas doses de non-sense e comédia;
  • Jogabilidade criativa, com destaque para os Toys of Power;
  • Divisão em episódios, sem a necessidade de instalar os anteriores;
  • Visual bonito e trilha sonora que acrescenta ao pacote;
  • Dublagem hilária;
  • Suporte total e automática a controles.

Contras

  • Movimentação de personagens que atrapalha em certos momentos;
  • Música se sobrepõe a voz em várias passagens, atrapalhando o entendimento.
Sam & Max: The Devil’s Playhouse - PC - Nota: 9,5 
Capa: Vitor Nascimento 

Cientista da computação em formação pela USP São Carlos, sempre encontra tempo para falar sobre jogos, tecnologia, viagens no tempo e outras loucuras. Desenvolve jogos, aprecia chocotones, escreve para o Deviante e faz piadas ruins em seu Twitter (pode ser que tenham coisas legais também).

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