Análise: Order of the Sinking Star é uma colisão de enigmas complexos feita de maneira organizada e criativa

Apesar de alguns deslizes técnicos, este é um título que traz puzzles de alto nível, para quem realmente gosta de desafios bem estruturados.

em 07/10/2026
Não é de hoje que projetos que foram cancelados ou adiados no passado acabam dando origem a outras coisas mais elaboradas. Order of Sinking Star usou quatro jogos gratuitos encontrados na internet como esqueleto e acabou criando um grande conglomerado de quebra-cabeças complexos e que unem mecânicas distintas para se tornar um grande playground para os viciados por enigmas bem construídos.

Puzzles Cardeais e Colaterais

A Thekla, estúdio por trás de Order of the Sinking Star, usou como base os seguintes títulos:
  • Stones to Lonely Homes, de Alan Hazelden
  • Mirror Isles, de Alan Hazelden
  • Heroes of Sokoban, de Jonah Ostroff
  • Promesst, de Sean Barrett
Apesar de ter essas inspirações, houve também um grande trabalho da equipe de criação para reconstruir as fases e dar uma nova cara para elas. Por trás desse time estava Jonathan Blow, a mente criadora de Braid, que foi um dos primeiros queridinhos dos indie games. Então já era de se esperar que o resultado fosse ser algo bem detalhado e grandioso.

Cada um destes jogos virou uma espécie de mundo único e que pode ser navegado livremente pelo mapa central, sendo que cada direção possui sua característica distinta: o Norte mostra a interação de mais de um personagem com cristais, que devem ser movimentados. Enquanto um pode empurrar, outro pode puxar, um terceiro troca de lugar instantaneamente com eles, e por aí vai. À medida em que progredimos para o norte, temos que revezar as habilidades de todos eles para liberar as passagens necessárias.

O Leste guarda enigmas com espelhos. Eles servem para nos teletransportar em 90 graus, sempre levando em consideração a nossa distância em relação ao objeto. Alinhar mais de um espelho para um mesmo ponto acaba multiplicando o personagem dessa área e então temos que lidar com o controle de mais de um personagem ao mesmo tempo, e em alguns enigmas é necessário utilizar até três cópias do viajante em questão para passar de fase.

No Oeste estão raios coloridos. O explorador dessa área precisa acioná-los com cristais e eles o ajudam a se locomover pelo espaço de diferentes maneiras: um ajuda com teletransporte, outro dando força para empurrar rochas; um terceiro nos permite atravessar paredes, mas apenas em linha reta. Também é possível cruzar os raios para utilizar mais de um efeito por vez.

Por fim, o Sul nos coloca em um ambiente litorâneo no qual empurramos pedras no mar para que elas quiquem na água e acionem vitórias-régias pelo caminho, e essas servirão de plataformas para progredirmos. Entretanto, algumas correntes marítimas podem carregar as pedrinhas para longe, então é necessário calcular bem a posição delas.

A jogabilidade dinâmica (que é baseada apenas em movimentar os personagens pelas fases e, quando necessário, utilizar algum botão de ação) é dinâmica e prioriza o pensamento veloz. É possível também voltar alguns passos ou reiniciar toda uma área rapidamente.

Além de vivenciar esses quatro ambientes distintos, há momentos-chave nos quais eles se fundem, e isso torna Order of the Sinking Star ainda mais intrigante. Ao todo são mais de 1000 puzzles diferentes, o que torna este título um banquete para quem gosta de enigmas complexos e com soluções criativas. 

Após progredir e desbloquear novas áreas, logo começamos a encontrar pontos onde os países se fundem, o que traz uma amálgama de duas mecânicas. Essa interação não é somente funcional, mas estética também, já que eram ambientes então separados em uma espécie de fronteira temporal.

Navegar pelo mapa também envolve desvendar enigmas, como ativar chaves, desviar de inimigos e mover pedras, mas em menor escala. Tudo o que fazemos nas fases é levado para o mundo aberto, servindo como se fosse uma dica do que encontraremos pelo caminho.

