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Análise: Destiny: The Taken King (Multi) é a reinvenção do primeiro ano do título

Destiny te dando alguns vários motivos para voltar a jogar.

Depois de um primeiro ano repleto de altos e baixos, Destiny (Multi) finalmente recebeu sua primeira grande expansão entitulada O Rei dos Possuídos (The Taken King). Para mim, essa expansão seria a minha decisão final a respeito do jogo: se eu voltaria a esperar grandes coisas, ou se largaria de vez, para evitar decepções e irritação. Para a minha alegria, o jogo não me decepcionou e mostrou ser exatamente o que eu esperava: nada menos do que excelente. Nesta análise, espero conseguir explicar o porquê.

O Rei dos Possuídos

Oryx, o pai de Crota e Rei da Colmeia, chega ao sistema solar com um único objetivo: executar vingança contra aqueles que mataram seu filho. Tendo o poder de possuir inimigos e trazê-los para o seu lado, o temível Rei manda seus vassalos para Phobos, uma das Luas de Marte, e lá toma o controle de toda uma fortaleza Cabal.



Após uma longa cinemática que mostra Oryx obliterando a frota espacial dos Despertos nos anéis de Saturno, o jogador é levado para uma missão em Phobos, onde deve descobrir o que está acontecendo, e é aí que o jogo realmente começa: com uma ameaça iminente. Logo nessa primeira missão é possível ver a mudança no tom da narrativa e ter uma ideia geral do poder do recém chegado vilão.

Ao controlar a "vontade" de seus inimigos, Oryx também os dá novas habilidades: um capitão Decaído pode soltar ataques de energia que cegam, Goblins Vex podem dar proteção a inimigos e deixá-los invulneráveis, Cavaleiros da Colmeia soltam labaredas de fogo e muito mais. Assim, cada inimigo Possuído tem a sua própria habilidade, dinamizando ainda mais a já excelente jogabilidade.


Narrativa e caracterização

Uma das adições mais importantes na expansão sem dúvidas é a mudança na forma de contar a história, em que personagens conhecidos são mais aprofundados e têm caráter moldado, sendo Cayde-6, o líder da vanguarda dos caçadores, o que mais se destaca entre todos eles. Todo o tom da narrativa é pesado e tem como objetivo deixar o jogador ciente do perigo iminente: um dos seres mais poderosos do universo está atrás da luz dos Guardiões e você deve lutar pela própria existência.

As missões sempre possuem uma explicação objetiva e toques sutis do rumo da história, diferentemente do ano um, onde os jogadores mal sabiam o que estava acontecendo, além de os personagens que guiavam a jornada também não poderem explicar. E isso significa muito para o futuro do jogo, há espaço para muita especulação, personagens para preferir e vilões para odiar, exatamente o que faltou no jogo desde o início: um rumo.


Universo de mudanças

Para quem jogou no lançamento do ano um, lá em setembro de 2014, Destiny se tornou repetitivo rapidamente, já que o conteúdo acabava com menos de quinze horas de jogo e era necessário repeti-lo até a exaustão. Em “O Rei dos Possuídos”, há várias mudanças notáveis que vão impressionar logo de cara: a inclusão de um menu para jornadas (quests), nova interface, novo mapa galáctico, CGs extensas, interações fortes com NPCs, história envolvente e bem-humorada, novas classes, novos espaços de equipamentos, as tão esperadas coleções de exóticos e muito mais. É uma verdadeira reinvenção.
Como senti falta desse menu de jornadas...


As jornadas, agora muito mais extensas e interessantes, servem para praticamente tudo no jogo, desde o crisol às missões da história. Por sinal, jornadas essas que levam a obtenção de armas exóticas e equipamentos visuais (shaders e emblemas), tornando o jogo muito, muito menos dependente da roleta de itens chamada RNG (random number generator). E por depender menos dela, a progressão é mais focada e o jogador tem a decisão de escolher um objetivo para perseguir, ao invés de esperar ter sorte para conseguir os itens que cobiça.


Fundações de armas e novas subclasses

Uma das coisas que eu mais esperava na expansão eram as subclasses, e como elas não decepcionaram, viu? O arco do Nightstalker prende inimigos e cria explosões de vácuo, o Sunbreaker faz ataques devastadores com seu martelo e o Stormcaller manipula eletricidade no maior estilo Darth Sidious de Star Wars. E para obter esse novo e necessário poder, você deve partir em jornadas para entender e encontrar antigos poderes e artefatos. Essas missões de subclasse são exclusivas e dão uma visão mais ampla sobre sua própria classe, contando um pouco mais do que é ser cada uma delas e por que você deve perseguir um novo poder. Olha a narrativa diferenciada aí novamente.
Tirando a poeira dessas armas, não é Banshee?


