Análise: Neon Abyss 2 combina estilo e ação frenética em uma sequência que expande sem reinventar

Mais armas, combinações e o novo modo multiplayer ampliam a experiência, mas não resolvem seus problemas de variedade e balanceamento.

em 07/10/2026

Neon Abyss 2 é a sequência do roguelike de tiro e ação colorido e frenético lançado originalmente em 2020. A nova aventura preserva as armas variadas e combinações absurdas, mas amplia consideravelmente suas possibilidades. A principal novidade está no multiplayer cooperativo para até quatro pessoas, que eleva ainda mais o caos. No fim, temos uma evolução competente, que prefere refinar a fórmula a fazer mudanças profundas nela.

Mergulhando num abismo de cores neon

No jogo, fazemos parte do Grim Squad, uma equipe organizada por Hades para invadir o Abyss e enfrentar os chamados Novos Deuses. A narrativa não passa disso, servindo apenas como justificativa para entrarmos nesse mundo e explodirmos tudo pelo caminho.


Visualmente, o jogo mantém a pixel art vibrante do antecessor, com muitas cores neon, efeitos chamativos e personagens caricatos. A apresentação está mais elaborada nos cenários e efeitos dos combates, embora preserve o estilo exagerado da série. Os maiores destaques ficam por conta dos chefes, que são interpretações curiosas de conceitos modernos, transformados em divindades. A música eletrônica completa esse conjunto, em uma trilha que combina bem com o ritmo acelerado da aventura.

Na prática, Neon Abyss 2 é um roguelike de plataforma, tiro e ação em 2D bem tradicional. Cada partida tem estágios formados proceduralmente, ou seja, com mapas, salas, inimigos e recompensas que variam entre as tentativas. Conforme avançamos, coletamos armas e relíquias para fortalecer o personagem e podemos montar combinações cada vez mais eficientes.


Como acontece nesse tipo de experiência, a morte encerra a partida e nos faz retornar à base, levando apenas parte do progresso permanente conosco. É lá que podemos desbloquear novos itens, personagens e recursos para ampliar as possibilidades das próximas tentativas. A lógica é simples e eficiente, já que cada partida serve para chegar mais longe e descobrir novas combinações. 

Mais possibilidades, mais caos

Neon Abyss 2, em sua essência, é um roguelike que aposta no básico. Os tiroteios são intensos e divertidos, equilibrando nossa habilidade para desviar dos ataques, a agilidade e a qualidade da build que conseguimos montar. Às vezes, o caos visual atrapalha, mas com o tempo, aprendemos a lidar com ele.


Uma das mecânicas que mais gostei permite alterar o comportamento das armas ao cumprirmos determinadas condições. Uma delas, por exemplo, aumenta os projéteis conforme acumulamos granadas, enquanto certas habilidades passivas são ativadas com maior frequência ao coletarmos itens do mesmo tipo. Isso cria uma dinâmica interessante, pois faz com que as armas não sejam simplesmente descartáveis assim que encontramos uma opção aparentemente mais poderosa. Em várias ocasiões, preferi continuar com o equipamento que já tinha porque ele havia se tornado muito eficiente depois de combinar seus efeitos com as habilidades que encontrei.

Também existe uma infinidade de itens para coletar e aprender a utilizar. Parte da graça está na experimentação, já que nem todas as sinergias são evidentes quando encontramos determinado recurso. Algumas só fazem sentido depois que entendemos como os efeitos interagem, enquanto outras produzem resultados inesperados. É uma característica bastante conhecida dos roguelikes, mas Neon Abyss 2 consegue explorá-la bem e criar alguns daqueles momentos em que percebemos que, sem querer, montamos uma combinação muito mais poderosa do que esperávamos.


Os Hatchmons, pequenas criaturas que nos ajudam durante os combates, ganharam novas possibilidades na sequência. Agora, é possível combinar essas criaturas para criar versões mais fortes, adicionando outra camada de estratégia. A ideia funciona, embora dependa da sorte para encontrarmos as criaturas necessárias. É um sistema que complementa bem a construção do personagem e contribui para diferenciar algumas partidas.

