Chivalware é um roguelike de ação que mistura combate em tempo real com mecânicas de combinar três ou mais peças da mesma cor. A mescla inusitada cria uma experiência bastante original, na qual precisamos pensar rapidamente enquanto atacamos e desviamos de ameaças. A grande variedade de armas e poderes também oferece boas possibilidades para experimentar diferentes estratégias ao longo das partidas. Mesmo com problemas de balanceamento e diversidade, a experiência é bastante divertida.
Uma aventura medieval com toques digitais
Em um reino tomado pelo caos, os lendários Cavaleiros-Disquete ressurgem para acabar com o reinado de um Rei tirano. A trama é bastante simples e serve principalmente para contextualizar a aventura, que mistura elementos medievais, como cavaleiros e criaturas fantásticas, com referências à informática retrô, incluindo disquetes e chips. A pixel art é simples, mas agradável, e a trilha eletrônica acompanha a ação discretamente.Durante as partidas, percorremos diferentes regiões divididas em áreas com eventos variados, incluindo batalhas, lojas e interações com personagens. O foco da experiência está nos combates, que misturam ação com quebra-cabeças de combinação. As arenas contam com painéis coloridos no chão e, ao ativar conjuntos de três ou mais peças da mesma cor, podemos utilizar armas ou fornecer energia para os equipamentos que carregamos.
Há diversas opções de armamentos, como espadas, pistolas, martelos e garras, cada um com propriedades particulares. Alguns são ativados instantaneamente, enquanto outros precisam acumular energia ou permitem atacar à distância. Pelo caminho, podemos substituir nosso arsenal ao encontrar novos disquetes, além de equipar módulos de memória que oferecem efeitos passivos e outras vantagens.
A estrutura segue os conceitos tradicionais do gênero roguelike: cada tentativa apresenta uma combinação diferente de itens e desafios, e concluir uma partida ou morrer significa recomeçar tudo do início. Entre as tentativas, porém, desbloqueamos novos conteúdos, incluindo personagens, chefes, poderes e eventos — esses conteúdos ampliam gradualmente as possibilidades de experimentação.
Usando disquetes para combinações explosivas
A mecânica de ativar painéis no chão para equipar e recarregar armas é o grande diferencial de Chivalware. Durante os confrontos, precisamos ficar atentos às combinações disponíveis enquanto atacamos e desviamos dos perigos, criando uma dinâmica bastante particular. É complicado no começo, mas logo nos acostumamos a conciliar essas atividades. A situação fica ainda mais interessante quando enfrentamos inimigos protegidos por barreiras que anulam o dano de determinadas armas, exigindo que adaptemos nosso arsenal e procuremos combinações de outras cores para superar essas defesas.Por outro lado, nem sempre encontramos os painéis necessários para utilizar o equipamento mais adequado. Em algumas situações, precisamos simplesmente eliminar peças para tentar conseguir blocos da cor desejada, o que quebra um pouco o ritmo dos confrontos. Entendo a proposta de concentrar os painéis na metade direita da arena, incentivando momentos de ataque e defesa, mas ficar indo e voltando constantemente entre os dois lados também pode atrapalhar o fluxo das batalhas. Gostaria que houvesse mais alternativas estratégicas para lidar com essas situações.
A variedade de armas e equipamentos foi uma das coisas que mais me impressionaram. Algumas opções são bastante simples, como pistolas que atingem inimigos distantes e marretas capazes de acertar áreas amplas. Outras apresentam propriedades mais particulares, como um tomo de fogo que precisa acumular energia antes de ser ativado, uma dupla de lâminas que ataca automaticamente os adversários próximos conforme nos movimentamos ou dinamites que explodem em um padrão de X.
Essa diversidade modifica bastante o ritmo dos confrontos, já que determinados inimigos são mais fáceis de enfrentar com equipamentos específicos. Também há uma grande quantidade de melhorias com efeitos variados, permitindo que, com um pouco de sorte e improvisação, montemos combinações bastante poderosas. Algumas delas levam em consideração os próprios painéis da arena, incentivando comportamentos específicos para ativar efeitos adicionais e criar sequências de ataques.
Depois que entendemos as regras, é muito divertido conciliar as combinações com a movimentação e construir sequências de ataques enquanto desviamos dos perigos. Apesar dos momentos frustrantes causados pela disposição dos painéis, a mecânica tem personalidade suficiente para sustentar a experiência.
Nem toda tentativa é uma aventura diferente
Como é comum no gênero roguelike, Chivalware aposta em partidas que apresentam combinações diferentes de equipamentos, inimigos e eventos. Entretanto, senti falta de uma variedade maior nas situações.Na prática, as áreas se diferenciam principalmente pelos adversários, cujos comportamentos são relativamente parecidos. Há também perigos ambientais, como areia movediça no deserto e nevascas na região congelada, mas eles pouco alteram a dinâmica das partidas. Com isso, a repetição acaba aparecendo depois de algumas tentativas.
Entre as partidas, novos conteúdos são desbloqueados, incluindo eventos e chefes inéditos, além de personagens e equipamentos que ampliam as possibilidades de experimentação. Também existem níveis progressivos de dificuldade, que adicionam desafios e tornam as jornadas mais complicadas. São boas opções para prolongar a experiência e oferecer novos objetivos depois de algumas vitórias, embora não sejam suficientes para compensar a pouca diversidade das áreas. A progressão acaba dependendo bastante da vontade de testar novas configurações e descobrir combinações de equipamentos, já que a estrutura dos percursos muda pouco de uma tentativa para outra.
Outro problema está no balanceamento. Alguns inimigos apresentam ataques difíceis de identificar ou causam danos excessivos, tornando determinados confrontos mais frustrantes do que desafiadores. Os chefes também sofrem com esse problema: a maioria possui uma quantidade exagerada de vida, fazendo com que as batalhas se estendam desnecessariamente. Como os adversários repetem os mesmos padrões de ataque durante muito tempo, esses encontros acabam se transformando em testes de paciência, mesmo quando conseguimos compreender suas mecânicas.
É uma pena, pois os chefes são interessantes e apresentam padrões de ataque próprios, com elementos que lembram quebra-cabeças de posicionamento. Ao menos as partidas são relativamente ágeis, durando por volta de 20 minutos, o que ameniza parte desses problemas. Torço para que o jogo receba atualizações que aprimorem esses aspectos, especialmente a variedade dos desafios e a duração dos confrontos mais longos.
Uma combinação que vale a pena
Chivalware apresenta uma proposta bastante criativa ao misturar combate em tempo real com mecânicas de combinação de peças. A variedade de equipamentos e a dinâmica dos confrontos são os maiores destaques, embora a pouca diversidade das áreas e os problemas de balanceamento prejudiquem a experiência.Ainda assim, o título consegue entregar uma experiência envolvente, principalmente quando aprendemos a aproveitar as particularidades de seu sistema de combate. Embora ainda tenha espaço para aprimoramentos, Chivalware é um roguelike criativo e divertido, que encontra uma maneira interessante de combinar duas propostas bastante diferentes.
Prós
- Combate criativo que mistura ação e puzzle de combinar;
- Grande variedade de armas e melhorias para experimentar;
- Ritmo ágil e descomplicado.
Contras
- Pouca variedade de conteúdo entre as áreas e partidas;
- Alguns problemas de balanceamento em inimigos e chefes.
Chivalware — PC/Switch 2 — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise produzida com cópia digital cedida pela Dotemu
Análise produzida com cópia digital cedida pela Dotemu











