Tony Hawk’s Pro Skater 3: clássico da franquia completa 25 anos

O jogo marcou um ponto de virada no que foi a primeira transição de plataforma da série.

em 01/11/2026

Após dois grandes sucessos lançados em 1999 e 2000, a Neversoft aprimorou ainda mais seu universo das quatro rodinhas e lançou Tony Hawk’s Pro Skater 3. Isso aconteceu 25 anos atrás, em 30 de outubro de 2001, marcando a estreia de Birdman e seus amigos na sexta geração de consoles.

O retorno da trupe de skatistas contava com 13 profissionais, mas, infelizmente para nós brasileiros, Bob Burnquist ficou de fora pela primeira e única vez até Proving Ground. Isso aconteceu porque Bob havia fechado um contrato para aparecer em outro jogo, o ESPN X Games Skateboarding. A ausência do único latino abriu espaço para um dos nomes mais conhecidos dos anos 2000: Bam Margera.


Várias casas para Tony

Publicado pela Activision (sob o selo Activision O2), o título chegou ao PlayStation, Nintendo 64, PC, Mac, Game Boy Color, Game Boy Advance, PlayStation 2, Xbox e GameCube. Boa parte desses lançamentos aconteceu ainda em 2001, mas algumas plataformas receberam o jogo apenas no ano seguinte.

A desenvolvedora original, Neversoft, ficou responsável justamente pelas versões dos consoles mais modernas, deixando outras empresas como Shaba Games, Vicarious Visions e HotGen incumbidas das versões para PSX, GBA e GBC respectivamente.


A versão do primeiro console da Sony foi portada pela Edge of Reality para o N64, já os ports feitos para PC e Mac (que foram baseados no game para PS2, Xbox e GC) foram de incumbência da Gearbox Software e da Beenox respectivamente. Outra curiosidade é que THPS3 foi oficialmente o último jogo lançado para o console de 64 bits da Nintendo (agosto de 2002), que havia sido descontinuado quatro meses antes.

O game foi desenvolvido no motor gráfico RenderWare, criado em 1993 pela Criterion Games. No entanto, as versões do PlayStation e do Nintendo 64 rodavam na mesma engine de Tony Hawk’s Pro Skater 2, a Apocalypse. Para se ter uma idéia, a RenderWare foi utilizada até a geração do PlayStation 4, e foi usada em clássicos como a trilogia 3D do GTA (III, Vice City e San Andreas).


Novo século, novo milênio, novas ideias

A Neversoft começou o terceiro milênio com os dois pés na porta ao tratar do novo Tony Hawk. Aproveitando as possibilidades das plataformas mais modernas, a empresa dedicou-se a criar muitas coisas novas para a franquia.

A primeira delas, que mais marcou, foi o revert. A manobra permitia que os combos continuassem quando o skatista entrava em um quarter pipe (as manobras aéreas), apertando o botão quando encostasse na rampa ao cair e então emendar em um manual. Essa novidade foi tão importante que em jogos posteriores, como Tony Hawk’s Pro Skater HD, a DLC com mapas do terceiro jogo chamava-se Revert Pack. Até mesmo o primeiro remake recente, Tony Hawk’s 1+2, continha a manobra disponível, apesar de ela ainda não existir nos originais.


Outra novidade que virou um marco da série foram os Hidden Combos. Basicamente eram variações de manobras feitas durante um manual, um flip ou um grind. Essas manobras foram inspiradas especialmente nas competições de freestyle, em que Rodney Mullen dava show no final da década de 1970 e nos anos 1980.

Nessas competições, Mullen usava diversas variações do manual, indo para manobras como casper, anti-casper, handstand, entre outros; tudo isso sem perder o equilíbrio e sem “resetar” a sequência. No jogo, cada variação aumenta o multiplicador de pontos do combo nos casos de manual e grind. O flip trick apenas permitia uma nova manobra (como double kickflip) que valia mais pontos e gastava um tempo maior para ser realizada.

Por falar nas manobras nos corrimãos, o balanço para grind e lip tricks foi adicionado ao game. Similar ao de manual, permitia um controle melhor e mais preciso para estender combos ao conseguir equilibrar o skatista. Essa foi outra ideia que permeou para sempre os jogos da franquia, uma vez que era mais complicado de manter o equilíbrio nos jogos anteriores (o personagem ia pendendo pra um lado somente, sem mais indícios).


Algumas das ideias menores implementadas foram a inserção de pedestres e NPCs nos mapas, a possibilidade de criar uma skatista feminina (em THPS 2 só era possível criar atletas masculinos) e a remoção do Big Drop, permitindo quedas de alturas imensas sem perder o combo.

