Masahiro Sakurai fala sobre criatividade e uso de IA na indústria de jogos

Criador de Smash Bros. e Kirby alerta para o aumento de jogos genéricos com IA e destaca a importância da originalidade no desenvolvimento de games.

em 22/10/2026

Masahiro Sakurai, criador das franquias Smash Bros. e Kirby, concedeu recentemente uma entrevista ao portal Denfaminicogamer. Na ocasião, ele foi questionado sobre sua percepção a respeito do aumento no número de jogos lançados.



Quando criou o Game Designers Award, em 2010, cerca de 275 jogos foram adicionados ao Steam naquele ano. Hoje, esse número chega a aproximadamente 19 mil títulos anuais, segundo o contexto apresentado na entrevista.

Sakurai respondeu que esse número tende a crescer ainda mais no futuro, impulsionado pelo uso cada vez maior da inteligência artificial (IA). Segundo ele, isso resultará em uma enxurrada de clones e cópias:
“Acho que 19 mil títulos é um número impressionante, mas acredito que esse total vai crescer ainda mais daqui para frente. Tenho certeza disso, porque a IA vai impulsionar esse aumento. No entanto, creio que a maior parte desses títulos será comercialmente inviável. Simplesmente haverá tantos jogos que será impossível acompanhar — ou até mesmo compreender — tudo o que é lançado.

No que diz respeito a jogos gerados por IA ou àqueles produzidos em massa com pouco cuidado, acredito que a maioria apenas replicará sistemas que já vimos em outros títulos. Já existem muitos exemplos disso hoje em dia."
Em seguida, Sakurai usou o jogo Librarian: Tidy Up the Arcane Library para explicar melhor o que vem acontecendo no mercado:
“Há algum tempo, surgiu um jogo chamado Librarian. Não tenho certeza se era uma ideia original, mas creio que o título em japonês era The Librarian’s Job.

É um jogo ambientado em um mundo onde a magia existe. Nele, todos os livros de uma biblioteca foram derrubados, e você precisa colocá-los de volta em ordem. A mecânica básica é bem simples, não é? Por isso, como era de se esperar, surgiram várias imitações.

De repente, surgiram todo tipo de jogos baseados em ideias semelhantes: o supermercado virou uma bagunça, então vamos colocar todos os produtos de volta no lugar; vamos colocar os parafusos de volta onde devem ficar; ou vamos encontrar uma agulha no palheiro. Eles também se encaixam no gênero de jogos de quebra-cabeça, mas esse tipo de imitação deve ser extremamente fácil de produzir por uma IA.”
Sakurai acrescentou que, à medida que a IA se tornar mais versátil na replicação de conceitos de jogos, será cada vez mais importante que os desenvolvedores criem ideias originais e inovadoras. Afinal, segundo ele, a tecnologia não é necessariamente capaz de produzir algo genuinamente inédito.
“Suponha que a IA se torne capaz de criar todo tipo de jogo. Ela poderia, por exemplo, estudar a atmosfera das obras de Fumito Ueda e produzir algo semelhante a Ico ou Shadow of the Colossus. É bem possível que vejamos isso acontecer no futuro.

No entanto, a IA não seria capaz de criar o tipo de jogo que o próprio Ueda planeja desenvolver futuramente. Só ele pode definir qual rumo artístico seu próximo trabalho tomará. Acredito que é exatamente isso que compõe a ‘originalidade’ — algo que apenas os seres humanos possuem.

Em essência, a IA se baseia no que ‘já foi criado até hoje’, mas não consegue conceber ‘coisas que nunca existiram antes’. E creio que o mesmo se aplica a todo tipo de produção criativa, não apenas àquelas geradas por IA.

Talvez não seja apropriado chamar essas pessoas de ‘pioneiras’, mas aqueles que se aventuram em territórios inexplorados — indivíduos que compreendem e são capazes de criar algo com um estilo próprio e único — tornar-se-ão cada vez mais importantes. Acredito que isso seja especialmente verdadeiro em uma era marcada por tanto conteúdo de baixa qualidade produzido em massa.”

 Fonte: Video Games Chronicle

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Felipe Vieira
Formado em publicidade, amante de cultura pop, amo o universo nerd e geek e fã de musica pop. Provavelmente eu vou te mostrar tudo isso junto e misturado. Pode procurar por @felipeabody nas redes sociais pra gente trocar uma ideia.