Por fim, somos incentivados a todo momento a não manter uma linearidade de resolução. Podemos abandonar qualquer fase, seguir em outra direção e depois retornar ao que deixamos e continuar do ponto em que paramos.

Todos esses elementos tornam, sem sombra de dúvidas, The Order of Sinking Star um dos melhores e maiores jogos de puzzles da atualidade. Sua complexidade pode até dar uma assustada nos jogadores mais jovens, mas recursos não faltam para que as diferentes mecânicas sejam assimiladas em fases isoladas para que possa depois, progressivamente, lidar com todas juntas.

O que toda essa galera está fazendo aqui mesmo?

Se no desafio o jogo se garante bem, na hora de colocar uma história para “amarrar” os acontecimentos, temos algumas derrapadas técnicas. Antes de mais nada, como recebi Order of the Sinking Star para análise antes de seu lançamento oficial, alguns dos problemas que citarei talvez já estejam corrigidos, mas ainda assim eles valem ser mencionados.

Há um trabalho muito bom de dublagem para cada um dos personagens. Sejam os heróis do Norte, o aventureiro do Oeste ou até a protagonista que transita pelo mapa, todos têm vozes bastante características, mas nem sempre a legenda dá o ar da graça. Por mais que os textos estejam localizados em português, eu notei que apenas as fases do norte estão devidamente legendadas.

No mais, se torna muito comum os diálogos começarem e terminarem sem nem percebermos direito, e quem não domina a língua inglesa de ouvido pode acabar perdendo algum tipo de contexto. Mas qual tipo? Bom, aí está outra questão. Demora muito para a história engrenar, ao ponto de ela ir se tornando esquecível. Além dos diálogos sempre indo pela linha do “sou o fulano e vim parar aqui por causa disso”, há também alguns audio logs espalhados pelo mapa que tentam retratar uma espécie de análise ou estudo do que está acontecendo, mas que demoram bastante para tentar se conectar ao que acontece nas regiões.

Seria bastante útil se esses áudio logs e conversas pudessem ser reunidos e armazenados em uma opção do menu. Isso inclusive adicionaria uma camada de colecionismo, dando uma utilidade a mais para eles além de tentar contar a história. Também seria de extrema importância se isso revelasse o perfil dos heróis em questão, pois no meio de tanto falatório sem legenda, é vital ter o que consultar vez ou outra, nem que seja só pela curiosidade.

Por fim, ainda falando de ausências, há momentos durante os quais os elementos sonoros somem. Isso fica mais evidente ao jogar as fases dos heróis do Norte, principalmente com a barda. Por motivos óbvios, sempre que estamos no controle dela, o bandolim começa a tocar enquanto ela se movimenta. Há fases nas quais a canção some e só retorna se saímos e entramos de novo, mas também há estágios nos quais não há nenhum acorde sequer.

As horas passarão sem você nem perceber

Order of the Sinking Star é um puzzle massivo e muito recomendado para quem gosta de desafios em série. A ambientação distinta das quatro nações, com adição das as mecânicas únicas que vão se fundindo com o avanço da aventura, é um atrativo forte que irá te fazer perder a noção do tempo de tanto jogar. As questões sonoras e as legendas são problemas pontuais que podem ser corrigidos futuramente, mas a maneira como a história é apresentada poderia ser um pouco mais direta ao ponto, para não quebrar o ritmo de progressão nas fases.

Prós

  • A quantidade e criatividade das fases é excelente;
  • A ideia de criar quatro áreas com mecânicas separadas para depois misturar e criar novos puzzles é muito bem executada;
  • O visual único de cada região também é bem definido e quando misturado com outro cria composições interessantes.

Contras

  • A história demora para engrenar e chega a se tornar esquecível em certos momentos;
  • Ausência de legendas em alguns diálogos;
  • Há momentos em que elementos sonoros somem.
Order of the Sinking Star — PC/PS5/Switch 2 — Nota: 8.0
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela Arc Games
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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