Final Fantasy Resonance surge com a intenção de recuperar a essência dos JRPGs clássicos da franquia em uma aventura que combina elementos tradicionais com sistemas modernos. Inspirado em Final Fantasy Brave Exvius, o RPG reaproveita conceitos do antigo jogo mobile e os expande em uma experiência robusta, com exploração recompensadora, combates estratégicos e uma apresentação visual caprichada. O resultado é uma aventura envolvente, que demonstra o quanto a fórmula tradicional ainda tem a oferecer, embora alguns aspectos revelem uma ligação excessiva com convenções do passado.
Em uma longa jornada para salvar o mundo
O equilíbrio do mundo de Final Fantasy Resonance depende de cristais elementais espalhados por diferentes nações. Essa ordem é ameaçada pelo surgimento de The Sworn Six, um grupo sinistro de cavaleiros negros que começa a destruir essas fontes de poder. Diante da ameaça, Rain e Lasswell, cavaleiros do reino de Grandshelt, recebem a missão de impedir os vilões e proteger os cristais restantes. Logo no início da aventura, os dois encontram Fina, uma garota sem memórias que parece ter alguma ligação com o grupo de vilões, dando início a uma jornada repleta de mistérios.Para enfrentar adversários tão poderosos, os heróis contam com as Visions, manifestações espectrais de guerreiros de outras dimensões. Muitas delas representam protagonistas de diferentes jogos de Final Fantasy, que emprestam suas habilidades ao grupo e ajudam a equilibrar as batalhas. A premissa parte de uma estrutura clássica, com a luta entre o bem e o mal e o destino do mundo em risco, mas a trama gradualmente amplia seu escopo, apresentando reviravoltas e conflitos que vão além da ameaça inicial, alcançando proporções impressionantes.
O elenco contribui para o envolvimento com a história. Rain é o herói sempre otimista e altruísta, enquanto Nichol assume o papel do integrante metódico e Lid traz boa parte do humor com seu jeito divertido. São personagens que se apoiam bastante em estereótipos conhecidos, mas a sinergia entre eles funciona muito bem. A alternância entre cenas sérias, passagens dramáticas e momentos descontraídos dá personalidade ao grupo e, quando percebi, já estava envolvido com aqueles heróis e interessado em descobrir o que aconteceria em seguida.
Por outro lado, recorrer à estrutura dos clássicos também traz algumas limitações. Certas reviravoltas e mistérios são previsíveis, o que diminui o impacto de algumas revelações. Já determinados trechos parecem existir apenas para prolongar a aventura: em alguns momentos, a narrativa demora mais do que deveria para chegar ao próximo acontecimento relevante. Felizmente, são problemas pontuais que não comprometem a experiência como um todo, especialmente porque o elenco carismático e a escalada dos conflitos ajudam a manter o interesse.
Mergulhando em um universo recheado de possibilidades
Final Fantasy Resonance recupera a estrutura tradicional dos JRPGs, alternando visitas a cidades, exploração de calabouços e combates por turnos. A diferença está no cuidado com o mundo e na quantidade de motivos para sair do caminho principal. O mapa-múndi esconde rotas alternativas, pequenas surpresas e localidades opcionais, enquanto cidades e calabouços guardam tesouros que nem sempre estão à vista. Alguns segredos são escondidos de maneira engenhosa por meio dos ângulos de câmera, nos incentivando a observar os cenários com atenção em vez de apenas seguir em frente.A variedade de atividades também é bem dosada. Há calabouços mais lineares e missões com objetivos simples, mas outras áreas apresentam quebra-cabeças que exigem interpretar pistas, executar ações em uma ordem específica ou manipular elementos do cenário, como alavancas que ativam plataformas. Esses desafios não chegam a ser complicados a ponto de interromper a progressão, mas acrescentam variedade à exploração e tornam algumas localidades mais interessantes. Gostei especialmente de como o jogo alterna momentos de avanço rápido com pequenas situações que exigem parar e prestar atenção ao ambiente.
