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Análise: Marvel vs. Capcom: Infinite (Multi) — divertido, gratificante e empolgante

Novo jogo da Capcom entrega tudo aquilo que Street Fighter V tentou e não conseguiu em seu lançamento.

Para começo de conversa, eu nunca fui uma jogadora com habilidades incríveis em jogos de luta. No entanto, me lembro de me arriscar nos arcades da vida desde que me entendo por gente, sendo este um estilo de jogos do qual sempre tive uma certa paixão. Afinal, quem não gosta de poder socar umas caras digitalmente por aí? Nesse sentido, me coloquei à disposição para testar o mais novo lançamento Marvel vs. Capcom: Infinite (Multi), que me surpreendeu bastante positivamente.


Comecei no jogo sem saber muito do que esperar, tenho andado em uma fase na qual prefiro me abster de trailers e notícias relacionadas a jogos os quais sei que irei me aventurar para receber o mínimo de spoilers possível. Dessa maneira, ansiosa como eu estava para conhecer o game, resolvi começar diretamente no modo Arcade — e tomei um grande susto.

Falta de habilidade ou de conhecimento?

Na minha primeira luta eu consegui fazer quase nada, não deixei nenhum dos dois oponentes com nem a metade da vida. Selecionei dois personagens mais clichês possíveis de ambos os lados, Ryu e Homem de Ferro, e fui tentar colocar o que eu lembrava de Ultimate Marvel vs. Capcom 3 (Multi) em prática. Toda aquela velocidade e esmaga botões não estão presentes da mesma maneira agora e isso fez toda a diferença para o meu fracasso inicial.

Com isso, comecei a me questionar se Marvel vs. Capcom: Infinite era um jogo para mim, sentindo uma ponta de arrependimento de ter tirado a oportunidade de outra pessoa testar e escrever sobre o game aqui no site. Entretanto, pensei: “Não é possível que não exista uma acessibilidade, um modo mais fácil, uma seleção de dificuldade para quem está começando agora… — rindo de nervoso.” Mas eu realmente procurei nas configurações e não achei onde poderia alterar essas opções inicialmente. Foi então que tive uma ideia de explorar outras possibilidades que o jogo estava tentando me oferecer e parti para o modo Estória — sim, é assim mesmo que este modo é intitulado no game.

Um encontro feliz

Modos história de jogos de luta em geral dificilmente apresentam um enredo sólido e que realmente prenda o jogador de alguma maneira. Marvel vs. Capcom: Infinite me passou exatamente a impressão contrária: o joguei inteiro praticamente no mesmo dia, tamanha foi a minha imersão. Não que a história seja realmente complexa — ela não o é —, mas a maneira como o jogo te a apresenta é bem interessante.

São poucos os períodos em que temos muitas cutscenes seguidas. Mesmo nos momentos em que parece que nada vai acontecer, temos lutas contra alguns robôs genéricos. Alguns jogadores podem achar isso ruim, mas é sempre uma boa aprimorar as técnicas de combate e treinar uns belos combos. Durante este modo controlamos diversos personagens diferentes ao longo do tempo, o que já garante um bom leque de variações e combinações das duplas que o jogo permite. Inclusive, ao longo do modo Estória, o jogo vai introduzindo as mecânicas e ensinando seus modos de combate e como realizar combos. Com isso, o problema inicial que eu tive sobre não saber muito bem como agir durante as lutas foi completamente esgotado e a cada luta fui ficando mais empolgada com tudo que ele estava me apresentando. Porém, cabe ressaltar que a espera entre o final de uma cena e o início de um combate pode levar entre 15 e 20 segundos, o que me incomodou bastante em alguns momentos.

As Joias do Infinito, ponto central de todo o enredo do modo Estória, não passam despercebidas e agregam bastante ao game de modo geral. Os desenvolvedores optaram por incluí-las e retirar um dos personagens, já que nos games anteriores era comum controlarmos três personagens por batalha e não apenas dois. Ao todo são seis joias e cada uma delas apresenta dois efeitos diferentes em combate, um em uma espécie de golpe comum e outro especial, que só pode ser lançado após uma barra ser preenchida — essa barra preenche mais rápido conforme o golpe comum da joia é utilizado.

Além disso, os personagens disponíveis no game vão aparecendo aos poucos, o que também gera todo um clima de tensão sobre qual será o próximo a dar o ar da graça. Ao completar a história do game, qualquer pessoa possuirá conhecimentos suficientes para encarar os outros modos de jogo. Uma ótima maneira que a Capcom encontrou de fazer isso, uma vez que o jogo não apresenta um tutorial inicial logo de cara. Para os jogadores que não estão com vontade de encarar os desafios ao máximo, há uma opção de diminuir a dificuldade da batalha depois de fracassar na mesma — tentar novamente na dificuldade padrão também é possível.

