Análise: Joe & Mac Retro Collection traz a dupla pré-histórica mais carismática dos 16-bits para os consoles atuais

Volte à Idade da Pedra para salvar as garotas das cavernas enquanto conhece um pouco do legado de um dos plataformas mais divertidos do SNES.

em 28/10/2026
Entre os muitos títulos coloridos de plataforma que foram lançados para o Super Nintendo nos anos 1990, uma dupla pré-histórica marcada por expressões exageradas e humor escrachado conseguiu cativar uma boa base de fãs com uma missão simples: salvar as moças da tribo. Joe & Mac: Caveman Ninja foi produzido pela Data East e teve sequência de mais dois títulos: Congo’s Capers e Joe & Mac 2: Lost in the Tropics.

Para celebrar essa franquia curta, mas bastante significativa para a época, a Red Art Games reuniu os três jogos em uma coletânea, a Joe & Mac Retro Collection. Será que vale a pena voltar ao tempo para combater dinossauros e homens das cavernas?

Pré-história em três atos

O compilado traz os três ports diretos das ROMs de SNES, com direito ao multiplayer local para todos além do uso de passwords para selecionar fases. Mas vale citar que todos são jogos curtinhos que podem ser finalizados em uma horinha, mais ou menos. E é claro que, para mostrar evolução, eles tinham algumas diferenças entre si:

Joe & Mac: Caveman Ninja (1991)
: o jogo que abre a franquia, é bem simples e tem uma proposta bem direta ao ponto. Ao todo temos 12 fases, cada uma com um chefe jurássico a ser derrotado. Para superar os desafios contamos com algumas armas, como cuspes de fogo, arremesso de rodas, bumerangues e o nosso fiel tacape, que podem ser alternados livremente. Se dermos sorte, podemos achar uma chave que nos possibilita entrar em fases extras, que são cheias de vidas para serem coletadas.

Congo’s Capers (1992): Ainda seguindo a narrativa pré-histórica, Congo’s Capers segue o mesmo esquema do seu antecessor, funcionando como espécie de spin-off, já que aqui o protagonista é Congo, um macaco que é atingido por uma joia mágica e se transforma em um ser humano. Agora ele precisa — pasmem — salvar sua namorada, que também foi atingida por uma pedra dessas e foi transformada em uma garota. Congo não coleta armas, mas pode juntar três esferas vermelhas para virar o Super Congo, e assim ficar mais forte e ágil. O jogo traz bem mais fases (praticamente o dobro) mas com apenas oito chefes.

Joe & Mac 2: Lost in the Tropics (1994): A sequência direta do primeiro jogo adiciona elementos de RPG, como um vilarejo inicial com lojas para aprimoramentos, além de um mapinha navegável e fases mais longas que têm vários segmentos. Ao todo são sete, cada uma com um chefe.

Assim como em sua época, a jogabilidade pode apresentar algumas marcas temporais, como saltos imprecisos e alguns hitboxes que podem ser confusos, mas no geral os três são títulos agradáveis de curtir e que levam pouco tempo para serem concluídos.

Acredito que nesse quesito, só faltou um título que pudesse de fato fechar a franquia. Fora a trilogia de Retro Collection também há Joe & Mac Returns, de 1994. Ele foge totalmente da jogabilidade dos demais, trazendo a ação em uma tela fixa, com o objetivo de eliminar todos os inimigos que aparecem. Acredito que o motivo da não inclusão deste título seja o fato de ele não ser para SNES e sim exclusivo do Arcade — apesar dos lançamentos posteriores para Switch e PC. Como, além dos títulos antigos, só sobra New Joe & Mac Caveman Ninja, que é apenas um remake do primeiro jogo, não faria mal incluir só mais um joguinho na lista.

Por falar no primeiro jogo, ele também foi o único a ser lançado para mais de uma plataforma, tendo versões para Mega Drive, Nintendinho, Game Boy e MS-DOS, só para citar alguns. Já que algumas coletâneas fazem questão de incluir diversas facetas de um mesmo título, essa introdução também viria bem a calhar aqui.

Memória da pedra lascada, mas bem polida

Para quem nunca tinha ouvido falar de nenhum dos jogos, Joe & Mac Retro Collection faz uma apresentação bastante digna e com menus tematizados com a identidade visual da franquia. Além dos jogos em si, cada um deles ganhou um desafio extra com o Boss Rush. Trata-se de um modo no qual enfrentamos apenas os chefes, um atrás do outro, e com apenas uma barra de vida.

Além disso, há sempre aqueles recursos modernos que ajudam os jogadores que acabam esbarrando em algumas dificuldades. Podemos rebobinar o que está na tela a qualquer momento para refazer alguns passos, além de ser possível salvar e carregar o jogo no ponto que desejarmos com o toque de um botão. Os filtros de tela e papéis de parede também fazem seu papel de deixar tudo com um ar mais retrô.

O que me surpreendeu nessa parte foram os extras. A galeria traz artes promocionais, rascunhos e pôsteres, além do reprodutor de música nos permite escutar cada uma das 64 faixas dos três jogos sem interrupções. Só que o que mais chamou a minha atenção, pelo menos, diz respeito às caixas.

Esta é a primeira coletânea que vejo que traz o logo da Nintendo de fato nas caixas, sem tentar esconder ou preencher com outro texto. Além disso, trata-se de modelos virtuais e não scans de materiais físicos, então é possível girá-las em qualquer ângulo. Podemos comparar as versões japonesas (que foram lançadas primeiro, por isso a divergência do ano de origem com as demais) com as americanas e europeias. 

Isso também mostra o fato curioso de Joe & Mac 2 ser chamado de Joe & Mac 3 na Europa, o que torna Congos Caper’s o segundo título canônico da franquia no Velho Continente. Esse tipo de exposição também é aplicada aos manuais e cartuchos, que têm reconstituições digitais página a página e até dos adesivos dos cartuchos.

Esse tipo de trabalho de resgate é importante, principalmente pelo fato de nem sempre haver produtos físicos em bom estado para realizar os scans, dada a idade dos jogos. Em suma, eu adorei essa parte e desejo muito que outras coletâneas que vierem no futuro explorem esse tipo de apresentação.

Do passado para o futuro

Joe & Mac Retro Collection faz um trabalho simples e bem-feito, apresentando jogos queridos de maneira competente e que respeita seu legado. A trilogia por si só é bastante divertida e vale ser revisitada para uma sessão de jogatina nostálgica.

Prós

  • Os três jogos são bem divertidos sem requerer muito esforço;
  • Recursos como save state e rebobinar sempre vão bem;
  • Ótimo acervo da galeria; com reconstituições digitais de caixas, manuais e cartuchos, além da trilha sonora completa e artes conceituais;
  • Modo Boss Rush é uma adição de desafio bem bacana.

Contras

  • A jogabilidade fatalmente é datada;
  • Poderiam ter incluído algumas das versões do primeiro jogo ou Joe & Mac Returns, só pela curiosidade.
Joe & Mac Retro Collection — PC/PS5/Switch/Switch 2/XSX — Nota: 7.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Juliana Piombo dos Santos
Análise feita com cópia digital cedida pela Red Art Games
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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