O conteúdo opcional é abundante e vai muito além de procurar baús escondidos. Podemos ir atrás dos Espers, as invocações do jogo, cumprir inúmeras missões secundárias, coletar Visions, encontrar equipamentos especiais, enfrentar inimigos poderosos, entre outras atividades. Algumas tarefas são particularmente interessantes por explorarem a personalidade dos heróis ou revelarem detalhes sobre o mundo, enquanto outras se destacam simplesmente por serem divertidas. Essa variedade faz com que a exploração não pareça uma obrigação para prolongar a campanha, mas uma parte importante da experiência.
Outro mérito está no ritmo ágil da aventura. Os marcadores ajudam a localizar os objetivos e a viagem rápida permite retornar a diferentes lugares sem perder tempo com deslocamentos desnecessários. Ainda assim, essas facilidades não tornam o mundo banal, pois muitas atividades são descobertas por acaso enquanto exploramos uma região ou investigamos uma rota alternativa. Por outro lado, há momentos em que a progressão se arrasta com cenas pouco relevantes e tarefas que se resumem a ir de um lugar a outro para conversar com alguém. Felizmente, isso acontece com pouca frequência.
No fim, fiquei impressionado com a quantidade e a variedade de conteúdos. O mundo é divertido de desbravar, há detalhes interessantes espalhados pelos cenários e quase sempre encontramos algum motivo para investigar uma área com mais cuidado. Fiz questão de realizar o máximo possível de atividades paralelas e me diverti durante boa parte desse processo. Para mim, a exploração é um dos grandes méritos de Resonance, pois recupera aquela sensação de aventura dos RPGs antigos sem abrir mão de conveniências que tornam a experiência mais agradável hoje.
Entre turnos calculados e ataques devastadores
O combate segue o modelo tradicional por turnos, com encontros aleatórios durante a exploração. O ponto focal está na mecânica de Stagger, que permite atordoar os adversários para deixá-los vulneráveis a ataques mais poderosos. Explorar as fraquezas acelera o esvaziamento da barra de atordoamento e, quando conseguimos esgotá-la, o inimigo perde sua próxima ação, fica mais suscetível a danos e abre espaço para turnos adicionais. Se todos os adversários forem atordoados no mesmo turno, ativamos o Sweeping Stagger, que concede ações extras ao grupo e permite finalizar a sequência com uma Resonance, um golpe especial devastador ligado a uma das Visions equipadas.Falando nas Visions, elas são fundamentais para a personalização da equipe. Cada personagem pode equipar uma delas, recebendo habilidades voltadas a diferentes estilos de combate, como atordoar inimigos, causar efeitos negativos ou lançar feitiços poderosos. Além disso, determinadas habilidades aprendidas podem ser utilizadas com outras Visions, desde que respeitem os limites de custo. O sistema lembra uma versão simplificada da tradicional mecânica de Jobs, oferecendo liberdade para adaptar os integrantes do grupo sem tornar a configuração excessivamente complicada.
A base do combate é simples de compreender e é divertido encontrar oportunidades para atordoar grupos inteiros e desferir uma sequência de ataques devastadores. Ao mesmo tempo, a personalização permite criar combinações bastante diversas — com um pouco de experimentação, podemos montar personagens capazes de causar danos enormes ou executar sequências complexas de ações em um único turno. Parte da diversão está justamente em descobrir essas possibilidades e tentar "quebrar" o sistema, encontrando combinações que tornam o grupo cada vez mais poderoso.
É nos chefes e nos inimigos opcionais, porém, que o combate demonstra seu maior potencial. Nesses confrontos, explorar vulnerabilidades nem sempre é suficiente, e precisamos montar estratégias específicas para sobreviver. Alguns chefes mudam de fraqueza durante a batalha, enquanto outros apresentam mecânicas próprias, como um tubarão que devora peixes para recuperar vida e ficar mais poderoso. Há ainda adversários que preparam ataques devastadores, obrigando-nos a interromper suas ações antes que destruam o grupo. Os desafios avançados chegam a exigir um planejamento muito preciso, recompensando quem compreende as habilidades disponíveis e sabe combiná-las no momento certo.