A mudança mais significativa, porém, está no multiplayer online cooperativo para até quatro pessoas. Com mais gente em campo, o caos aumenta, mas também surgem novas possibilidades de combinar poderes e habilidades. As partidas ficam particularmente ágeis porque não precisamos permanecer juntos o tempo inteiro e podemos nos separar para explorar diferentes partes do mapa simultaneamente. 

Por fim, o universo do jogo se expande constantemente com novos desbloqueáveis, incluindo salas, armas, personagens e até mecânicas. Há bastante coisa para liberar, mas o ritmo lento dos desbloqueios deixa as primeiras horas mais simples do que eu gostaria.



Perdendo-se nas graças do acaso

Como roguelike, Neon Abyss 2 faz o básico bem e apresenta algumas ideias próprias interessantes. O problema é que certos detalhes impedem que essa estrutura seja mais consistente.

O balanceamento é um dos pontos que mais me incomodaram. No meu tempo com o jogo, passei pelos dois extremos. Em uma partida, consegui uma combinação extremamente poderosa logo no início, tornando tudo trivial. Em outra, recebi uma seleção tão ruim de itens, que avançar se tornou enfadonho. A aleatoriedade faz parte da proposta, mas faltou equilíbrio para evitar que a qualidade da partida dependesse tanto do que encontramos.


A variedade de situações também não é um destaque. Os estágios são bastante parecidos, há poucas surpresas na exploração e a seleção de inimigos poderia ser maior. Há algumas tentativas de amenizar isso, como modificadores de dificuldade e o sistema de Fé, que oferece recompensas de acordo com determinadas ações. Podemos, por exemplo, usar cristais ou receber dano propositalmente para liberar uma loja especial. Na prática, porém, esse sistema teve pouco impacto: não encontrei motivos para mudar meu estilo de jogo em busca dessas vantagens.

A localização para português é suficiente, mas a explicação dos termos e sistemas deixa bastante a desejar. Em alguns momentos, as descrições são imprecisas e chegaram a me induzir ao erro sobre certas mecânicas. Há conceitos que também demoram para fazer sentido porque não são explicados adequadamente, e senti falta de um glossário ou de algum recurso que reunisse essas informações de maneira mais acessível.


Por fim, existe uma quantidade grande de grind para liberar tudo o que Neon Abyss 2 oferece. Desbloquear equipamentos e personagens faz parte da estrutura, mas alguns recursos interessantes ficam escondidos atrás de um progresso demorado demais. Algumas mecânicas importantes só aparecem depois de algum tempo, dando a impressão de que jogamos uma versão limitada durante as primeiras horas. Considerando a quantidade de sistemas, eu preferiria ter acesso a uma parte maior deles mais cedo e deixar o restante para aprofundar a experiência.



Um abismo frenético, mas familiar

Neon Abyss 2 acerta principalmente naquilo que tornou o primeiro jogo divertido. O combate é rápido, as combinações rendem boas possibilidades e o multiplayer muda a dinâmica das partidas. Por outro lado, o balanceamento irregular, a variedade limitada de situações e o excesso de grind impedem que toda essa quantidade de conteúdo resulte em uma experiência mais consistente. No fim, Neon Abyss 2 prefere expandir a fórmula a revolucioná-la. É um roguelike agradável e divertido, mas pouco ousado para quem esperava uma evolução mais profunda em relação ao primeiro jogo.

Prós

  • Combate rápido e divertido;
  • Boas possibilidades de combinações e variedade de itens;
  • Multiplayer cooperativo para até quatro pessoas;
  • Visual em pixel art vibrante e atmosfera bem construída.

Contras

  • Balanceamento irregular entre as partidas;
  • Variedade limitada de estágios e inimigos;
  • Necessidade de grind para liberar conteúdo.
Neon Abyss 2 — PC/PlayStation 5/Xbox Series/Switch — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PC

Revisão: Julia Loffreda Costa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Vewoo Games
OpenCritic
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Farley Santos
é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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