Explorando outros modos

Depois de conhecer os personagens disponíveis em Marvel vs. Capcom: Infinite, a tendência é que o jogador escolha alguns deles para serem os seus principais. É possível melhorar as técnicas com cada um dos personagens através dos desafios presentes no modo Missões, além deste modo também contar com desafios básicos (chamados de Tutorial), que exploram as técnicas inicialmente aprendidas no modo Estória, caso o jogador tenha começado por lá, como eu fiz. No menu de pausa do modo Missões é possível acessar a lista de comandos do personagem que estamos controlando, muito útil para nos aprofundarmos nas técnicas de cada um deles.

A parte que vai trazer a maior diversão, entretanto, é modo Arcade, em que o jogador poderá explorar suas duplas de lutadores da maneira mais tradicional possível. Cada vez que esse modo é completado, novas cores de roupas e extras dos personagens utilizados vão sendo liberados, o que fornece uma dose extra para o fator replay, uma vez que desperta a vontade no jogador de querer completar todas as cores de vestimentas possíveis de seus personagens favoritos. Acabei descobrindo também que a seleção de dificuldade (que me parecia oculta em meu primeiro contato com o game) é acessada através do botão R1 no PS4 na tela de seleção de personagens.

O modo online de Marvel vs. Capcom: Infinite também é bem completo, com algumas opções como partidas casuais, ranqueadas e voltadas para iniciantes, por exemplo — para que até mesmo os jogadores que não estão familiarizados com o gênero consigam se divertir sem passar muita raiva. Em todas as batalhas online há algumas opções antes do pareamento de cada luta, dando liberdade para o jogador selecionar o nível de conexão mínimo que ele espera de seu oponente e se ele prefere jogar contra pessoas da mesma região ou de qualquer região do mundo. Por se tratar de um jogo de luta, no qual qualquer possível lag faz toda a diferença na execução e defesa dos golpes, é altamente recomendado que o jogador opte por partidas contra outros da mesma região.

Há ainda mais dois modos de Batalha: o vs. Jogador 2 e o vs. Computador. O primeiro é o bom e velho: pegue dois controles, junte-se aos amigos e vá se divertir. Já o segundo permite que o jogador escolha o cenário da luta, seus personagens, poderes e o mesmo para os seus dois adversários. Uma boa forma de testar habilidades contra oponentes específicos para não ser surpreendido na hora de uma batalha online ou no Arcade.

Extras muito dedicados

Marvel vs. Capcom: Infinite vai muito além da pancadaria desenfreada e demonstra o capricho que seus criadores tiveram com esse título. Nos menus têm uma opção chamada de Coleção, que possui uma série de conteúdos super bacanas, tanto sobre o desenvolvimento do game, como artes, som e vozes dos personagens, quanto sobre detalhes mais aprofundados da história, com caixas de textos que explicam todos os contextos de cada batalha que o jogador pôde vivenciar no modo Estória. Além disso, há uma parte dedicada a falar sobre cada lutador, cenário e criatura que aparecem no jogo de alguma forma, vale muito a pena explorar esta área.

Com tudo isso, Marvel vs. Capcom: Infinite entregou muito mais do que o último título lançado pela Capcom, Street Fighter V (PS4/PC), que mais parecia um acesso antecipado em seu lançamento. A alteração na jogabilidade da franquia, que agora possibilita a seleção de apenas dois personagens ao invés de três, e com a adição das Joias do Infinito, bem como a ausência de alguns personagens queridinhos da galera (como o Wolverine) pode não agradar a todos, mas de forma alguma o jogo faz mal o que se propõe, pelo contrário: consegue empolgar e divertir bastante. O fato de já termos alguns DLCs a caminho também demonstra que a Capcom ainda pretende investir bastante em seu novo título. Recomendado tanto para os amantes das franquias da Capcom quanto aos amantes do universo da Marvel, sejam estes novatos ou não.

Prós

  • Modo Estória envolvente;
  • Adição das Joias do Infinito;
  • Alto fator replay;
  • Diversos modos de jogo;
  • Conteúdo extra;
  • Acessível para qualquer jogador.

Contras

  • Espera entre o final da cutscene e o início da luta no modo Estória;
  • Ausência de alguns personagens.
Marvel vs. Capcom: Infinite — PS4/XBO/PC — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PS4
Ana Krishna Peixoto é formanda em Ciências Econômicas pela UERJ. No Blast, é redatora e revisora. Suas paixões são os esportes (sobretudo o futebol e o jiu-jitsu), os livros, a escrita e os videogames. Fã de PlayStation, não nega sua queda pela Nintendo. Pode ser encontrada no Twitter.

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