Estamos próximos de encerrar as comemorações dos 35 anos de Sonic. Desde Sonic Adventure 2, tivemos títulos de destaque em aniversários importantes da franquia e, embora inicialmente eu tenha ficado chateado por a SEGA não ter nos dado nem um gostinho da próxima grande aventura, agora entendo que isso pode ser por uma boa causa.
Porém, Sonic é uma franquia anual, e a tradição não foi quebrada graças à TECOPARK com SONIC PICO PARK, uma colaboração inusitada entre o puzzle platformer e a franquia do Blue Blur. O que eu via apenas como um tapa-buraco acabou se revelando uma experiência multiplayer interessante e engenhosa.
Entre gatinhos e ouriços (e outros animais)
PICO PARK foi lançado originalmente em 2016, como um puzzle platformer obrigatoriamente multiplayer. Dividido em níveis, o jogo apresenta desafios diferentes a cada etapa, como apertar botões simultaneamente, ajudar os companheiros a alcançar lugares mais altos ou mesmo superar desafios de timing, como pular na hora certa em movimento.
A jogabilidade varia de fase para fase, e há sempre aquela sensação de “caramba, sou um gênio!” quando solucionamos um problema depois de tanto bater a cabeça. O mais interessante é que esses desafios se adaptam à quantidade de jogadores simultâneos, que pode variar de dois a oito.
SONIC PICO PARK resgata muitos desses conceitos, mas adiciona elementos dos jogos do ouriço à mistura. Além da maior velocidade de movimentação, o pulo giratório, o spin dash e até os anéis são utilizados de maneiras criativas.
Por exemplo, há alguns puzzles em que precisamos de um anel para atravessar uma barreira que causa dano, aproveitando o período de invencibilidade após sermos atingidos. Inclusive, existem cenários em que o parceiro que possui um anel precisa receber o dano no lugar de outro jogador sem proteção para evitar sua derrota.
A genialidade de PICO PARK como um todo está no fato de que, muitas vezes, não sabemos o que vem pela frente em termos de mecânicas. A tentativa e o erro fazem parte da experiência, e é muito recomendável que os companheiros tenham paciência uns com os erros dos outros.
A adição do elenco de Sonic apresenta algumas diferenças em relação aos gatinhos coloridos. Personagens que originalmente voam, como Tails e Charmy, ou planam, como Knuckles, mantêm suas habilidades aqui, mas de forma balanceada para facilitar determinadas tarefas sem quebrar a proposta dos quebra-cabeças.
Gostaria que Sonic PICO PARK explorasse ainda mais as possibilidades oferecidas pelas habilidades de cada personagem. Há alguns desafios que nos obrigam a escolher alguém capaz de voar, por exemplo, mas são pouquíssimos, e dava para brincar muito mais com essa ideia. Isso também vale para as fases em que controlamos outros personagens, como Big the Cat e Omega, em desafios específicos que aproveitam seus tamanhos maiores na resolução dos puzzles.
Infelizmente, SONIC PICO PARK não é longo, contando com apenas 45 fases divididas em 15 mundos. O fator replay depende bastante da quantidade de participantes e de com quem jogamos, já que até os modos adicionais, como o de corrida infinita e o de batalha por anéis, acabam ficando enjoativos a longo prazo. A sensação de “quero mais” é praticamente inevitável ao terminar a campanha.
Vale lembrar que o título é obrigatoriamente multiplayer, tanto local quanto online. Podemos definir quantos participantes jogarão de cada maneira, permitindo, por exemplo, sessões com três pessoas locais e cinco online. Também há lobbies públicos para partidas com desconhecidos e, embora a interface seja confusa, a liberdade para organizar as sessões é bastante ampla.
Simplicidade efetiva, mas debatível
SONIC PICO PARK não altera em nada a identidade visual do jogo original, mantendo uma apresentação bastante simples e repetitiva. Tudo é construído com cores sólidas e poucos detalhes, priorizando a legibilidade do level design em vez da estética. Não é feio, mas os cenários vibrantes de Sonic não fazem parte do crossover.
Ao menos, a releitura dos personagens da série no estilo de PICO PARK é muito legal. Eles são cabeçudos e charmosos, e cada um possui sua própria animação de ociosidade. Houve bastante carinho na maneira como suas personalidades foram representadas dentro de um escopo tão limitado.
Infelizmente, a parte sonora não demonstra a mesma personalidade. Toda a trilha é inédita, utilizando instrumentos em estilo chiptune, sem nenhuma releitura de músicas clássicas de Sonic. Talvez isso se deva a questões de direitos autorais, mas não deixa de ser uma pena.
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| Muitas surpresas aguardam os fãs do azulão. |
Uma aventura com gostinho de quero mais
SONIC PICO PARK é um jogo extremamente simples em sua premissa, e é aí que está sua genialidade. Cada desafio traz uma experiência diferente, e incorporar elementos da série do ouriço à fofura dos gatinhos é um adendo bem legal à proposta. Poderia ser maior e apresentar visuais mais condizentes com Sonic, mas temos uma experiência genuína e revigorada de PICO PARK, capaz de agradar tanto novatos quanto veteranos.
Prós
- Cada nova fase traz desafios únicos e twists inesperados, que ficam ainda mais interessantes com as mecânicas de Sonic;
- Multiplayer para até oito jogadores, mudando a estrutura dos desafios de acordo com a quantidade de pessoas;
- Conectividade online personalizável, podendo juntar números diferentes de jogadores online e local ao mesmo tempo;
- Vários personagens de Sonic podem ser selecionados, com alguns deles contendo habilidades exclusivas.
Contras
- Tempo da campanha muito curto, dando uma sensação forte de “quero mais”;
- Embora o visual seja agradável pela simplicidade, poderia conter mais elementos de Sonic;
- Trilha sonora não contempla nenhuma faixa conhecida da franquia do ouriço.
SONIC PICO PARK — PC/PS5/XSX/Switch/Switch 2 — Nota: 8.5Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise produzida com cópia digital cedida pela PICO PARK Inc.












