Existem as pessoas que fazem dieta numa boa, existem aquelas que não conseguem mudar sua rotina alimentar nem por um decreto e existe o Garfield. O gato laranja mais preguiçoso dos quadrinhos tem sua soneca transformada em pesadelo quando seu dono tenta melhorar sua alimentação.
Agora, ele se encontra preso em um mundo fantástico onde deve escapar da comida saudável de um chef famoso da televisão em Garfield: Escape From Monday.
Não mexam na minha comida!
O Chef Monday é popular pelo seu show, no qual ensina receitas saudáveis e até tem sua própria linha de pratos prontos. Jon acaba enganando Garfield e o faz comer uma lasanha de espinafre, o que leva o felino a um desgosto tão grande que ele acaba dormindo e ficando preso em um pesadelo, no qual o “ditador culinário” quer tirar todas as guloseimas, doces e gordura do cardápio. Agora, cabe a Garfield enfrentar uma série de desafios em mundos feitos de comida para escapar desse pesadelo.
O estilo plataforma 3D é uma boa pedida e a quantidade de fases e segredos surpreende, indo na contramão do estilo preguiçoso do protagonista. Inclusive, há uma série de boas ideias implementadas de maneira satisfatória ao longo das regiões, com armadilhas, plataformas que se alteram a cada salto e mecanismos para serem encontrados e acionados.
Não dá para ignorar o fato de que Escape From Monday tem uma pegada mais infantil e pode até ser bem fácil para jogadores veteranos, mas o público infantojuvenil terá uma aventura bem duradoura com este título, mesmo com as vidas infinitas e a facilidade para recuperar os pontos de vitalidade perdidos.
A movimentação de Garfield é baseada em saltar, agarrar em paredes e até se locomover rolando pelo chão. Em alguns momentos ele conta com trajes que lhe dão algumas habilidades, como planar, surfar e usar um laço para se prender em lugares mais distantes. Também tem um botão para deitar e não fazer nada, só para manter a fidelidade de ele não querer se mexer a não ser que tenha comida envolvida.
Quanto ao design dos ambientes, eu realmente gostei da ideia de tudo ser tematizado, não só o pano de fundo. Vegetais e docinhos viram inimigos, grelhas viram plataformas e podemos navegar em rios de refrigerante enquanto fugimos de um jacaré de bala de goma. O que pode ser um pouco cansativo em alguns momentos é que algumas fases são bem mais longas que outras, ao ponto de durar o dobro de tempo para serem concluídas.
Um ponto de atenção na jogabilidade é a câmera. Ela é livre para ser controlada em pelo menos 90% do tempo, com apenas alguns momentos em que ela fica com um ângulo fixo. Nessa transição entre estar livre ou não, se damos alguns passos para trás, ela não acompanha o movimento e cria um enorme ponto cego, gerado por alguma rocha ou parede, demorando um pouco para voltar ao normal.
Outra questão que pode decepcionar um pouco é a dublagem. Escape From Monday conta com áudio em inglês e legendas em português, e quem é fã de longa data do Garfield vai adorar perceber seu mau humor constante, seja interagindo com os demais personagens ou falando sozinho, pedindo até para parar de jogar porque não aguenta mais tanta movimentação. Entretanto, a voz escolhida para o gato parece estar sempre entediada e monótona, independente do que ocorre na cena.
Quente nas bordas com o recheio gelado
Tal qual uma lasanha de micro-ondas, que tem o poder de apresentar ao mesmo tempo temperaturas que variam entre o extremo ártico e uma explosão termonuclear, Garfield: Escape From Monday apresentou momentos em que o jogo “congelou” e outras em que aqueceu meu console.
A primeira situação é um soft lock na fase “Preciso Pegar o Trem”. Todo cenário tem um certo número de lasanhas escondidas e sempre que as encontramos aparece uma pequena animação. A primeira lasanha desse estágio está no topo de um duto de ar, que nos joga para cima. Assim que Garfield alcança o prato e a animação acontece, o personagem fica congelado, sem poder sair do duto de ar. Isso nos obriga a voltar para o menu e entrar de novo na fase.
É possível concluir a fase sem pegar a lasanha, mas aí tem outra questão: é necessário ter todas para alcançar os 100% do jogo e liberar todos os móveis da casa do Jon, que são os colecionáveis da aventura. Eu consegui contornar o problema usando uma pequena malandragem: indo pela lateral do duto — o que fez ele me jogar na diagonal —, pegando a lasanha e depois me arremessando em um inimigo. Assim eu tomo dano e os controles voltam a reagir. Não é o ideal, mas uma maneira de prosseguir enquanto uma correção não é providenciada.
Agora, o problema mais sério está em diversos momentos em que o andamento do jogo fez meu console aquecer. Minha análise foi feita em um PS5 Slim — que está com a manutenção em dia, só para constar — e em diversos momentos o console começou a processar muito rápido, ao ponto de aparecer a mensagem de superaquecimento na tela. Isso aconteceu em diversos momentos dos dois primeiros mundos e toda vez que eu entrava na casa do Jon, ao ponto de que eu nem consegui conferir os móveis que liberei direito.
Esse não foi um caso extremo, que nem o de Darwin’s Paradox, que levou o meu PS5 a desligar subitamente, mas é estranho que um jogo que não exija tanto graficamente tenha causado essa questão. A título de comparação, recentemente analisei alguns títulos que são graficamente mais complexos, como NASCAR 26 e Bus Simulator 27, e não houve nenhum tipo de problema com a temperatura do console — mesmo vivendo em São Paulo, onde o calor do ambiente às vezes surge do nada e se mantém sem dar trégua.
Isso me obrigou a manter sessões curtas de jogo, de no máximo uma hora e meia, por mais de 20 fases. Não sei se há algum tipo de correção para isso ou se as versões de PC, Series X e Switch apresentaram um problema similar, mas é algo a ser observado com atenção, independentemente da plataforma.
Uma aventura gostosa, mas com aquela pontinha de pesadelo
Garfield: Escape From Monday é um ótimo título de aventura plataforma, sem sombra de dúvidas. O grande número de fases e segredos a serem encontrados faz dele uma boa recomendação para o público mais jovem. Entretanto, seus problemas não são tão brandos para serem ignorados e a questão com a saúde do console merece atenção.
Prós
- Ótimo uso do universo do Garfield, com fases todas tematizadas com comidas;
- Os estágios têm desafios com elementos interessantes e variados, combinando bem com a jogabilidade;
- Ter um botão de “preguiça” pode parecer inútil, mas é uma referência bem inteligente;
- Textos em português e ótimo trabalho de dublagem dos personagens em geral.
Contras
- Algumas fases são desnecessariamente longas;
- A câmera cria alguns pontos cegos quando fica fixa;
- A dublagem do Garfield especificamente é um pouco fraca;
- Um estágio apresenta um soft lock que obriga o jogador a buscar formas alternativas para sua conclusão total;
- Em diversos momentos, o console aqueceu.
Garfield: Escape From Monday — PC/PS5/Switch/XSX — Nota: 7.0Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Ives Boitano
Análise feita com cópia digital cedida pela Microids











