Análise: Moonlighter 2: The Endless Vault é uma grande evolução do antecessor, mas não em tudo

O novo jogo adota o 3D para apresentar um mundo graficamente lindo, mas uma jogabilidade cansativa.

em 04/10/2026
A cada ano, os jogos roguelike procuram formas de inovar a sua fórmula dominada por repetição. Em muitos deles, o jogador é desafiado a cuidar de trabalhos paralelos que quebram a rotina de invadir dungeons, morrer e retornar.


Em 2018, Moonlighter foi lançado como um roguelike comum. Em sua história, fomos apresentados a Will, um mercador da cidade de Rynoka, conhecida por suas dungeons misteriosas. Tudo parecia clichê e repetitivo, mas o jogo tinha uma mecânica curiosa: ao mesmo tempo que enfrentamos monstros além da nossa compreensão, também devemos cuidar de uma loja, a Moonlighter.

Com essa dinâmica de vendas e batalhas, o jogo ganhou seu merecido reconhecimento no mundo indie. Oito anos depois, Moonlighter 2: The Endless Vault chega para continuar a jornada do nosso mercador favorito.

Uma sequência

A narrativa continua após os acontecimentos do primeiro jogo. Will e seus amigos são obrigados a evacuar Rynoka após a invasão de Moloch, uma entidade que deseja ter total controle sobre as masmorras que cercam a cidade. Agora no remoto vilarejo de Tresna, Will precisa reabrir a Moonlighter, coletar novas relíquias e recuperar sua cidade natal.

No entanto, ele não fará isso sem ajuda. Um estranho cofre surge no meio do vilarejo, prometendo ao mercador grandes recompensas se ele concluir suas missões, que consistem em atingir certa quantia de dinheiro. Além disso, Tresna se torna um refúgio não só para os antigos moradores de Rynoka, mas para outros aventureiros que vamos encontrando durante as aventuras e que também ajudarão Will em seu objetivo.



Diferente do primeiro jogo, não exploramos masmorras, mas sim áreas do continente. O que chama a atenção é a variedade e a beleza dos cenários de batalha. Seja em uma floresta dominada por duas bruxas, um grande deserto ou em uma galeria controlada por um curador, a mudança do 2D para o 3D é o principal marcador da evolução de Moonlighter 2 em comparação com o seu antecessor.

Uma grande evolução

No início, encontramos Will em um deserto, agora em 3D. Muito diferente dos quadrados cercados em que aconteciam os combates do primeiro jogo, os novos cenários de batalha têm mais detalhes e elementos de destruição. Além disso, o jogo aprimora tudo: animações, ataques, melhorias e outros aspectos da experiência. Tudo de que você pode ter sentido falta em Moonlighter foi adicionado nesta sequência.

As campanhas das antigas masmorras consistiam em apenas três andares curtos e salas que poderiam ser puladas. Agora, elas se estendem por uma grande interface que indica vários caminhos pelos quais o jogador pode optar, muito parecido com outros roguelikes, como Cult of The Lamb. Cada um deles entregará recompensas diferentes, que são representadas com imagens em cada um dos trajetos.


As armas também passaram por um redesign. O arco, por exemplo, virou uma arma de tiro que apoia Will contra inimigos normais e, principalmente, voadores — que eram uma das suas maiores fraquezas no primeiro jogo. 

Algumas, por outro lado, continuaram, como a espada longa e a lança. A espada e o escudo anteriores deram lugar a uma espada pequena, que permite ataques rápidos, mas de curto alcance. Todas elas apresentam um ataque especial próprio, o que permite variedade no estilo de luta. 

Porém, elas são desbalanceadas. A espada curta tem apenas o problema de alcance, que pode ser superado com melhorias durante as campanhas. A espada longa, por outro lado, precisa ser afiada nos inimigos. Isso quebra a dinâmica de combate, que é obrigatoriamente interrompida de vez em quando, e torna a arma quase impraticável nas batalhas.

Em melhorias para o personagem, Moonlighter 2 é extremamente diverso. Enquanto no primeiro jogo Will está restrito às poções e armaduras, no segundo, podemos colocar habilidades passivas, expandir a mochila, aplicar efeitos nos adversários e etc. Todas elas também podem ser melhoradas, o que abre uma gama de possibilidades para deixar nosso personagem forte — tudo o que queremos em um roguelike.




Will também ficou mais habilidoso. Podemos utilizar sua mochila para dar parry em ataques e lançar os inimigos, matando-os quando os arremessamos de um precipício. Também é possível rolar com mais facilidade para desviar, e usar ataques finalizadores únicos de cada arma: um arsenal de combate muito mais amplo que o antecessor.

As batalhas contra os bosses foram outro ponto aprimorado. Elas são criativas em seus desafios, obrigando o jogador a usar as mecânicas aprendidas durante a jornada, além de serem lindas. O boss final de Aeolia, por exemplo, parece dançar conosco em um campo de grama e flores. Um bonito jeito de ilustrar uma batalha até a morte entre um guerreiro e um mercante.




