Análise: Kingdom Rush 6: Genesis é um novo e incrível “recomeço” para a popular série de tower defense

Com mudanças pontuais na sua fórmula consagrada, o título entrega uma experiência bonita, polida e repleta de desafios.

São poucas as franquias de videogames em que cada novo lançamento é garantidamente um bom (ou ótimo) jogo. Afinal, não é fácil manter um alto nível de qualidade em todo novo título disponibilizado. Nesta análise, vamos conferir um exemplo de sucesso: Kingdom Rush 6: Genesis, o novo tower defense da tradicional franquia. Chame seu herói favorito e traga algum ouro para construir suas torres, pois a análise vai começar!

De volta para o futuro

O título anterior da marca foi lançado em julho de 2024, chamado Kingdom Rush 5: Alliance. A ideia era misturar mocinhos e bandidos numa luta contra um poderoso inimigo em comum. Mais de dois anos depois, Genesis continua o enredo com uma reviravolta interessante: ao final da aliança, o vilão Vez’nan acaba traindo (obviamente) os heróis e, após muita luta, a única alternativa que resta é que o paladino Gerald Lightseeker use uma espada mágica para “cortar” o tempo.
Assim, o herói acaba voltando à época do primeiro jogo para impedir a ascensão do vilão ao poder. Para isso, será preciso explorar todo o reino e obter aliados para derrotar as forças do mal. O jogo faz várias referências ao título original, bem como a Kingdom Rush: Origins, que seria uma prequela da série. Vale a pena conferir as belas artes que contam a história, que inclusive termina com um cliffhanger bem legal.
 
Se o enredo de Kingdom Rush 6: Genesis é inovador, a jogabilidade segue a fórmula já conhecida e consolidada. Cada fase — são 18 estágios no total — tem uma (ou mais) linha de defesa, que deve ser protegida de ondas e mais ondas de inimigos. Para fazer isso, o jogador precisa construir torres em locais predeterminados no mapa, bem como mobilizar tropas, lançar feitiços e comandar heróis.
Conforme os vilões são derrotados, moedas de ouro são concedidas para financiar mais torres e suas respectivas melhorias. Os heróis podem ser movidos por todo o mapa e agem de forma independente. As torres guardam características únicas e precisam ser posicionadas estrategicamente. Os inimigos aparecem em várias formas e quantidades diferentes, demandando pensamento rápido e planejamento.
Inclusive, considero Genesis o mais exigente da franquia até então. Ainda que vá receber ajustes em atualizações futuras, ele é razoavelmente difícil mesmo no nível normal. É preciso mover os heróis constantemente e ficar atento à chegada das ondas inimigas, que podem trazer vilões com habilidades apelonas. Ressalto que o game não é quebrado, apenas exige mais atenção que seus predecessores.

Chuva de conteúdo

O sexto título mantém a base e a maioria das suas características, mas traz algumas inovações importantes. Agora o jogador não tem mais acesso aos itens de uso único, que podiam ser comprados em lojas nos títulos anteriores. Por outro lado, o jogador tem acesso a três espaços para equipar feitiços diferentes. Além dos clássicos “Reforços” e “Chuva de Fogo”, outras opções incluem teletransporte de inimigos, feitiços de congelamento e até invocação de tropas especiais.
Particularmente, acrescentar mais um feitiço e torná-lo customizável foi uma boa ideia, mas não chega a compensar a perda dos itens. Ao menos, temos um leque com boa quantidade de opções, que inclusive contam com uma inédita árvore de habilidades. Cada Herói também conta com uma, permitindo que o jogador possa tornar suas escolhas favoritas cada vez mais fortes ao longo da campanha.
Além de Heróis e Feitiços, o jogador também pode escolher quais das cinco opções de torres — como catapultas, canhões e guarnições — terá à disposição para construir em cada fase. Conforme avançamos na campanha, todos esses três recursos recebem novidades, resultando numa grande quantidade de opções. Gostei bastante dessa liberdade de escolhas que vai aumentando, sobretudo por cada uma ser tão única funcional e conceitualmente.
Aqui, vale comentar que existe uma diferença significativa quanto aos conteúdos disponíveis para liberar entre as versões de PC e de mobile. Enquanto nos computadores temos todos os Heróis e torres disponíveis, nos celulares é preciso pagar valores extras. Nada muito caro, mas, como as opções são numerosas, o valor total para ter acesso a tudo pode ser salgado.