Minha principal ressalva está nos confrontos comuns, que às vezes se arrastam mais do que deveriam. Como não há uma opção de batalha automática, precisamos continuar apertando os botões para executar ataques simples, o que se torna cansativo quando enfrentamos muitos inimigos em sequência. Alguns chefes, especialmente nas partes mais avançadas, também possuem tanta vida que as batalhas acabam durando mais do que seria necessário. São incômodos pequenos diante da qualidade do sistema, mas poderiam ser evitados com ajustes no ritmo dos confrontos.
Pixels que dão vida à fantasia nostálgica
Visualmente, Final Fantasy Resonance é um dos exemplos mais impressionantes do HD-2D entre os RPGs da Square Enix. Os cenários são belíssimos e ricos em detalhes, com efeitos de iluminação que contribuem para dar profundidade aos ambientes e valorizar cada localidade. A combinação de cenários tridimensionais com personagens em pixel art funciona muito bem, preservando o charme dos sprites sem fazer o mundo parecer ultrapassado. A principal ressalva está nas cenas não interativas, nas quais os personagens podem ficar um pouco borrados.A apresentação também se destaca nas cenas cinematográficas. A câmera assume ângulos dramáticos, os confrontos são coreografados com cuidado e alguns embates alcançam proporções épicas. O mundo de fantasia reúne elementos tradicionais, como castelos, desertos, cavernas e planícies, mas também incorpora cidades futuristas iluminadas por neon, navios voadores, laboratórios e armamentos tecnológicos. Essa mistura recupera diferentes características visuais da franquia e ajuda a criar uma identidade própria, sem depender apenas de referências ao passado.
A trilha sonora acompanha muito bem essa proposta. As composições combinam piano, cordas e guitarras em melodias que frequentemente fazem referências aos jogos antigos, seja por meio de trechos da icônica "Prelude" ou da tradicional fanfarra de vitória. Os temas de batalha merecem destaque pela energia e pela elaboração dos arranjos, que ajudam a dar personalidade aos confrontos. No conjunto, a música não se limita a despertar lembranças de outros capítulos, mas contribui para construir a atmosfera de uma nova aventura.
A presença de protagonistas de outros títulos da franquia Final Fantasy como Visions também é uma homenagem aos fãs de longa data — é ótimo encontrar versões em pixel art de personagens tão conhecidos integrados à proposta do jogo. As animações dos ataques Resonance são um dos pontos altos, com sequências 3D impressionantes, apesar de destoarem um pouco do visual do jogo. Quem acompanha a série há anos vai se divertir reconhecendo as referências, enquanto quem está chegando agora pode conhecer parte desse legado de maneira natural.
Um JRPG clássico e moderno sem igual
Final Fantasy Resonance é uma aventura envolvente que recupera com competência muitos dos elementos que tornaram os JRPGs clássicos tão marcantes. A exploração recompensa a curiosidade, o conteúdo opcional oferece bons motivos para continuar desbravando o mundo e o combate combina regras acessíveis com possibilidades estratégicas que se revelam conforme avançamos. A narrativa e os personagens também ajudam a sustentar a jornada, enquanto o visual HD-2D e a trilha sonora dão à experiência uma apresentação caprichada.Apesar de alguns trechos arrastados e de alguns confrontos repetitivos, os méritos superam com folga essas limitações. Mais do que depender da nostalgia, Resonance demonstra que a estrutura tradicional da série ainda pode render uma aventura envolvente quando acompanhada de boas ideias e execução cuidadosa. É um RPG que respeita o passado de Final Fantasy sem ficar preso a ele e que recomendo especialmente a quem sente falta de explorar mundos fantásticos e enfrentar desafios por turnos.
Prós
- Mundo vasto e repleto de segredos e atividades opcionais;
- Combate estratégico com boas possibilidades de personalização;
- História envolvente, com personagens carismáticos;
- Ambientação ímpar com visual HD-2D belíssimo e trilha sonora marcante.
Contras
- Alguns trechos da história se arrastam desnecessariamente;
- Pequenos problemas com batalhas repetitivas ou longas demais.
Final Fantasy Resonance — PC/PS5/XSX/Switch/Switch 2 — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Camila Sales
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square Enix
Análise produzida com cópia digital cedida pela Square Enix

