No entanto, nem tudo são flores. Moonlighter 2 é realmente uma evolução, mas uma coisa ele não conseguiu melhorar: o sistema de cura. Se, no primeiro jogo, era muito fácil curar Will acumulando poções e tendo uma fonte de vida em cada andar, o segundo decidiu restringir ao máximo: as poções são limitadas e têm apenas uma fonte na campanha inteira, que precisa ser desbloqueada com uma melhoria durante o jogo.

Isso aumenta o desafio, mas torna o jogo mais punitivo do que o necessário. A chance de ganhar novas poções durante a campanha é baixa, o que te deixa limitado a uma ou duas curas a depender do quão evoluído esteja.

Dessa forma, o jogo vira uma grande corrida para não receber dano de jeito nenhum. Mesmo que complete boa parte da campanha de forma perfeita, gastar suas poções em certo ponto pode ser fim de jogo para todo o resto. A punição não surge como desafio, mas desânimo, após todo o trabalho em campanhas que demandam mais tempo.

E a Moonlighter?

Mesmo longe de Rynoka, ainda somos um mercador e dono da Moonlighter. A mecânica de venda continua a mesma: após retornar das campanhas com os artefatos, Will pode vendê-los para seus fregueses, reunir dinheiro e comprar melhorias para a loja ou para si.  

Entre as novidades, temos o termômetro de vendas, que garante melhorias após vender certa quantidade de relíquias; um novo pet, que concede vantagens definidas; e os pedestais de venda, que agora têm atributos próprios.

Se tem uma coisa que realmente piorou foi o diário do mercador. Apesar de ter uma interface melhor nessa sequência, ele deixa de ter algo essencial: um piso para os valores das relíquias. Mesmo sem vender muitas, era possível saber pelo menos o valor base. Agora, o jogo te obriga a descobrir no escuro. Um descuido pode fazer você vender um item por muito mais barato do que ele vale.


O sistema de relíquias foi alterado radicalmente. Agora, elas não estacam em packs, mas ocupam slots únicos, mesmo que sejam repetidas. Elas também apresentam um valor de relíquia. Quanto maior esse valor, mais dinheiro extra você ganhará ao vendê-la.

As novas relíquias criaram uma dinâmica diferente com as mochilas. Agora o maior problema não é mediar espaço, mas encontrar uma forma de aumentar o seu valor e garantir que elas não sejam destruídas com as maldições únicas de cada mundo.

Esse novo balanceamento tornou a vivência na Moonlighter muito mais curta. Com menos relíquias para vender, a jogabilidade se volta para o combate. A balança entre as campanhas e as vendas acaba pendendo muito mais para o lado da primeira. 

Sem o equilíbrio, a gameplay de Moonlighter 2 se torna cansativa, apenas mais um roguelike. Parte do que tornava o primeiro especial era o período de vendas. No entanto, esse desequilíbrio não parece ser culpa de um descuido dos desenvolvedores, mas algo natural que aconteceu após tantas implementações no combate.

Conclusão

Por fim, Moonlighter 2: The Endless Vault mostra um grande avanço comparado ao primeiro jogo. Ele consegue melhorar todas as deficiências perceptíveis que seu antecessor tinha, seja na falta de variedade de melhorias, no combate pobre ou nos detalhes do mundo. A mudança para o 3D deu aos desenvolvedores a possibilidade de melhorar os designs, batalhas de chefes e animações de Will e outros personagens. 

As interações das novas maldições e o sistema de relíquia modificado entregam uma nova dinâmica no momento de organizar a mochila. Porém, ele obriga o jogador a passar menos tempo na Moonlighter, o que diminui o principal diferencial do jogo. Em conjunto com um livro do mercador que não dá uma base para os valores da relíquia, o processo de venda ficou mais cansativo.

Porém, Moonlighter 2: The Endless Vault é um prato cheio para quem gostou do anterior. Com um Will remodelado e melhorado em combate, esse jogo vai te desafiar a explorar os continentes em busca das melhores relíquias para seus fregueses.

Prós 

  • O jogo utiliza todo o potencial do 3D para entregar um mundo vivo;
  • Novas armas, combates e animações;
  • Variedade de melhorias para o nosso personagem, que não existiam no antecessor;
  • Boss fights criativas e que utilizam todas as mecânicas ensinadas durante as campanhas.

Contras

  • Novo sistema de relíquias torna as vendas na Moonlighter mais entediantes;
  • O caderno do mercador não tem um piso para os valores das relíquias;
  • Sistema de cura que torna a campanha punitiva. 
Moonlighter 2: The Endless Vault - PC/XSX/PS5 - Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: Xbox Series S
Revisão: Julia Loffreda Costa
Analise produzida com cópia digital disponibilizada pela 11 bit studios
OpenCritic
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Eric Tavares
Meu nome é Eric Vinicius, tenho 19 anos e sou estudante de jornalismo na Faculdade de Comunicação da UFBA. Jogos sempre foram meu principal hobby na minha vida. Tenho um apreço grande por indies, já que foram o tipo de jogo que mais tive contato durante a infância e adolescência. Gosto de escrever sobre como cada jogo consegue expressar sua mensagem de uma maneira singular. Estou presente no instagram (@ericvini15). Também escrevo para a Agência de Notícias (@cienciaecultura, no Instagram) e a Liga de Jornalismo Esportivo da UFBA (@ljeuufba, no Instagram e noTwitter/X).
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