Desafio e beleza

Em termos de produção, Kingdom Rush 6: Genesis é tão competente quanto seus predecessores. Os visuais no estilo desenho animado são muito bonitos, com animações fluidas e coloridas. Dublagem, efeitos e trilha sonora são igualmente bons, imergindo o jogador nas batalhas tensas do game. Apesar da sensação de familiaridade, é visível a evolução técnica ao longo de todos esses anos de franquia.
As ilustrações também são incríveis, inclusive as utilizadas para contar a campanha na forma de história em quadrinhos. Os cenários talvez sejam o maior destaque, com ambientes vibrantes, animados e com participação direta nas partidas. Todos contêm easter eggs divertidos, homenageando diversos produtos da cultura pop em geral, tais como De Volta para o Futuro, Mortal Kombat, Minecraft e Star Wars.
Prepare-se para circular por castelos, montanhas, florestas, minas, entre outras atrações. Cada um dos mapas foi bem planejado, com direito a mudanças repentinas na estrutura para surpreender o jogador. Torres podem ser desabilitadas, inimigos podem surgir de pontos antes inofensivos, inimigos com habilidades inéditas aparecem, entre outras surpresas.
No entanto, ainda que o game se esforce para trazer novidades dentro da sua própria proposta, é inegável que Genesis sofre de algo semelhante aos títulos anteriores: a falta de inovação. Mesmo que o sexto título traga novidades como o modo KR, que permite reprisar fases com as regras do Kingdom Rush Original, nada é suficientemente inovador. Mesmo a história interessante e as novas árvores de melhorias não chegam a mudar.
Ainda assim, confesso que eu mesmo tenho dificuldade em apontar possíveis ideias para uma fórmula tão consolidada. Talvez algum modo multijogador, seja competitivo ou cooperativo, pudesse ser uma alternativa. Pelo menos já temos a confirmação de que atualizações para o game já estão a caminho, aumentando ainda mais o conteúdo deste já recheado título.

Prepare for glory!

Mantendo uma longa jornada de ótimos lançamentos, Kingdom Rush 6: Genesis mostra que a famosa franquia de tower defense continua como uma ótima pedida. A história do game é muito interessante, fazendo bom uso da jogabilidade consolidada e agradável. Temos uma grande quantidade de heróis, torres e feitiços para usar, tudo com a devida apresentação bonita e competente. Ainda que falte um pouco mais de ousadia, o título é uma excelente sugestão para a tua biblioteca.

Prós 

  • Tower defense mantém alto nível de qualidade com algumas boas novas ideias;
  • Jogabilidade continua intuitiva e divertida com sua simplicidade que exige estratégia e pensamento rápido;
  • Trabalho audiovisual é bonito e competente, contando com animações muito legais;
  • Enredo entrega uma aventura única que faz bom uso da história da franquia;
  • Novidades pontuais são todas positivas, sobretudo em termos do bom número de customizações;
  • Grande quantidade de fases, todas com boas variações nos desafios, e nível de dificuldade equilibrado.

Contras

  • Muitos recursos legais do game estão “presos” por compras na versão mobile;
  • Ainda que seja muito competente, faltou alguma inovação realmente significativa ao game.
Kingdom Rush 6: Genesis — PC/Android/iOS — Nota: 9.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Ives Boitano
Análise redigida com cópia digital cedida pela Ironhide Game Studio
OpenCritic
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Matheus Senna de Oliveira
é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
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