J.League Jikkyou Winning Eleven 2000 — a vez de a liga japonesa brilhar

O que era apenas para ser uma versão de Winning Eleven 4 se tornou uma peça fundamental para uma das principais franquias esportivas dos games.

em 06/11/2026
A virada do século trouxe um duelo memorável para os fãs de futebol virtual. FIFA 2001 e Winning Eleven 4 estavam presentes em pelo menos 90% das casas que tinham um PlayStation na época. Qualquer situação era motivo para jogar uma partida em qualquer um dos dois: aniversário, café da tarde, aquele tempinho após juntar a galera para fazer maquete. Não tinha ninguém que dissesse não para nenhum dos dois.

Eu era da turma do FIFA, jogando direto desde o 97, no Mega Drive, e depois emendando de 98 até 2001 quando ganhei meu PS1. Só que um belo dia, na casa da minha madrinha, joguei WE4 com o filho dela e gostei demais. Ela ficou sabendo e, com a chegada do meu aniversário, correu até o fornecedor alternativo mais próximo (se é que vocês me entendem) e procurou apenas o CD com a mesma logo.

Ela não me deu Winning Eleven 4, muito pelo contrário. O que ela achou foi uma versão exclusivamente lançada no Japão, que só tinha os times da recém-reformulada J. League Division 1 e 2 — hoje chamada de Meiji Yasuda J1 League —, e sem uma vírgula em inglês. Foi estranho no começo, mas logo eu fiquei obstinado a triunfar em todas as copas e conquistar cada troféu possível. 

Foi assim que descobri o meu título de futebol favorito até hoje, produzido pela KCET e publicado pela Konami Sports: J.League Jikkyou Winning Eleven 2000.

Sem seleções? Sem problemas!

Winning Eleven 4 ficou famoso por trazer as seleções da época, e as escalações eram absurdas. O Brasil, por exemplo, mesmo sem contar com os nomes oficiais dos atletas, trazia: Rogério Ceni no gol; a zaga com Odvan e Júlio César (esse eu já não lembro quem era); Cafu e Roberto Carlos já comandava as laterais; o meio-campo tinha Flávio Conceição, Emerson, Amoroso e Rivaldo; para fechar, o ataque contava APENAS com a dupla Ronaldo e Romário.

Logo, a troca para dessa versão 2000 para apenas clubes nacionais do Japão parecia não ter muita graça para o resto do mundo, mas os fãs de futebol encontraram aí uma porta de entrada para conhecer uma liga diferente das sul-americanas e europeias. Alguns times da J-League, inclusive, ficaram muito famosos por terem jogadores e técnicos brasileiros. É o caso do Kashima Antlers, que teve as presenças ilustres de Zico, Leonardo, Toninho Cerezo, Oswaldo de Oliveira e Paulo Autuori; e Jubilo Iwata, que já teve no elenco Dunga e Adilson Batista.

A lista completa dos times era a seguinte: 

Primeira divisão
  • Kashima Antlers
  • JEF United Ichihara
  • Kashiwa Reysol
  • FC Tokyo
  • Verdy Kawasaki
  • Kawasaki Frontale
  • Yokohama F. Marinos
  • Shimizu S-Pulse
  • Júbilo Iwata
  • Nagoya Grampus Eight
  • Kyoto Purple Sanga
  • Gamba Osaka
  • Cerezo Osaka
  • Vissel Kobe
  • Sanfrecce Hiroshima
  • Avispa Fukuoka
Segunda Divisão
  • Consadole Sapporo
  • Vegalta Sendai
  • Montedio Yamagata
  • Mito Hollyhock
  • Urawa Red Diamonds
  • Omiya Ardija
  • Shonan Bellmare
  • Ventforet Kofu
  • Albirex Niigata
  • Sagan Tosu
  • Oita Trinita
Muitos dos meus colegas de redação aqui no Blast fizeram de tudo para entender RPGs sem tradução, na base de tentativa e erro. Eu não era muito chegado nesse gênero na época, então foi com Winning Eleven 2000 que eu tive a minha experiência de aprender na marra o que cada opção significava.

Além dos clubes licenciados, com direito a uniformes oficiais e elencos completos, também foram incluídos 15 estádios reais. Mas como interpretar isso sem entender o que está escrito na tela? Simples: com a narração. 

O lendário Jon Kabira era a única opção disponível, acompanhado pelos comentários de Kozo Tashima, e parecia que nessa versão do jogo ele narrava com uma empolgação de outro mundo. Fazer um gol de fora da área ou de bicicleta levava ele a uma catarse de tanto berrar e até os nomes dos jogadores eram gritados a plenos pulmões. Eu não entendia nada, mas achava um barato.

