Blast from Japan

Desbrave o fantástico mundo de Tales of Phantasia (Multi), o primeiro título da amada série de JRPGs "Tales of"

Uma das características mais marcantes dos RPGs japoneses (JRPGs) nas eras 8-bit e 16-bit eram os combates por turnos. Títulos como Dragon... (por Farley Santos em 13/01/2014, via GameBlast)

Uma das características mais marcantes dos RPGs japoneses (JRPGs) nas eras 8-bit e 16-bit eram os combates por turnos. Títulos como Dragon Quest, Final Fantasy e Breath of Fire apresentavam batalhas estáticas nas quais inimigos e aliados executavam ações individualmente e de maneira assíncrona. Alguns jogos experimentaram sistemas de combate diferenciados, focados na ação, mas poucos conseguiram se destacar. Mas isso mudou com o lançamento de Tales of Phantasia: o RPG, lançado no fim da vida do SNES, apresentou um dinâmico sistema de batalha em tempo real, e foi o ponto de partida para a popular série “Tales of”.

Lançado em dezembro de 1995 no Japão para o SNES, Tales of Phantasia foi um grande destaque tecnológico para a época. O título apresentava gráficos incríveis para os padrões do console, diálogos dublados e até mesmo uma música de abertura cantada. Foi necessário utilizar um cartucho de 48 megabits para acomodar o jogo. Tales of Phantasia recebeu inúmeras adaptações e remakes, e serve até hoje de forte inspiração para os novos títulos da série.

Um ser maligno que transcende o tempo

O mundo de Aselia passava por tempos difíceis. Dhaos, um feiticeiro de origem desconhecida, declarou guerra aos humanos e estava empenhado em destruir completamente a humanidade. Quatro heróis desconhecidos decidiram enfrentar Dhaos. Após uma batalha ferrenha, o grupo finalmente consegue sobrepujar o feiticeiro. Eles só não contavam com a ousadia do ser maligno: com a pouca energia que lhe restava, Dhaos escapa para o futuro através de uma fenda no tempo. Ao sair do portal temporal, o vilão é surpreendido por quatro novos heróis, descendentes dos indivíduos que o confrontaram anteriormente. O grupo aproveita o estado de fraqueza de Dhaos para selá-lo com um par de pingentes, trazendo, enfim, paz para o mundo.


Alguns anos depois, o espadachim Cless Alvein e seu melhor amigo Chester Barklight vivem tranquilamente na vila de Toltus. Um dia a dupla sai para caçar e, ao retornar, eles encontram sua vila natal completamente destruída e seus habitantes mortos. O feito terrível é obra de Mars, um feiticeiro negro. Cless jura vingança e decide pedir ajuda para seu tio, que mora em uma cidade próxima. Infelizmente, o parente é aliado de Mars e prende o espadachim. No processo Cless tem um pingente tomado, que era a única relíquia de seus pais mortos.


Na prisão o rapaz conhece Mint Adenade, que também teve seu pingente tomado. Os dois se aliam e conseguem escapar do cárcere. Em liberdade, eles encontram Chester e o grupo visita Trinicus D. Morrison, um dos quatro heróis que selou Dhaos. Ele revela que os pais de Cless e Mint também faziam parte do grupo que prendeu o feiticeiro e que a real intenção de Mars é quebrar o selo com a ajuda dos pingentes, libertando novamente o vilão. Todos eles partem para o mausoléu no qual Dhaos está confinado, mas chegam tarde demais: o feitiço já tinha sido desfeito. Temendo não ser possível enfrentar o feiticeiro em seu estado de poder total, Trinicus tenta enviar Cless, Chester e Mint para o pasado, para que eles tentem descobrir uma maneira de derrotar Dhaos. Algo dá errado e somente Cless e Mint passam pela fenda temporal. Sem outra escolha, a dupla parte em uma jornada para adquirir meios de derrotar Dhaos.

Sistema de combate ímpar

Como todo bom JRPG, Tales of Phantasia se divide em momentos de exploração e combate. Andar pelas cidades e cenários não tem nada de mais: a ação se resume em conversar com pessoas, resolver puzzles simples e abrir baús contendo itens. Em momentos importantes da trama, os diálogos eram dublados, algo impressionante para a época e para os padrões do SNES. Mas foi nos confrontos que a jogabilidade de Phantasia se destacou. O sistema de batalha, de nome Linear Motion Battle System (LMBS), misturou conceitos de RPGs e de jogos de luta. O resultado foi um combate único, frenético e divertido.


