Análise: Sesame Street: Amigos e Diversão coloca você no bairro mais famoso do mundo para aprender e sorrir

Elmo, Grover e cia. precisam da sua ajuda para organizar uma festa. Uma tarefa ideal para quem está iniciando no mundo dos videogames.

em 27/10/2026
Para você que já sente dor nas costas e joelhos estalando, os nomes Enio, Beto, Garibaldo, Come-Come e Elmo fazem parte de uma infância agora distante, mas que já foi cheia de aventuras no quintal e lições de vida que perduram até hoje. Inclusive, a Vila Sésamo, que começou lá atrás, em 1969, resiste firme e forte como um dos programas infantis mais influentes e duradouros do mundo. Com 56 temporadas, a série já foi mais acessível aos brasileiros, mas ainda pode ser encontrada na TV a cabo e streaming e pela internet.

Claro que, como toda franquia que faz o possível para se atualizar, os fantoches do bairro mais feliz do planeta vieram para os videogames. Sesame Street: Amigos e Diversão nos insere na Vila Sésamo para procurar patinhos, fazer receitas e realizar outras tarefas que ensinam e divertem.

Bem-vindo à Vila Sésamo

Antes de mais nada, é bom deixar claro que este jogo é destinado principalmente a jogadores mais novos, com idades entre 3 e 7 anos, que estão no início da alfabetização. Logo, não irei colocar os elementos deste título no mesmo patamar de outros. A missão de Sesame Street: Amigos e Diversão é educar por meio de tarefas de assimilação, trabalhando tamanhos, números e formas geométricas, além de oferecer outros minigames para que quem está no controle possa interagir com os personagens do local.

Nosso pequeno fantoche-avatar chega à vila e é recepcionado por Grover e Elmo, que, além da calorosa recepção, revelam seus planos de fazer uma festa no bairro. Então, nossa missão é cumprir algumas missões para embelezar o local e acertar os preparativos para a grande celebração. Para nos dar uma ajudinha, Elmo empresta Tango, sua cachorrinha de estimação, para nos acompanhar. Se em algum momento o jogador ficar perdido, é só apertar um botão que ela aparece para nos guiar.

Podemos dividir a jogabilidade em três partes distintas, que conversam muito bem entre si. A primeira consiste em passear pelo ambiente, explorando tudo que for possível. Há instrumentos musicais que podem ser tocados, vasos de plantas a serem preenchidos e frutas para serem colhidas, mas que precisam ser regadas e cuidadas. Tudo isso sempre com comandos simples e mostrados na tela de maneira bem clara.

A segunda diz respeito aos minigames. Em alguns momentos, os personagens nos pedirão para realizar tarefas específicas, mas nada muito complexo. Come-Come e Elmo, por exemplo, nos dão tarefas iguais: em uma, guiamos um carro e, em outra, um foguete, mas ambas têm o mesmo objetivo de coletar objetos. Já Abby é um pouco mais criativa, pois ela precisa que usemos o analógico para desenhar formas geométricas mágicas para ganhar sementes, o que é um pouco mais interessante. Agora, o melhor minigame de todos é o de preparar receitas. Cada uma tem ingredientes diferentes e isso exige uma interação única para cada um, o que é ótimo para o entendimento das crianças sobre cada coisa ter sua maneira de ser manejada.

A terceira e última é mais simples e está relacionada aos desafios do Grover. Existem diversas caixas com o rosto dele espalhadas pelos cenários, todas elas contendo um enigma. Essa parte funciona de maneira mais simples, bastando mexer o direcional e escolher a opção correta.

Dada a natureza educativa do jogo, os textos em português são muitíssimo bem-vindos, mesmo que muitas frases sejam repetidas exaustivamente, principalmente após concluir algum desafio. No geral, a mecânica simples e com muitas indicações funciona como um gigantesco livro de atividades interativo, e isso sempre conversa muito bem com jovens jogadores não só pelas tarefas do jogo em si, mas para trabalhar sua coordenação motora com os botões do controle e a leitura com os balões de fala de cada personagem.

A única coisa que me pegou um pouco é que o áudio parece desbalanceado, mesmo alterando os níveis de volume. Isso é perceptível quando a música ambiente está mais branda e, do nada, o Elmo solta uma frase na altura equivalente à do carro da pamonha. Sei que ele sempre está empolgado, mas aí ele passou um pouquinho do limite.

Também vale notar que, mesmo sendo infantil, quanto mais maduro o jogador, mais repetitivas as missões podem se tornar, ainda que a aventura seja bem curtinha. Se alguns minigames não fossem idênticos, como o caso que citei acima ou alguns dos desafios do Grover, talvez essa questão não fosse tão aparente.

Cores, sorrisos e personalidade

Conhecendo jogos infantis, eu particularmente não esperava um ambiente tão detalhado assim, mas Sesame Street: Amigos e Diversão realmente se deu ao trabalho de fazer o possível para caprichar em cada detalhe. Na televisão, o show acontece sempre com cenários estáticos em estúdios, então foi bem interessante ver vários lugares icônicos integrados no mesmo mapa, e ainda há espaço para a nossa casinha.

Podemos visitar o ninho do Garibaldo, as latas de lixo do Oscar, o edifício 123, a lavanderia, o jardim da Abby, o castelo do Conde de Contar e a banca de jornal, só para citar alguns. Também temos atividades em uma praça e em um parque de diversões, que funcionam como diferentes atos da aventura.

As cores chamativas e vibrantes realmente evocam a alegria da Vila Sésamo, tudo embalado por musiquinhas leves. Não dá para negar que isso faz qualquer criança se sentir parte do elenco de personagens. Só seria ainda melhor se todos pudessem cantar juntos de vez em quando, mas aí é mais minha criança interior falando do que um defeito de fato.

"Todo dia é dia, toda hora é hora. De saber que este mundo é seu... Se você for amigo e companheiro, com alegria e imaginação!"

Sesame Street: Amigos e Diversão pode até ser um jogo voltado para uma parcela bem específica de jogadores, mas não deixa de fazer um bom trabalho, aliando entretenimento e atividades educativas. Ter um título totalmente voltado para o público infantil e com personagens marcantes sempre é uma boa pedida, mas até os mais velhos podem acabar se sentindo atraídos pela nostalgia da Vila Sésamo.

Prós

  • Os minigames trazem atividades educativas de assimilação e repetição;
  • A cidade do jogo conseguiu juntar de maneira criativa os cenários icônicos da Vila Sésamo;
  • Visual com cores vibrantes e vários indicadores de fácil leitura.

Contras

  • Alguns minigames e desafios são repetitivos;
  • O áudio fica desregulado em alguns momentos;
  • Pode ser um pouco repetitivo para crianças um pouco mais velhas.
Sesame Street: Amigos e Diversão — PC/PS4/PS5/Switch/XSX — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Heloísa D'Assumpção Ballaminut
Análise feita com cópia digital cedida pela Outright Games
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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