As fundações de armas, trazidas agora por Banshee-44, o armeiro da Torre, é uma das “novidades” do Rei dos Possuídos. Antes deixado às moscas em seu canto, o armeiro agora possui um sistema de reputação próprio, em que você pode testar novas armas das fundações Suros, Omolon e Hakke, para depois fazer um pedido de arma lendária. Essa arma irá chegar na quarta feira, o dia do “Armsday”, em que você poderá recolher seu pedido. Segundo a desenvolvedora, essa foi mais uma forma de deixar a progressão na mão do jogador, fazendo com que ele possa conseguir uma arma que quer, além de deixar o NPC mais útil. O que eu penso disso? Funcionou, já que até jornadas ele dá.


A mesma fórmula com melhor execução

O sistema de luz vem agora completamente diferente: ao invés de você usar itens para melhorar seu nível, você os usa para melhorar a sua luz, o nível é algo totalmente a parte. Sendo o nível máximo quarenta, a sua luz pode subir até os trezentos e poucos, se tornando agora um atributo com uma flutuação maior. Essa flutuação, por sua vez, permite que a diferença de poderes seja mais maleável: no jogo original, a diferença de apenas um de luz podia fazer com que seu personagem tivesse até menos de 20% de ataque ou defesa, quando no novo sistema, uma diferença de 20 de luz não traz lá muito problema. O que já ajuda na hora de levar seus amigos (esquadrão) para fazer aquela Incursão difícil.
Poder marcar missões e ao segurar o Fantasma mostrar seus requerimentos é excelente.


E a repetição? Inevitável. Infelizmente, o ciclo de repetição ainda persiste e é necessário para as engrenagens do jogo, só que agora ela vem de uma forma mais sutil e em que o jogador sinta menos cansaço ao executar tarefas. Ainda é preciso repetir vários Assaltos e Incursões para melhorar seus equipamentos e personagens, mas para compensar, a queda de engramas (itens) está muito maior, fazendo com que lendários sejam recompensas comuns, inclusive no Crisol (PvP). Contudo, essas mecânicas não são alheias àqueles que gostam de jogos com multijogador online massivo, então se você gosta de mmos, sinta-se em casa.

Com um conteúdo mais extenso e abrangente, Destiny ainda tem um problema: os próprios jogadores. Está mais normal do que nunca entrar em listas de Assaltos e acabar com vários jogadores saindo do jogo ou simplesmente ficando parados sem ajudar de forma alguma a progressão da atividade. Em um dos novos Assaltos, o “Mente Restaurativa”, cheguei ao cúmulo de ficar quase uma hora para terminá-lo porque os jogadores que entravam saíam, ou sentavam em algum lugar mais afastado esperando o término da partida. Até o momento, espero que a Bungie crie algum sistema de bloqueio de atividade para aqueles que ficarem parados (similar aos mobas), ou até mesmo algum artifício para expulsar esse tipo de jogador durante o próprio Assalto.


Recomendado?

Sem dúvidas. Se você jogou o primeiro ano de Destiny e acabou desistindo por conta da repetição e recompensas aleatórias, não tema: dessa vez o jogo realmente se esforça para fazer você perseguir objetivos próprios. Os novos sistemas foram feitos para jogadores novos tanto quanto antigos, trazendo uma dinamização não antes vista e que eleva ainda mais o potencial da franquia. E ainda digo que, depois de uma semana intensa de jogo, terminei apenas 6 jornadas das 20 que tinha. Então sim, há muito o que ver e explorar em Destiny: O Rei dos Possuídos.

Prós

  • Sistemas remodelados dão nova vida ao jogo;
  • Conteúdo melhorado e extenso;
  • Narrativa diferenciada;
  • Muitos equipamentos e itens novos;
  • Uma excelente nova Incursão.

Contras

  • Falta de um sistema de remoção de jogadores parados durante partidas;
  • Volta e meia dá para encontrar algum trapaceiro no Crisol.
Destiny: The Taken King — PS4/PS3/XBO/X360 — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS4
Revisão: Alberto Canen
Pedro Gusmão aprecia bons jogos independente de plataforma e gênero, mas tem um apreço especial por RPGs e jogos de estratégia. Aficionado por temas fantásticos, adora passar seu tempo livre escrevendo e enfrentando seres mitológicos em videogames.

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