Há 20 anos nascia uma das franquias que marcaram a geração do Xbox 360 e redefiniram o conceito de ação nos videogames. Gears of War tornou-se referência em um dos consoles mais populares da época e fortaleceu a jogabilidade cooperativa local, quando começávamos a trocar a companhia de alguém no sofá por um nome de usuário na internet.
Em 2026, Gears of War: E-Day chega como uma fênix, não por acaso o sobrenome de seu protagonista. O título revive a gameplay em grupo, entrega uma das aventuras mais intensas do ano e mostra que, em alguns casos, o tempo melhora o que já conhecíamos.
Esta análise foi dividida em duas partes. Nesta primeira, exploramos a campanha de E-Day, que apresenta as origens da franquia e já pode ser acessada a partir de hoje por quem adquiriu a edição premium. O lançamento oficial é em 6 de outubro. Como o modo multijogador não estava disponível durante o período em que jogamos, ele será abordado em uma análise complementar na próxima semana.
O Dia da Emergência
Gears of War: E-Day é uma prequela da série. Ele retrata o fatídico Dia da Emergência, ocorrido 14 anos antes dos acontecimentos de Gears of War (2006), quando o mundo foi invadido pela ameaça subterrânea dos Locust e deu início à guerra pela sobrevivência da humanidade.
A história apresenta versões jovens da dupla de protagonistas mais importante da franquia: Marcus Fênix e Dominic "Dom" Santiago. Marcus é sargento da Coalizão dos Governos Ordenados (COG). Dom é soldado e irmão mais novo de um falecido amigo de armas de Marcus. Os dois se encontram em uma cerimônia militar em Kalona, após uma importante operação, e decidem passar a noite na cidade antes de seguirem caminhos separados. Eles ainda não sabem que aquele momento mudaria para sempre não apenas suas vidas, mas também as de toda a humanidade.
Tremores estranhos começam a sacudir a cidade até que buracos se abrem no chão e de lá saem criaturas monstruosas, sedentas de sangue e movidas por um único objetivo: matar. Durante o ataque, Marcus e Dom se unem a duas pessoas. Lucas Reyes é um recruta alistado há pouco tempo na COG, ingênuo em combate, porém astuto com tecnologias de comunicação. Mags Carter é uma veterana afastada, que trabalhava na extração de Emulsão, importante recurso energético para a sociedade de Sera, o planeta onde se passa a série.
Marcus e seu grupo sobrevivem à caótica noite em Kalona e encontram outros Gears, que iniciaram uma operação de contenção e resgate para enfrentar a ameaça e salvar o maior número possível de civis. O dever rapidamente recoloca Marcus na ativa, e ele passa a liderar o esquadrão Bravo ao lado de seus novos aliados na luta contra os Locust, no evento que daria início à guerra da humanidade contra a extinção.
Kalona: sítio, guerra, destruição e desespero
E-Day concentra seus acontecimentos em Kalona, uma das principais metrópoles da Coalizão. A campanha, dividida em cinco atos, coloca o jogador no comando do esquadrão Bravo em missões de alto risco por uma cidade arruinada e sitiada, onde cada passo pode ser o último na busca por respostas e sobreviventes.
Ao longo da história, Marcus, Dom, Lucas e Mags trocam experiências de vida enquanto enfrentam a ameaça crescente. Conforme a história avança, o esquadrão faz descobertas aterrorizantes sobre o inimigo e faz o possível para cumprir seus objetivos, à medida que a esperança de vitória lhe é arrancada aos poucos.
Os Locust são inimigos impiedosos e brutais. Com o avanço da história, surgem unidades maiores e mais agressivas, que exigem cada vez mais preparo e habilidade do jogador. Para enfrentá-los, elementos que se tornaram marcas da jogabilidade da série estão mais refinados do que nunca: o uso de coberturas nos intensos tiroteios e o criativo arsenal à disposição de Marcus e seu grupo.
Um dos destaques é a criação do icônico Lancer, um dos símbolos da franquia. Na história, o equipamento nasce como um improviso para tornar o combate corpo a corpo mais eficiente contra os novos inimigos. O Proto Lancer, que mais tarde se tornaria a marca registrada da franquia, é sem dúvida uma das armas indispensáveis durante as missões.
Rifles de precisão, lançadores de granadas, metralhadoras de grosso calibre e até arcos de projéteis explosivos completam o agressivo arsenal dos Gears no conflito. Um dos principais elementos de progressão está na busca por peças de modificação para essas armas. Os ajustes variam conforme novas áreas são desbloqueadas e mais peças são obtidas, seja em contêineres, seja ao concluir missões opcionais pela cidade.
Esse sistema dá ao jogador liberdade para montar o equipamento de acordo com seu estilo. É possível priorizar a economia de munição, ativar bônus temporários de dano ou tornar a arma ofensiva ao máximo com peças que elevam o dano de forma considerável.
A armadura e os itens de apoio também fazem parte do arsenal. Eles oferecem melhorias individuais ou para o esquadrão e permitem configurações táticas que favorecem o jogador, sozinho ou em grupo, além de opções contra os inimigos, como distrações ou dano adicional.