Empilhando taças e troféus

Mesmo sem as rivalidades mundiais, uma das minhas coisas favoritas eram os diversos torneios que o jogo tinha, pois cada um deles nos dava um troféu que podia ser visto em uma galeria — e convenhamos que seria muito legal ter esse tipo de coisa novamente, ainda mais com o tanto de ligas e clubes representados de maneira oficial atualmente.

Havia alguns torneios menores, geralmente entre quatro clubes da mesma província ou região, que poderiam ser obtidos após vencer apenas dois jogos, pois era tudo sempre no esquema de chaveamento simples. Também havia uma copa, que podia ser mata-mata direto ou com turno e returno, juntando todas as equipes, lembrando até a nossa Copa do Brasil.

Entretanto, o principal estava na J.League D1, que era jogar turno e returno contra todas as equipes da primeira divisão, e ainda ter partidas da Copa do Imperador entre determinadas rodadas. Também havia a possibilidade de aumentar o caminho para a glória e começar lá da segunda divisão e jogar duas temporadas, a primeira para conseguir chegar na elite e a segunda para se consolidar como a melhor equipe do país — inclusive, foi aqui que me apaixonei por Kashima Antlers, sempre no topo, e Consadole Sapporo, que na época do jogo estava na D2 e atualmente… voltou para a D2, infelizmente.

Após jogar cada torneio e as duas divisões da liga, a missão estava cumprida, certo? Errado! Ainda falta um troféu, que neste jogo se chamava Masters Cup e funcionava como uma pequena Master League. Ela só aparecia após concluirmos a primeira divisão e só podia ser jogada com o time que usamos para sermos campeões. 

Além disso, ela tinha uma característica peculiar: não podia ser jogada no fácil, apenas no médio ou no difícil, e naquela época o médio já era bem casca grossa. Nem se compara aos seis níveis existentes no eFootball atual.

Ao entrarmos na Masters Cup, éramos colocados em um minitorneio com as seguintes potências da época: Manchester United, Arsenal, Juventus, Milan, Roma, Barcelona e — pasmem — Vasco da Gama. Esses clubes não tinham seus nomes oficiais, mas eram facilmente reconhecíveis pelo padrão dos seus uniformes e por seus jogadores mais famosos, como Beckham (United), Henry (Arsenal), Zidane (Juventus), Rivaldo (Barcelona) e Juninho, Romário e Edmundo (Vasco). Vencer no torneio não só garantia a última taça da sua sala de troféus, como liberava essas equipes para serem escolhidas nos amistosos.

Uma peça importante da franquia

Apesar de não ter um grande apelo para o público ocidental, J.League Jikkyou Winning Eleven 2000 foi um importante título na franquia futebolística da Konami. Este título, que foi o quarto da série, foi o primeiro a trazer o Edit Mode, no qual os jogadores tinham a liberdade de personalizar cada equipe, alterar elencos e até criar atletas do zero. Mesmo não tendo uma localização para o inglês, não é difícil achar traduções até mesmo para o português nos dias de hoje, cortesia das diversas comunidades de mods que existem por aí. 

Uma segunda versão do jogo foi lançada no mesmo ano (2000), trazendo elencos atualizados e uma substituição nos comentários, agora feitos por Kenta Hasegawa, lenda da seleção japonesa e do Shimizu S-Pulse. Ela foi batizada de Jikkyou Winning Eleven 2000 2nd. 

Enquanto ambas ficaram restritas ao mercado japonês, a Europa recebeu no ano seguinte  World Soccer Jikkyou Winning Eleven 2000, ou ISS Pro Evolution 2, que trazia 23 clubes europeus — e, inexplicavelmente, o Vasco de novo —, com alcunhas fictícias, mas alguns jogadores eram chamados pelos seus nomes de fato. A versão japonesa tinha como exclusividade a disputa do torneio de seleções sub-23 para as Olimpíadas de Sydney.

Para fechar essa era, ainda seria lançado também em 2001 J.League Jikkyou Winning Eleven 2001, que trazia basicamente as mesmas coisas do jogo anterior com algumas atualizações. Jon Kabira foi mantido na narração, mas agora quem o acompanhava era o ex-jogador Katsuyoshi Shinto.

Aqui foi o ponto final da franquia Winning Eleven para o PS1. O próximo título seria Winning Eleven 5, lançado para o PS2 e agora começando a ficar totalmente focado no Japão, enquanto o resto do mundo recebia sua versão internacional, agora batizada como o primeiro Pro Evolution Soccer. As nomenclaturas específicas seriam unidas somente em 2011, agora com a série sendo chamada mundialmente de PES e, posteriormente, mudando mais uma vez para eFootball, alcunha escolhida em 2020 e que perdura até hoje.

E vocês, jogadores? Já esbarraram em alguma versão de um jogo famoso por acidente e ela acabou se tornando sua favorita? Deixem suas respostas nos comentários e até a próxima!

Revisão: Ives Boitano
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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