BGS 2026 hands-on: Persona 4 Revival tem estilo de sobra e encanta na apresentação

A demo traz o charme de Inaba e a overdose de estilo típica da Atlus, mas ainda aparenta ser mais uma releitura fiel do que uma reinvenção.

Poucas séries carregam uma identidade visual tão marcante quanto Persona. Depois de Persona 3 Reload mostrar como a desenvolvedora pretende revisitar seus clássicos, era natural que a expectativa em torno de Persona 4 Revival fosse alta, especialmente para quem guarda boas lembranças de Inaba e do Investigation Team.

Durante a Brasil Game Show 2026, tive 30 minutos com a demonstração do jogo. Foi pouco tempo, mas o suficiente para tirar algumas impressões e levantar algumas dúvidas.

Estilo de sobra

As animações e a direção de arte entregam uma qualidade altíssima. Sem exagero, este é nitidamente o título mais moderno da franquia em termos de apresentação.


Os gráficos são maravilhosos, como era se se esperar do título mais recente da Atlus. A sensação é de que Persona 4 Revival parte da mesma base de Persona 3 Reload: está ali a mesma overdose de estilo na paleta de cores, agora com o toque temático distinto de Persona 4 e o amarelo característico.

Os menus estão espetaculares. Para mim, eles sempre foram um ponto alto da série, e aqui a Atlus parece ter se superado. A direção de arte é impecável, e a criatividade que se sente em cada interface é absurda, transformando algo puramente funcional em parte da experiência.


Rostos dos personagens surgindo em ângulos inusitados, membros do grupo sentados sobre os próprios títulos das telas e uma infinidade de pequenos toques entregam muita personalidade. Mais do que navegar por opções, a sensação é que isso faz parte da jogabilidade, o que entrega uma experiência única a auxilia imensamente na imersão.


Combate familiar

Sobre o combate, a demo não permitiu ir muito longe. Estavam disponíveis apenas algumas batalhas contra inimigos comuns e um chefe, o que é pouco para formar uma opinião aprofundada. Ainda assim, no que pude experimentar, o sistema não pareceu muito diferente do visto em Persona 3 Reload.

Isso não é necessariamente um problema: a base de Reload funciona bem, e quem passou por ela deve se sentir em casa. Mas também significa que, pelo menos nesse primeiro contato, não houve nada que me surpreendesse de fato nas batalhas.


Um momento que merece destaque é o Ataque Total. A transição para o golpe em conjunto se integra de forma muito elegante à interface, como se o próprio menu se transformasse em parte da cena, mantendo a identidade visual estilosa que permeia todo o jogo. A animação também impressiona: cheia de impacto e com um toque dramático na medida certa, ela transforma o fim de cada batalha em uma pequena recompensa visual. É o tipo de detalhe que mostra o cuidado da Atlus com a apresentação, mesmo nos elementos mais familiares da série. 

Fiel demais?

Tecnicamente, Persona 4 Revival é um remake: tudo foi refeito, dos modelos à interface. Ainda assim, nos minutos que pude jogar, a sensação foi de estar diante de uma releitura muito fiel, mais preocupada em modernizar a apresentação do que em repensar a experiência. Não vi, nesse recorte, sinais de que o jogo vá expandir o original ou levar a jogabilidade da série a um novo patamar.

Confesso que senti falta de mudanças mais ousadas, algo que fizesse até veteranos de Persona enxergarem o game com outros olhos. Por outro lado, uma demo de poucos minutos é uma janela pequena para um RPG desse tamanho, e é bem possível que as novidades mais interessantes estejam guardadas para a versão final. Como fã apaixonado da série, fico na torcida para que seja esse o caso. 

Dito isso, saí com a demo com um sorriso no rosto e expectativas altas para o lançamento final. Não posso esperar para explorar Inaba novamente e experienciar esse jogo maravilhoso sob uma nova leitura.



Persona 4 Revival chega em 18 de fevereiro de 2027 para PlayStation 5, Xbox Series X|S e no Steam. A versão para Nintendo Switch 2 está prevista para 20 de maio de 2027.

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Gabriel Cavalcante de Lima
Advogado especializado em Propriedade Intelectual. Fã de JRPGs de carteirinha e estudioso da indústria de games. Siga-me no Instagram
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