Impressões: Theos: Cities Of Myth une deuses gregos e gerenciamento de cidades de forma promissora, mas ainda confusa

A versão tem grande potencial com suas escolhas ligadas a divindades, mas tropeça em tutoriais confusos e na falta de clareza de seus menus.

em 13/10/2026

Theos: Cities Of Myth
é um jogo de gerenciamento e desenvolvimento de cidades com a proposta de trazer a mitologia grega como o centro de suas mecânicas, dando uma camada de complexidade um pouco maior para o gameplay. A versão demo nos coloca em duas empreitadas distintas: desenvolver uma cidade tendo como referência a deusa Atena e outra com seu irmão, Dionísio. Nas poucas horas disponíveis para jogá-lo, foi possível ver que há muito potencial para ser explorado na jogabilidade, mas ainda há muita margem de refinamento nos tutoriais e na interface.

Cada deus uma vantagem

Cities Of Myth é bem direto em sua versão demo e apenas nos contextualiza sobre a sua proposta. Temos a missão de gerenciar todos os pontos do desenvolvimento de uma cidade grega, sendo responsáveis por garantir água, alimentação, cultura, segurança e estrutura. O grande diferencial do título é que, no início da campanha, temos que escolher um deus que nos garante alguns benefícios específicos.




Com a escolha de Atena, a deusa da sabedoria, a benção inicial consiste em dar mais pontos de cultura a partir da construção de escolas de filosofia e maior lucro na venda de azeite de oliva. Já Dionísio, deus grego do vinho e das festas, dá mais eficiência aos itens de decoração das cidades, além de render mais dinheiro na venda dos vinhos. Esses são apenas exemplos mais simples das diferenças, mas há mudanças também em questões militares e de construções também.

As mecânicas de construção são bem tradicionais do gênero, com a possibilidade de construirmos ruas, definir a localização das casas, palácios, templos, decoração, fazendas para gerar alimentos, bombeiros, segurança pública, entre muitas outras opções. A estrutura de planejamento é muito parecida com qualquer outro jogo de construção moderno, mas sempre adaptado para o contexto da Grécia antiga.




À medida que avançávamos na construção do santuário do respectivo deus, novas opções de itens eram adicionados ao catálogo. O avanço da construção se dava na disponibilidade de itens como madeira e mármore, por exemplo. Nisso, o jogo também nos guiava dentro de sua mecânica de comércio, onde matérias que não estão disponíveis para exploração no local podem ser comprados de cidades vizinhas.

Mesmo em uma versão inicial, o aspecto artístico de Theos: Cities Of Myth se destaca positivamente. A qualidade de algumas animações é interessante, sendo possível ver os trabalhadores tomando seus postos e se movimentando pelo mapa com animações únicas, o que permite que o jogador consiga ter uma noção clara de quais serviços estão sendo feitos. Além disso, os elementos de cenário, como casas e paisagens, possuem um estilo semelhante a pinturas, com uma qualidade excelente e um nível de detalhes muito interessante.



Alguns pontos de melhoria

Ao longo das cerca de cinco horas que passei com Cities Of Myth, foi possível ver o grande potencial do título, principalmente pensando que os novos deuses planejados para versão final irão trazer novas dinâmicas para o gameplay. Mas tem algumas coisas que acredito que precisam de uma atenção maior no desenvolvimento.

A primeira delas é o tutorial. Antes de poder começar uma campanha, o jogo nos coloca em mapas simples para nos mostrar a base do desenvolvimento da cidade, começando pela construção das estradas até atender às necessidades básicas da população. Ao saltar para a campanha, a complexidade se torna muito maior, pois há muitas variáveis que não são explicadas direito. Mesmo com um guia implementado no menu, conseguir entender o que eu estava fazendo de errado no jogo não era intuitivo.




Em determinado ponto, precisei resetar toda a campanha para começar novamente e, quem sabe, entender o que havia feito de errado. No fim, tudo deu certo, mas foi uma barreira custosa para começar a entender melhor o jogo. Nesse sentido, vale ressaltar que não há planos para uma localização para português brasileiro, mesmo na versão final. Como há muita coisa para ler e entender, isso pode ser um empecilho caso o jogador não tenha domínio do inglês.

Outro ponto que merece atenção são os menus. Assim como qualquer jogo do gênero, temos uma série de janelas com informações sobre as condições de alimentação, quantidade de trabalhadores, recursos financeiros, acesso à cultura, entre outros. No entanto, não é nada intuitivo navegar por essas janelas ou entender o que as opções de cada uma delas muda na jogabilidade.




Isso recai na necessidade de trabalhar melhor os tutoriais e quaisquer outros guias que forem necessários para orientar o jogador durante a jogatina. Vale ressaltar que a versão que tive acesso foi a 0.2519, ou seja, ainda longe do que vai ser a versão final. Portanto, é possível que todas essas questões estejam sendo revistas para o lançamento da versão final no dia 4 de novembro.

Promissor no conceito, confuso na execução 

No fim, Theos: Cities Of Myth tem muito potencial por adicionar uma camada mais estratégica de escolha de deuses, pois suas questões de construção e gerenciamento são básicas e funcionais. No entanto, a demonstração deixa claro que há muito espaço para melhorias e balanceamento, principalmente na forma que o jogo ensina e detalha informações importantes sobre o desenvolvimento da cidade. Se esses detalhes forem trabalhados até o lançamento, a experiência final tem tudo para agradar os fãs de jogos de construção.

Revisão: Beatriz Castro
Texto de impressões feito com cópia digital cedida pela Dotemu
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Gustavo Souza
é geólogo, entusiasta de tecnologias e apenas mais um mineiro que não vive sem café e pão de queijo. Está sempre com um console portátil na mão e gosta de passar o tempo jogando uma partida de FIFA, cuidando de uma pequena fazenda e dirigindo seu caminhão pelas estradas europeias.
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