Ghost of Yōtei: Edição Completa reúne o jogo original e algumas novidades que ampliam a experiência, incluindo uma expansão narrativa e um modo de combate roguelike. São adições interessantes, que aproveitam os elementos já existentes para oferecer novas aventuras e possibilidades de batalha, embora não cheguem a transformar profundamente a experiência. Nesta análise, vou me concentrar no conteúdo inédito, destacando o que cada novidade acrescenta e onde senti falta de um pouco mais de ambição.
Ecos de Sekigahara: fantasmas do passado
Ecos de Sekigahara é uma expansão narrativa que resgata um momento pouco explorado da vida de Atsu. A nova trama começa quando a protagonista aceita uma recompensa pela captura de Nagato, alguém com quem teve uma relação próxima anos antes, durante a Batalha de Sekigahara. O reencontro acaba colocando os dois no caminho dos Víboras, um grupo criminoso que luta pelo controle de uma região de Ezo. Em meio à disputa por riquezas e poder, Atsu precisa lidar com lembranças de uma época em que sua vida poderia ter seguido um rumo bastante diferente.A expansão introduz os Sopés de Ashoro, uma nova região que serve de palco para essa história paralela. Enquanto investigamos as atividades dos bandidos, podemos explorar os arredores, cumprir contratos de recompensa e ajudar a população local, que foi afetada pela violência e pela exploração dos criminosos.
A estrutura é familiar para quem terminou a campanha principal, mas há novidades que ampliam nossas opções durante os confrontos. Entre elas, estão as armas pesadas, que podem ser utilizadas por um número limitado de golpes antes de serem descartadas, e habilidades que permitem, por exemplo, devolver flechas aos inimigos. Também há novos itens e adversários, além de armadilhas espalhadas pelos cenários que exigem mais cuidado durante as aproximações furtivas.
Entre lembranças e terras devastadas
Um dos aspectos mais interessantes de Ecos de Sekigahara é conhecer melhor o passado de Atsu e sua relação com Nagato. Os dois chegaram a desenvolver um vínculo próximo durante a guerra, e os flashbacks revelam uma protagonista que, em determinado momento, chegou a considerar uma vida relativamente normal. É uma perspectiva interessante para alguém cuja trajetória é tão marcada pela vingança, pois nos permite imaginar quem Atsu poderia ter sido se suas circunstâncias fossem outras.Também gostei de ver a Batalha de Sekigahara retratada por meio dessas lembranças, ainda que tenha sentido falta de mais cenas dedicadas ao conflito em si. É uma pena que, no fim, a relação entre os dois acabe sendo pouco desenvolvida durante a expansão. Além disso, a história paralela basicamente não é referenciada na campanha principal, o que reduz o impacto de seus acontecimentos.
Os Sopés de Ashoro também são um dos pontos positivos da expansão. A região mostra como a disputa pelo poder entre diferentes grupos criminosos pode devastar uma comunidade e transformar a paisagem ao redor. Conforme avançamos contra os Víboras, percebemos mudanças nos locais que ajudamos a recuperar, o que dá uma sensação interessante de progresso. Os antagonistas, por outro lado, não têm a mesma imponência e personalidade dos Seis de Yōtei. Ainda assim, considero que cumprem seu papel dentro de uma narrativa menor, que não exige uma ameaça tão elaborada quanto a da campanha original.
Em termos de mecânicas, a experiência é bastante parecida com a aventura principal. Não temos atividades inéditas em quantidade significativa, e boa parte do tempo é dedicada a tarefas que já conhecemos. As armas pesadas e as novas habilidades dão um leve ar de novidade aos combates, enquanto as armadilhas acrescentam algumas dificuldades aos momentos de furtividade. A região também é menor que as demais áreas do jogo, mas vejo isso como um aspecto levemente positivo: o mapa mais compacto concentra melhor as atividades e evita alguns dos espaços vazios que podem aparecer em regiões maiores.
No fim, Ecos de Sekigahara é uma expansão modesta, que não tenta reinventar a fórmula de Ghost of Yōtei. Sua história traz informações interessantes sobre Atsu, mas poderia explorar melhor a relação com Nagato e os acontecimentos de Sekigahara. A nova região é agradável de percorrer, embora a estrutura das missões seja familiar. Com aproximadamente cinco horas dedicadas à trama principal, ou quase o dobro para quem quiser concluir todo o conteúdo, é um bom motivo para retornar ao jogo depois de terminar a campanha.