Por fim, a principal novidade explorada pelo marketing do jogo foi o modo online. O que hoje é comum e avaliado como básico para qualquer título, naquela época a história era outra. Afinal, o PlayStation 2 não possuía modem embutido, o que já criava uma barreira. Além disso, era a época da conexão discada, a banda larga apenas começava a dar os primeiros passos no comércio para clientes finais nos grandes mercados. Antes do lançamento do adaptador de rede do console, era possível jogar online com adaptadores ethernet USB. A versão do Xbox, ironicamente, não possuía uma forma de jogar pela internet, apesar de o console contar com modem embutido.


O bom e velho Tony Hawk’s

Apesar de ter contado com várias inovações, o núcleo principal do jogo permanecia o mesmo. Afinal, time que está ganhando não se mexe, e os jogos da série até então foram muito elogiados por todos. A gameplay básica permanecia a mesma para movimentação, para a execução das manobras, o funcionamento de gaps, enfim, esses aspectos foram apenas aprimorados.

A proposta do game era a mesma: fases com dois minutos para realizar dez objetivos, que podiam ser feitos em várias tentativas, e outros níveis com o campeonato valendo a medalha de ouro, que consistia em três chances de um minuto cada para obter a maior nota.


As fases eram liberadas conforme objetivos iam sendo realizados, ou conquistar uma medalha de bronze ao menos. Começava com Foundry, Canada, Rio de Janeiro (torneio), Suburbia, Airport, Skater Island (torneio), Los Angeles e Tokyo (torneio). As versões da sexta geração contavam ainda com Cruise Ship (também com dez objetivos) e mais versões remasterizadas da Warehouse, Burnside e Roswell.

Os skatistas são basicamente os mesmos de THPS 2, exceto pela mudança mencionada anteriormente. A versão japonesa ainda recebeu quatro novos profissionais do país. E, para seguir a tradição, o jogo contava com participações especiais: Wolverine, Darth Maul, Officer Dick, Private Carrera, Ollie the Magic Bum, Kelly Slater (que usava uma prancha de surf em vez do skate), Demoness e Neversoft Eyeball. Algumas versões ainda contaram com uns “exclusivos”: Doom Guy (PC), X-Ray (Xbox), Shaun Palmer e Miny (ambos no GBA).

Para encerrar, é impossível falar de Tony Hawk’s e não mencionar a trilha sonora, sempre um ponto alto da franquia. A veia do rock seguia forte, já abrindo o vídeo inicial com Ace of Spades, do Motörhead, e continuava com nomes como Red Hot Chili Peppers, Adolescents, Ramones, Alien Ant Farm, Bodyjar e mais.


Recepção e legado

Tony Hawk’s Pro Skater 3 foi ovacionado desde o primeiro dia de seu lançamento. Tanto pela mídia, quanto pelo público. As novidades apresentadas viraram pilares para a série, a gameplay ficou mais fluida que antes e os gráficos estavam muito acima da média. O jogo foi tão grande que se tornou um marco até mesmo dentro da franquia.

No site agregador de notas Metacritic, a versão de PlayStation 2 ficou com 97%, mostrando o impacto e como recebeu diversas notas máximas. Essa nota deixa o jogo como o melhor avaliado do console da Sony. O site inglês GameSpot, por exemplo, deu nota 10 para o jogo, um dos poucos a receber essa avaliação em 30 anos de história do veículo. As notas das demais versões também ficaram de 90% para cima, com exceção da versão do PlayStation original (87%).

O público também amou o jogo, que conquistou 2,1 milhões de cópias vendidas apenas na versão do PS2. Com esse número, foi o 56º game mais vendido da plataforma. THPS 3 chegou a receber o selo platina na ELSPA Sales Awards, o que prova que pelo menos 300 mil cópias foram vendidas no Reino Unido.

Atualmente, não há uma forma legal de adquirir uma nova cópia do Tony Hawk’s Pro Skater 3 original. No entanto, o remake lançado em 2025, Tony Hawk’s 3+4 é muito fiel ao clássico e atualiza o jogo para gráficos e resoluções modernas. Além disso, está disponível em várias plataformas, como PC (Steam), PlayStation 4, PlayStation 5, Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, Xbox One e Xbox Series X|S.

Revisão: Ives Boitano


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Moreno Valerio
Jornalista, Técnico no papel, engenheiro não praticante e mestre Pokémon nas horas vagas. Passa 80% do tempo falando de games. Nos outros 20% torce para alguém falar sobre games, só para poder falar mais um pouco.
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