O sistema de batalha de Tales of Phantasia acontece em um plano de duas dimensões e é em tempo real. O jogador controla diretamente Cless, enquanto a inteligência artificial rege os outros membros do grupo. Cada botão tem uma função específica: o botão A executa ataques básicos com a arma equipada, B desfere técnicas especiais, Y é utilizado para escolher o alvo e X exibe um menu por meio do qual é possível usar itens e feitiços dos aliados. O comportamento dos outros membros do grupo pode ser personalizado em um menu fora das batalhas.


O combate é rápido e exige bons reflexos. Mas não pense que tudo é resumido a apertar botões freneticamente: cada inimigo tem fraquezas e padrões de ataques distintos, logo, para ser vitorioso, você precisará de uma boa dose de estratégia combinada com destreza. O título oferece modos alternativos de controle: o Semi-Auto faz com que Cless corra automaticamente em direção ao inimigo para desferir os ataques, já no modo Manual o controle sobre o posicionamento fica a cargo do jogador. Existe até um item especial que permite que as técnicas especiais sejam desferidas por meio de sequências de comandos, como em jogos de luta. Esse sistema de batalha foi reutilizado e refinado nos jogos seguintes, tornando-se uma das principais características da série.

Contos recontados

Tales of Phantasia recebeu inúmeros remakes, confira a seguir todos os lançamentos:
  • Tales of Phantasia (PlayStation, 1998): Aproveitando o poder de processamento do PlayStation, este remake apresentou visual e som melhorados — sendo um exemplo de otimização o mapa do mundo completamente poligonal. Uma nova abertura, completamente animada, substituiu a original de SNES. Inúmeras missões extras, itens e feitiços foram adicionados. Ajustes na jogabilidade também foram feitos, como a possibilidade de controlar qualquer membro do grupo nas batalhas. Por fim, foi introduzida uma nova personagem controlável: a ninja Suzu Fujibayashi;
  • Tales of Phantasia (GBA, 2003 no Japão, 2006 na América): A versão para GBA combina características das versões para SNES e PlayStation. Enquanto os gráficos da batalha foram baseados no remake de 1998, o visual das sessões de exploração vieram do original de SNES. O sistema de batalha ficou um pouco mais lento e o título recebeu algumas missões extras exclusivas. Esta é também a única versão do jogo que foi oficialmente localizada e lançada no Ocidente, em 2006. A tradução foi duramente criticada por conta de inúmeros erros;
"Ragnarok" virou "Kangaroo" na localização da versão de GBA
  • Tales of Phantasia: Full Voice Edition (PSP, 2006): A principal novidade da reedição de Tales of Phantasia para PSP foi a adição de dublagem a todos os eventos da trama, como o nome implica. Foi adicionado também o Grade Shop, tradicional recurso da série no qual é possível trocar pontos por vantagens para partidas futuras. O visual dos personagens nas batalhas foi alterado para proporções mais realistas;
  • Tales of Phantasia Mobile (celulares, 2010): Adaptação da versão de GBA para celulares japoneses;
  • Tales of Phantasia: Cross Edition (PSP, 2010): Incluso em Tales of Phantasia: Narikiri Dungeon X (um remake para PSP da continuação lançada originalmente para GBC), Cross Edition é uma versão melhorada de Full Voice Edition. Além de incluir alterações na trama e no sistema de batalha, este título introduziu uma nova personagem jogável de nome Rondoline E. Effenberg;
Rondoline em ação na Cross Edition
  • Tales of Phantasia (iOS, 2013): Adaptação da versão Full Voice Edition para o iOS. Apresenta controles adaptados para telas de toque e suporte ao GameCenter. Seguindo a tendência atual, o aplicativo é grátis, mas repleto de microtransações.

Um legado para o futuro 

Tales of Phantasia é mais um daqueles grandes RPGs de SNES. Sua excelente parte técnica e sistema de batalha inovador impressionaram na época, e o jogo influenciou inúmeros títulos lançados depois. O jogo foi muito bem recebido no Japão, sendo adaptado também para a forma de anime e mangá. Várias versões foram lançadas para outros consoles, que receberam melhorias baseadas em outros títulos da série Tales. Contudo, mesmo com a crescente popularidade da série no Ocidente, infelizmente, somente a versão para GBA — considerada pelos fãs como a pior dentre as adaptações — foi localizada oficialmente até hoje. E vocês, conhecem Tales of Phantasia? Já tiveram a oportunidade de jogar alguma das várias adaptações?

Arte: Douglas Fernandes

Revisão: Samuel Coelho
Capa: Rafael Lam

é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.


  1. Eu só fui conhecer o Tales of Phantasia recentemente, e rapaiz esse game tem ramake's pra caramba e as versões de PSP só tem em japonês?

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