Mais Procurados: sobreviver a qualquer custo
Já o modo Mais Procurados leva Ghost of Yōtei para uma estrutura roguelike focada nos combates. Nele, escolhemos um alvo e enfrentamos uma sequência de batalhas até chegar ao chefe. Durante as tentativas, coletamos melhorias temporárias que podem mudar nossas possibilidades de combate, mas tudo o que conseguimos nessa etapa é perdido quando concluímos a partida ou morremos. Assim, cada nova tentativa começa do início, e precisamos nos adaptar às opções que aparecem pelo caminho.O modo oferece quatro personagens jogáveis, cada um com seu próprio conjunto inicial de armas e habilidades. Além de Atsu, podemos escolher Oyuki, Nagato e Jin Sakai, protagonista de Ghost of Tsushima. Há também uma progressão permanente entre as partidas: o dinheiro acumulado permite liberar habilidades, amuletos e vantagens que facilitam as próximas tentativas. Aos poucos, essas opções ajudam a tornar os confrontos mais administráveis e permitem ajustar a experiência às nossas preferências.
Acho interessante a ideia de transformar o combate de Ghost of Yōtei em um modo roguelike, e a proposta funciona bem na prática. Os confrontos são rápidos e intensos, exigindo agilidade e decisões rápidas. Como quase sempre estamos cercados por vários adversários, não basta atacar indiscriminadamente: precisamos decidir quem eliminar primeiro e quais ameaças podem ser deixadas para depois. Essa necessidade de priorizar alvos dá um ritmo próprio às batalhas e torna os erros especialmente perigosos.
Outro aspecto de que gostei é a improvisação exigida pelas ferramentas disponíveis. As melhorias encontradas durante as partidas podem criar combinações bem diferentes, e algumas das minhas experiências mais divertidas vieram justamente dessas surpresas. Já encontrei uma lança que soltava relâmpagos ao realizar golpes carregados, um par de katanas que deixava bombas ao atingir inimigos marcados e uma habilidade que fazia lobos atacarem os adversários depois que eu acertava vários deles com uma bomba de fumaça. São possibilidades que incentivam a experimentar combinações, apesar da natureza imprevisível de cada tentativa.
O problema é que Mais Procurados oferece pouca variedade para um modo baseado em repetir partidas. Embora os personagens tenham características próprias e as melhorias possam gerar combinações interessantes, os confrontos acabam se tornando bastante semelhantes, e muitas das vantagens temporárias têm impacto limitado. O início é difícil, mas a progressão permanente e as opções de personalização com talismãs ajudam a equilibrar o desafio com o tempo. Ainda assim, senti falta de surpresas e situações capazes de mudar o ritmo das partidas. A base é divertida, mas a repetição aparece cedo, limitando o quanto o modo consegue nos manter envolvidos.
Um retorno que vale a pena
Ghost of Yōtei: Edição Completa é um bom complemento para um ótimo jogo. Ecos de Sekigahara oferece uma história paralela interessante e uma nova região para explorar, mas seu desenvolvimento narrativo e suas novidades mecânicas são modestos. Já Mais Procurados transforma o combate em uma sequência de desafios intensos e permite experimentar combinações curiosas, embora a pouca diversidade dos confrontos limite sua longevidade.Nenhuma das duas novidades reinventa Ghost of Yōtei, mas ambas oferecem motivos para voltar a Ezo. Para quem já terminou a campanha, a edição reúne conteúdo suficiente para prolongar a experiência, enquanto quem ainda não conhece a aventura encontra uma boa oportunidade para descobrir o jogo com suas principais adições. São complementos que aproveitam bem o que já funcionava, mesmo sem levar a fórmula muito além do que conhecíamos.
Prós
- Expansão narrativa explora o passado de Atsu de forma interessante;
- Novas armas e habilidades ampliam as opções de combate;
- Mais Procurados oferece confrontos intensos e com boas combinações.
Contras
- Ecos de Sekigahara poderia ter história mais desenvolvida e apresentar mais elementos inéditos;
- Mais Procurados tem pouca variedade a médio prazo.
Ghost of Yōtei: Edição Completa — PlayStation 5 — Nota: 8.0
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia digital cedida pela Sony Interactive Entertainment
Análise produzida com cópia digital cedida pela Sony Interactive Entertainment












