Análise: Hidden Dogs — os cães querem tomar o lugar dos gatos escondidos

Procure cachorros escondidos em uma grande fazenda para que, em equipe, eles criem um novo jogo de encontrar coisas.

em 14/10/2026
Finalmente chegou a hora dos amantes de cães arranjarem sarna para se coçar em um jogo de procurar caninos perdidos por aí. Hidden Dogs tem uma estrutura que já é bastante conhecida, com grandes espaços cheios de animais escondidos em situações engraçadinhas, mas com uma mudança válida: chega de gatos!

 A vez dos doguinhos

Apesar do nome bem similar à longa série Hidden Cats, Hidden Dogs não retrata animais escondidos em lugares históricos ou famosos. Inclusive, há uma pequena história em cima disso para justificar o jogo: o protagonista, um cão chamado Labby, está cansado de tantos títulos dando holofotes aos gatos e acredita que está na hora de um voltado para os cães.

Para isso, ele precisa convencer alguns outros cachorros da sua ideia para que eles o ajudem a desenvolver uma aventura protagonizada por eles. A equipe está espalhada em quatro locais de uma grande fazenda e precisa ser encontrada em meio a cenários caóticos, como celeiros, pubs, jardins e parques.

Cada fase conta com um número de doguinhos a serem encontrados, além de alguns objetos. Nada muito complexo e, pelo menos para o meu gosto, achei a tarefa de concluir 100% das missões bem tranquila. Levei duas horas para conseguir o troféu de platina, jogando sem pressa.

Como já fiz análises de outros títulos do gênero, como alguns da franquia Hidden Cats e o ótimo Find My Frogs, há padrões que já ficam muito escancarados, como lugares certos específicos para procurar. Entretanto, ainda assim, eu achei Hidden Dogs mais fácil que os seus “irmãos” de gênero. Os cãezinhos sempre deixam uma parte grande do corpo à mostra, deixando a parte mais difícil para os objetos e os cachorros escondidos em formas geométricas.

Alguns objetos não aparecem no cenário da mesma maneira como estão dispostos na lista do que deve ser encontrado. Um pote de geleia, por exemplo, é desenhado intacto na lista, mas pode estar aberto e jogado no chão no meio de um armário, o que eu considero ser uma decisão sábia para não deixar tudo tão óbvio.

Existem alguns recursos para ajudar quem estiver meio travado, como a lente e o apito para cães. O primeiro simplesmente dá zoom na tela, o que eu considerei um tanto desnecessário, a ponto de não tê-lo usado quase em momento nenhum. A aproximação é automática e não gradual, ou seja, apertamos o botão e o zoom vai direto, às vezes exagerando na parte focada.

O apito é o recurso usado para fazer cães latirem e assim revelarem sua posição. É um recurso até que útil, mas Hidden Dogs traz uma maneira muito mais divertida de achar as coisas. Todas as fases têm alguns buracos em cercas, telhados, pisos e até árvores, que, à primeira vista, parecem inofensivos. Então, do nada, em algum deles aparece um olho. Se você cutucá-lo, ouvirá um miado de um gatinho escondido, que terá o mesmo efeito do apito e revelará o esconderijo dos cães, mas sem a necessidade de usar o botão de ajuda. Para mim, foi uma das melhores sacadas possíveis, pois combina com a vibe “chega de gatos” ao trazê-los como um recurso secundário, e brinca com a situação praticamente cartunesca de cachorros latindo ao sentirem uma presença felina.

Charme rústico em latim

O estilo visual escolhido para Hidden Dogs é algo próximo das histórias em quadrinhos da época dos jornais, com traços um pouco mais simples. Não deixa de ter seu charme, mas fatalmente pode não ter apelo com quem já jogou outros títulos do gênero e encontrou outros produtos mais bem acabados ou com uma direção artística mais inspirada.

Por outro lado, eu curti bastante a apresentação das fases em um mapinha. Isso até torna o jogo mais chamativo para um público mais jovem. Só que aí tropeçamos em outra questão: falta de tradução em português. A história é simples e fofinha, quase infantil, então seria legal deixar os pequenos curtirem essa aventura enquanto leem as curtas falas que aparecem na tela. Há até a opção de colocar em inglês para cachorros (!?), com latidos ao estilo “barf”, “wooof” e por aí vai.

Por mais que esse tipo de título tenha uma vida útil bem definida, ter a duração curtinha faz parecer que Hidden Dogs também carece de algo que adicione um fator replay, de algum modo. Se houvesse uma opção de revisitar as fases procurando novas coisas extremamente específicas, ou jogar novamente, agora com um cronômetro para adicionar uma leve camada de desafio, não faria mal.

Os cãezinhos merecem mais aventuras

Hidden Dogs tem seu charme e seu carisma, apesar de ser bem simples e até um pouco tímido. A ideia de inserir uma narrativa é bem-vinda e abre espaço para uma maneira criativa de seguir com novos títulos e expansões. Só que os cachorros vão precisar se esforçar um pouco mais para conseguir espaço em um gênero dominado pelos gatos.

Prós

  • A ideia de ter uma historinha que conte uma aventura pelas fases é bem-vinda,
  • Os traços ao estilo “quadrinhos de jornal” têm um charme único;
  • A mecânica de cutucar o olho do gato é uma ferramenta bem pensada para o tema.

Contras

  • O estilo artístico pode não ter grande apelo com a maioria do público;
  • É um jogo bem curto e fácil;
  • Ausência de textos em português.
Hidden Dogs — PC/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Julia Loffreda Costa
Análise feita com cópia digital cedida pela Silesia Games
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman