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Fallout 4 (Multi) e a difícil tarefa de inovar sem abrir mão da tradição

O novo Fallout traz inúmeras novidades e tem grandes chances de se tornar um dos melhores games da série.

Não é de hoje que Fallout 4 (Multi) é um dos assuntos mais populares entre a mídia especializada e os fóruns de jogos. Desde 2013 já havia rumores sobre o seu lançamento, mas o mais impactante, com certeza, aconteceu na E3 de 2013, quando especulou-se que o jogo só seria lançado apenas para a nova geração. Apesar de muitos terem ficado incertos quanto ao sucesso do game, afinal de contas, na época lançar um game somente para os novos consoles poderia não ser lucrativo, foi “dito e feito”. Na E3 de 2015, a desenvolvedora confirmou que próximo grande título da série seria exclusivo do PC, PS4 e Xbox One.


No final das contas, esta foi uma atitude sensata. Com isso, não haverá qualquer limitação tanto em relação aos gráficos quanto às mecânicas, como geralmente ocorre quando se lança um game para ambas as gerações. Além disso, atualmente há mais de 20 milhões de proprietários de PS4 e 10 milhões de usuários de Xbox One, o que não é garantia de sucesso, mas certamente dá mais segurança à Bethesda.

Outro antigo rumor que se confirmou foi sobre onde o game será ambientado. Depois de Washington, Pittsburgh, Maryland e Nevada, a história do novo jogo da franquia se passará em Boston, Massachussets, mais precisamente em Commonwealth — uma espécie de versão fictícia do estado norte-americano. nclusive, o local já foi mencionada anteriormente em outros games da franquia, sendo conhecido por ser um lugar devastado pela guerra, violência e desespero.Commonwealth também é conhecida por sediar o Institute, algo similar ao Massachusetts Institute of Technology (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Dentro da história de Fallout 3 (Multi), de lá se originaram alguns androides que ganharam consciência e facilmente se passavam por humanos, encontrados durante a missão The Replicated Man.

Não foram revelados efetivamente muitos detalhes da história. O que se sabe até o momento é que, ao menos inicialmente, ela se passa antes da devastação nuclear. Você será capaz de presenciar o momento exato da ocorrência das primeiras explosões que mudaram o mundo para sempre. O interessante é que você poderá de fato jogar no mundo pré-apocalíptico, podendo desfrutar do cenário e acontecimentos da época, algo inédito até então, incluindo o momento em que você compra o seguro da Vault-Tec, o que, teoricamente, lhe garante um lugar em um V.A.U.L.T (abrigo nuclear).

A maior parte da jogatina, entretanto, se passará 200 anos após a guerra nuclear, como ocorre com todos os jogos da série. Tudo o que ocorre do ápice da guerra nuclear até o momento em que o protagonista se encontra na Wasteland foi mantido em sigilo pela Bethesda, que prefere nos surpreender. Os únicos detalhes que nos foram revelados são que o protagonista não só consegue sobreviver às explosões, como também parece não ter envelhecido um dia sequer, iniciando sua nova jornada a partir do V.A.U.L.T 111.

Os mistérios de Commonwealth

A criação de personagem, um dos momentos prediletos dos amantes de RPGs, será ainda mais minuciosa. Você poderá quase que literalmente esculpir o rosto de seu personagem, deixando-o único. Além disso, como nos jogos anteriores da série, ser-lhe-á permitido escolher entre ambos os gêneros.

Pelo que nos foi apresentado até o momento, o jogo carece de gráficos de ponta, principalmente no que concerne ao rosto do protagonista — note que o rosto durante a criação de personagem é bem diferente do mesmo durante a jogatina efetivamente. Não que jogo esteja visualmente ruim. A questão é que, com exceção das cores, que são muito vivas, ele ainda  aparenta ser graficamente muito semelhante ao Fallout 3 e ao Fallout New Vegas (Multi), quando acompanhados de ENB e mods. Ademais, quando comparamos o vídeos de gameplay de Fallout 4 a outros grandes AAAs de mundo aberto, como GTA V (Multi), The Witcher 3 (Multi) e MGS V (Multi), seu visual ainda parece bastante inferior.

A Bethesda, entretanto, já reconheceu o fato e afirmou que sua prioridade será a história, e não os gráficos do game. De qualquer maneira, a empresa é famosa por apresentar games com gráficos medianos, como The Elder Scrolls V: Skyrim (Multi). De maneira alguma isso faz deles jogos ruins, muito pelo contrário, os games desenvolvidos quase sempre apresentam cenários detalhados, história profunda e personagens memoráveis. Além disso, posteriormente ao lançamento de seus jogos, a comunidade sempre se encarrega de contribuir com mods que deixam qualquer um de queixo caído.
Falando em mods, Todd Howard, produtor executivo de Fallout 4, declarou que as modificações criadas para a versão de PC poderão ser baixados e usados na versão para XBO do game, o que é realmente uma novidade surpreendente. Adicionado a isto, a Bethesda afirmou que haverá ferramentas oficiais para a criação de mods. Todavia, elas não estarão disponíveis antes do começo de 2016.


As vantagens da versão desta plataforma não param por aí: os proprietários de Xbox One que realizarem a pré-compra do título também ganharão seu antecessor, Fallout 3. O motivo dessa promoção ser exclusiva para o console da Microsoft foi o fato do PS4 não possuir retrocompatibilidade. Isso não justifica, entretanto, a ausência desta promoção no PC que, em contrapartida, possui o valor do jogo mais elevado entre todas as plataformas no Brasil.


Atributos, aquilo faz você S.P.E.C.I.A.L

O sistema de atributos do game, mais conhecido como S.P.E.C.I.A.L., continua o mesmo, sendo composto por: Força, Percepção, Resistência, Carisma, Inteligência, Agilidade e Sorte. Haverão também 70 novos perks com múltiplos níveis, o que lhe proporcionará centenas de possibilidades de desenvolver seu personagem.   Esse novo sistema deve substituir o antigo sistemas de skills, o que simplifica de maneira bastante significativa o sistema no momento de evoluir o personagem.

As mecânicas relacionadas ao combate também parecem não ter sofrido grandes mudanças. Ainda será possível utilizar dois modos distintos de combate: o clássico point & shoot (aponte e dispare), que compõe praticamente todos os FPS e dispensa maiores explicações; e aquilo que o diferencia de todos os outros jogos do gênero e mostra a predominância de elementos de RPG na série, muito semelhante a um sistema de RPG por turnos, o sistema V.A.T.S (Vault-Tec Assisted Targeting System), no qual, quando em combate, o jogo é pausado e o jogador tem a liberdade de escolher, com calma, qual arma utilizar, bem como também qual parte do corpo do inimigo deseja atingir, de modo que o resultado da ação dependerá das habilidades e talentos do personagem com a arma utilizada.
Outra grande novidade é que, pela primeira vez em um jogo da franquia, Fallout 4 já virá localizado para o português, com legendas em nossa língua. Imagino que isso ainda não satisfaça alguns, uma vez que não teremos uma dublagem nacional. Entretanto, se levarmos em consideração que a Bethesda não costuma disponibilizar seus jogos em nosso idioma e, principalmente, a quantidade absurda de diálogos que foram gravados para este game, esse já é um grande passo para a desenvolvedora em nosso país.

Até que um bug nos separe

Só quem já se aventurou em algum game da série sabe o quão problemático é ter um companion — aliados que lhe acompanham durante sua jornada.  Apesar de, geralmente, serem uma grande vantagem nos momentos de conflito, eles morrem facilmente, além de terem uma tendência a simplesmente sumir em certas ocasiões. Todo o drama envolvendo nossos companheiros parece finalmente ter chegado ao fim.


As mecânicas envolvendo companions aparentemente foram aprimoradas, de modo que agora você poderá dar ordens diretamente a eles (como siga em frente, pegue, ataque, recue, etc) simplesmente apontando para objetos no cenário e ativando comandos, logicamente desde que este comandos estejam dentro do contexto. Até o momento, apenas um companion foi revelado: Dogmeat Trata-se de um cão da raça pastor alemão, tão belo quanto obediente, que é encontrado logo após nossa saída do V.A.U.L.T.


Construindo sua própria Wasteland

A maior de todas inovações, porém, fica por conta do sistema de crafting. A partir de agora, ele permitirá não apenas reciclar materiais e utilizá-los da maneira que quiser, como também possibilitará que você construa e decore seu próprio refúgio, literalmente, a partir do nada, da maneira que você quiser. Juntamente com a criação de personagem e tomadas de decisão, trata-se de mais um elemento que tornará sua experiência em Fallout única.

Aliado a isso, à medida que se avança em suas construções, novas pessoas, tanto bem quanto mal intencionadas, podem começar a se aproximar de você. Algumas dessas pessoas incluem certos mercadores, que possuem alguns dos melhores itens do jogo. Os inimigos, entretanto, ainda não foram revelados. De qualquer maneira, será possível  customizar seu refúgio com armas.

Falando em armas, o sistema de craft voltado para estas também foi aprimorado. Agora, existem mais de 50 armas básicas no game, que poderão ser totalmente modificadas das mais variadas maneiras, utilizando-se centenas de componentes que podem ser encontrados espalhados pelo mundo. Isso não é apenas um modo de falar. É possível, por exemplo, transformar uma pistola em um rifle ou, ainda, em um sniper rifle. Enfim, as combinações são inúmeras.

Quando inovação e tradição se encontram

Os jogos da série Fallout sempre foram apreciados por sua história imersiva e personagens pitorescos. O aumento nas customizações do protagonista e de seus equipamentos, a simplificação no controle dos companions e a introdução de refúgios totalmente customizáveis só vem para melhorar aquilo que já era sensacional. Fallout 4 terá a possibilidade de se tornar o melhor game da franquia e, quiçá, uma das maiores produções já realizadas pela Bethesda.


Fallout 4 — PC, PS4, Xbox One
Desenvolvimento: Bethesda
Gênero: RPG / FPS / Mundo Aberto
Lançamento: 10 de novembro de 2015
Expectativa: 5/5

Revisão: Jaime Ninice

Manoel Siqueira Silva é formado em Análise de Sistema e Filosofia pela UFSCar. Aprecia games de todos os gêneros, mas confessa ter uma queda por RPG e jogos de mundo aberto. Está sempre em busca de games de qualidade que foram subestimados ou são desconhecidos. Este ser pode ser encontrado no Twitter e no Facebook.

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