Liderando um esquadrão, real ou não
A cooperação é outro ponto de destaque, mesmo no modo solo. Toda a dinâmica de Gears of War foi pensada para a atuação do esquadrão em combate. Em E-Day, quando o jogador controla um dos Gears e a inteligência artificial comanda os demais, essa dinâmica funciona de maneira satisfatória.
Nos embates, ao recarregar armas ou sinalizar inimigos específicos, os aliados agem como esperado: dão fogo de cobertura ou priorizam os alvos indicados pelo jogador, por exemplo. Quando o jogador é abatido, pode se arrastar até um canto seguro para facilitar o resgate por um aliado, que o reanima para que volte à luta.
São ações básicas, mas dão uma boa ideia de como a cooperação continua importante na gameplay da série. Com outros jogadores, a experiência tende a ser ainda mais dinâmica, por motivos óbvios: é possível conversar com o esquadrão e organizar táticas, como fogo concentrado e flanqueamento simultâneo por mais de um lado.
No PC e no Xbox Series, a campanha pode ser jogada em modo cooperativo online por até quatro pessoas, que assumem os papéis de Marcus, Dom, Lucas ou Mags. O suporte a jogo cruzado entre PC e console facilita ainda mais a busca por parceiros.
No console, o clássico modo de tela dividida continua disponível e permite jogar no sofá com um amigo. No PC, o recurso não está presente, possivelmente por motivos técnicos ou pela cultura da plataforma, em que se costuma jogar sozinho.
Já que mencionamos o PC…
Em contrapartida, no PC a experiência tende a ser mais rica em detalhes e customização, graças às tecnologias da plataforma. Esta análise foi feita no PC e, como já havíamos constatado nas prévias de julho e agosto, a otimização merece elogios.
Hoje, até títulos exclusivos de console podem apresentar desempenho irregular, e a otimização no PC é um tema cada vez mais recorrente. Em E-Day, a equipe da The Coalition cumpriu bem a tarefa: mesmo com a exigente (e por vezes temida) Unreal Engine 5, nossa experiência foi tranquila no aspecto técnico.
Nossa configuração supera por pouco os requisitos recomendados: Ryzen 7 5700X, RTX 5060 Ti de 8 GB e 16 GB de RAM DDR4. Jogamos em Full HD, com predefinição gráfica em Alto, DLSS 4.5 em modo dinâmico e geração de quadros ativada. Nessa configuração, a experiência foi ideal, sem engasgos aparentes nem quedas significativas de desempenho, mesmo nos momentos de ação mais intensa.
Ainda assim, para aproveitar a qualidade cinematográfica e a ação fluida que o jogo merece, é necessário um PC bem configurado e uso das novas tecnologias de renderização. Com tudo isso, é coerente afirmar que Gears of War: E-Day entrega uma das experiências mais satisfatórias do ano e é uma recomendação sólida para veteranos e novatos na franquia.
Gears of War: E-Day cumpre bem o papel de retorno às origens. A campanha de cinco atos em Kalona apresenta os primeiros momentos da guerra contra os Locust com ritmo intenso, refinando as táticas de cobertura e o arsenal que marcaram a série juntamente a um sistema de modificações que dá mais personalidade ao combate.
A cooperação segue no centro do projeto: funciona de forma satisfatória com aliados controlados pela inteligência artificial e deve render mais com um esquadrão humano, em até quatro jogadores, com jogo cruzado e tela dividida no console.
No PC, a otimização é o destaque, já que a Unreal Engine 5 rodou sem engasgos em uma configuração intermediária. Restam ressalvas: a ausência da tela dividida no PC, a inteligência artificial dos aliados limitada a ações básicas e a necessidade de hardware e tecnologias modernas para a experiência ideal.
A história que, convenhamos, começou a tomar rumos pouco inspirados depois da trilogia original com os episódios 4 e 5, optou por voltar às origens com seus personagens mais icônicos em uma história que era apenas conhecida pela comunidade da série, e que finalmente está sendo retratada para mostrar como tudo começou. É um feijão com arroz muito bem feito que satisfaz a vontade de jogar Gears indo além da jogabilidade.
Se seu foco é apenas a campanha, E-Day é uma recomendação fácil para veteranos e especialmente para quem nunca teve contato com a franquia antes. Na próxima semana traremos a análise do ambiente multiplayer, que complementa a experiência em sua totalidade e adiciona o elemento competitivo ao pacote.
Prós
- Campanha intensa, com tom cinematográfico, que apresenta as origens da franquia;
- Aspectos clássicos da jogabilidade, como coberturas e arsenal refinados;
- Sistema de modificações de armas que permite adaptar o estilo de jogo;
- Cooperativo online para até quatro pessoas, com jogo cruzado entre PC e console;
- Aliados controlados pela inteligência artificial atuam de forma satisfatória no modo solo;
- Otimização elogiável no PC, com ótimo desempenho, mesmo com a Unreal Engine 5.
Contras
- Recurso de tela dividida ausente na versão para PC;
- O comportamento dos aliados ainda é limitado a ações básicas ao jogar no modo solo;
- Uma experiência ideal no PC exige configuração de nível intermediário e uso de tecnologias como DLSS e geração de quadros.
Gears of War: E-Day (Campanha) — PC/XSX — Nota: 8.5Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Thomaz Farias
Análise produzida com cópia digital cedida pela XBOX Game Studios




