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Análise: The Walking Dead: A New Frontier – Episódios 1 e 2 – Sendo assombrado por suas escolhas

O novo jogo da Telltale aposta na mudança, mas sofre alguns problemas com o joystick.


Para os fãs de The Walking Dead, como eu, que estão entediados nessa mid-season, finalmente a Telltale lançou seu novo jogo da série de mortos vivos mais popular dos últimos tempos, The Walking Dead: A New Frontier (Multi).


A primeira dúvida, que persiste desde o anúncio do game, é por que ele se chama A New Frontier ao invés de Terceira Temporada. Seria esse mais um spin-off, como The Walking Dead: Michonne (Multi)? Felizmente, não é o caso, trata-se realmente da terceira temporada, que narra os acontecimentos posteriores ao segundo jogo da série.

Mas, diferentemente de The Walking Dead: Season Two (Multi), no qual era imprescindível que você tivesse tido contato com a temporada anterior, não é necessário ter consumido qualquer conteúdo da franquia para compreender a trama de A New Frontier. O jogo, todavia, compartilha de algumas figuras já conhecidas, como a jovem Clementine — que esteve presente nas primeiras temporadas do jogo — e o pitoresco Jesus – que teve participações tanto no seriado de TV como em vários arcos da história nas HQs.

Em outras palavras, você pode adquirir  outras obras para conhecer melhor esses personagens, seu passado e motivações, o que sem dúvida enriquecerá sua experiência, mas isso não é essencial. Este provavelmente é o motivo pelo qual preferiram colocar um novo subtítulo no jogo ao invés de uma numeração.

A presença de personagens já conhecidos com certeza atrairá os fãs, enquanto o fato de não ser necessário ter nenhum conhecimento prévio para entender a narrativa do jogo pode servir como porta de entrada para novos jogadores. Aliás, talvez, seja interessante também ter uma noção do que é um apocalipse zumbi, mas nada que assistir um ou dois filmes de George Romero não deem conta.

O homem é o lobo do homem 

Se você nunca teve qualquer contato com The Walking Dead, deixe-me fazer uma breve introdução. Quatro anos depois da sociedade ter sido tomada por um vírus que transforma as pessoas em mortos vivos, a sociedade como nós conhecíamos chegou ao fim. Governos e regras foram simplesmente erradicados, mas ainda existe um fragmento de civilização, que se sustenta diante de todo um mar de caos.

Em a New Frontier você encarna Javier, um jovem que tem o objetivo de guiar e proteger sua cunhada e sobrinhos de um mundo cheio de violência e incertezas, no qual os zumbis são o menor dos problemas.

Muito mais do que uma graphic novel

O estilo visual continua lembrando as HQs, como nos seus antecessores, com alguns riscos sobressalentes aqui e ali. A grandes mudanças ficam por conta na melhora da qualidade visual: houve um salto gráfico significativo com relação aos jogos anteriores, tanto que essa temporada, diferentemente das primeiras, não foi lançada para a geração passada, PS3 e X360. As cores agora estão mais vivas e o cenários, mais detalhados. Além disso, alguns elementos possuem movimento, como plantas e objetos arrastados pelo vento.

Porque aqui, você decide

Como a maioria dos jogos Telltale, A New Frontier é um mistura de point n’ click e visual novel, cuja mecânica principal consiste na tomada de decisões. Uma das principais reclamações dos jogadores com relação aos últimos lançamentos da desenvolvedora é exatamente que essas escolhas realizadas no decorrer da narrativa não têm peso sobre o final de seus jogos, ou seja, não importa que escolhas você tenha feito, a conclusão será sempre, mais ou menos, a mesma.

Mas afinal de contas, as decisões tomadas nessa nova temporada de The Walking Dead realmente influenciam em sua conclusão? Apesar de só termos à disposição os dois primeiros capítulos, tenho a satisfação de dizer que desde o primeiro game da série suas decisões influenciam não somente o final da trama como também deixam marcas nas temporadas posteriores.

As escolhas feitas na Season 2, por exemplo, são cruciais para determinar a personalidade de Clementine nesse novo jogo, se ela terá uma personalidade forte, como de uma verdadeira sobrevivente, ou fraca e até um pouco medrosa. Mas caso você não tenha jogado as temporadas anteriores, fique despreocupado, pois tudo isso não é obrigatório. Caso seja sua primeira experiência com a franquia, os traços pessoais da personagem serão gerados aleatoriamente. Além disso, algumas cenas de seu passado são exploradas através de flashbacks no decorrer da nova trama, o que ajudará você a conhecê-la um pouco melhor.

Compartilhado as amarguras

Outra grande novidade é a presença do Crowd Play, que permite que você compartilhe a diversão de suas partidas com aqueles que assistem ao gameplay. Trata-se de um novo sistema multiplayer que estreou em Batman: The Telltale Series (Multi). Esse sistema permite que cada decisão seja tomada não apenas por quem segura o joystick, mas também pelos demais. Isso pode ser feito através de qualquer dispositivo com internet, como um celular ou um tablet, ou seja, você e seus amigos poderão realizar escolhas em grupo, dividindo a responsabilidade e remorso, afinal de contas, em The Walking Dead a morte sempre está à espreita.

O jogos da Telltale, no entanto, não se resumem apenas a escolhas, e A New Frontier não poderia ser diferente. Toda vez que você se depara com uma situação tensa, envolvendo alguma disputa ou combate, resolve-a através de Quick Time Events, um sistema de mecânicas que consiste em apertar o botão que lhe é pedido no momento certo.

O problema é que, ao se utilizar o controle, o jogo responde de modo lento e impreciso,  fazendo com que você erre os movimentos e consequentemente morra, o que é muito frustrante. O mais estranho é que o teclado funciona normalmente. Esse erro não é comum na série, tanto que no game anterior, Batman: The Telltale Series, respondia rapidamente ao jogador.

Pode ser estranho se referir a um jogo Telltale dessa maneira, mas a parte boa é que essas mecânicas Quick Time Events não estão tão presentes em A New Frontier, que se foca ainda mais em contar a história, que é o forte dos jogos da desenvolvedora, fazendo com que você seja um expectador na maior parte do tempo e interaja, na maioria das vezes, somente através de tomadas de decisão. É claro que as mecânicas relacionadas a combate e busca por itens continuam a existir, mas são menos frequentes.

Ao não lançar The Walking Dead: A New Frontier para os consoles da oitava geração para melhorar seus gráficos e introduzir um personagem inédito como protagonista, a Telltale arriscou bastante. Mas foram exatamente esses dois elementos que tornaram o jogo atrativo para aqueles que nunca tiveram contato com a série.

Apesar de sofrer de alguns pequenos problemas em relação a mecânicas que envolvem QTEs, recomendo o jogo a qualquer pessoa que goste de boas narrativas, sejam ou não fãs de The Walking Dead.

Prós

  • Melhorias gráficas;
  • Suas decisões realmente importam;
  • Sistema Crowd Play.

Contras

  • Comandos respondem de forma lenta e imprecisa.
The Walking Dead: A New Frontier: Episódios 1 e 2 — PC/PS4/XBO — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Vitor Tibério
Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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