Títulos de tiro em terceira pessoa com elementos de sobrevivência, do famoso gênero survival horror, sempre chamam minha atenção. Então, ao me deparar com ANOMALITH, que traz essa proposta com visuais que lembram um anime e aposta em terror voltado para o psicológico, logo tive interesse.
Após o estúdio liberar uma curta demo gratuita, finalmente pude testar o projeto da Furyu Corporation; adianto que, na minha experiência (mesmo sendo rápida, de uma hora ao todo), o jogo conseguiu apresentar seus pontos fortes, como a gameplay, mas também pontos fracos, como os monstros e a narrativa.
Uma história anômala
Anomalith nos ambienta em um Japão futurista, que está passando por uma onda de eventos sobrenaturais chamados anomalias. Essas manifestações podem ser criadas por objetos que modificam áreas inteiras, criando as zonas anômalas infestadas de monstros deformados e acontecimentos que desafiam as leis da física. Para interferir nessa situação, o governo criou uma equipe especializada para entrar nessas zonas, eliminar as ameaças e coletar dados.
Nessa situação, entra a protagonista Reona Minazuki, uma adolescente de dezessete anos. Após participar de sua primeira missão, ela acaba sendo infectada por uma anomalia, tornando-se uma espécie de mutante, mas consegue manter a sanidade. Agora ela deve trabalhar como uma “Dive”, uma espécie de agente de elite do governo, que também entra nesses locais perigosos para resolver a situação.
A demo não explica muita coisa, deixando bastantes lacunas, o que é bom para incentivar certa curiosidade, mas, sinceramente, o que foi apresentado não cativa muito. Principalmente porque a protagonista não é expressiva ou carismática; mesmo ela falando, os diálogos carecem de emoção ou personalidade.
Isso se estende aos demais personagens apresentados na obra; até o momento, não me conquistaram, talvez pela falta de expressividade nas figuras ou nos diálogos, que também não são cativantes. Além disso, o jogo não conta com legendas em português, já dificultando um pouco a recomendação da experiência.
O caso do hospital assombrado
Se a narrativa não me surpreendeu ao menos com o que foi possível ver em uma versão de teste curta, a gameplay me impressionou; ela se concentra inteiramente em um hospital infectado com uma anomalia que está alterando o local e criando monstros.A instituição médica logo me chamou atenção pela sua atmosfera, que simula um ambiente sujo e literalmente anormal, com alguns corredores se estreitando. Todavia, senti que faltaram alguns elementos visuais para deixar essa primeira missão visualmente mais única; alguns trechos são consideravelmente parecidos.
O espaço é limitado, o que obriga você a gerenciar os recursos e pensar no que vale realmente a pena levar. Porém, para que isso não seja deveras injusto, existem pontos seguros pela fase, representados por portais azuis no chão. É possível salvá-los e enviar os recursos coletados para a base principal por meio deles, mas, pelo menos no hospital, não encontrei muito o que ainda exigisse ter cuidado com a quantidade de recursos coletados.
Armas impecáveis e inimigos ruins
Contudo, nem só de coletar matérias se resume a jogabilidade, afinal, o hospital está lotado de monstros. Por sorte, a heroína conta com um arsenal satisfatório à sua disposição: nessa prévia, tive acesso a pistolas, escopetas e submetralhadoras, todas com uma plasticidade impressionante e som expressivamente fidedigno a detalhes, como o barulho dos cartuchos vazios caindo no chão.
A recarga delas também estava muito bem feita; tudo isso genuinamente me surpreendeu. Além disso, quando a personagem vai atirar, a câmera se aproxima, ficando numa perspectiva acima do ombro.Todavia, embora a balística esteja boa, não posso dizer o mesmo das armas em ação; os tiros quase não têm impacto nos inimigos, que às vezes parecem paredes. Você acerta um tiro na cabeça e não sente impacto nisso.
Essa sensação se mantém em armas pesadas, como a escopeta. A diferença é que nela você ainda consegue ver um desmembramento, como um braço sendo arrancado, amenizando um pouco a situação. Falando ainda nos adversários, eles são bem esquecíveis, com visuais deformados que tentam ser algo mais único, mas não conseguem. Suas animações também são bastante travadas; esse detalhe fica mais perceptível quando a personagem vai lutar no corpo a corpo.
Graças aos seus poderes mutantes e à permanência prolongada nesse estado, Reona Minazuki consegue aparar golpes físicos e contra-atacar utilizando seu braço mutado. O problema é a falta de refinamento maior nesses movimentos e também a ausência de uma esquiva, já que a protagonista não consegue fazer isso.
Uma base para chamar de lar
Por último, a prévia apresentou a base principal, que atua como lobby. Nela, é possível conversar com outros personagens, mas o que é interessante mesmo é a possibilidade de poder melhorar os poderes mutantes, criar novas armas e equipamentos diferentes. Curiosamente, em vez de utilizar algo como colete, temos disponíveis roupinhas como jaquetas, uniforme de colegial e acessórios extras, como óculos e outros, tudo dando bônus extras de atributo.
Um jogo com potencial, mas que precisa de mais tempo
ANOMALITH entrega uma amostra promissora, com os pontos mais fortes sendo a jogabilidade, mas também deixa vários alertas. Sua história, ao menos no começo, não cativa. E, no geral, falta polimento maior em tudo, principalmente em algumas animações já citadas. No final, resta aguardar o lançamento completo da obra no dia 28 de outubro para saber se os pontos citados foram arrumados ou melhorados.
Revisão: Julia Loffreda Costa
Texto de impressões produzido com demonstração gratuita disponível na PlayStation Store.









