Conforme a vida vai ficando mais corrida, encontrar tempo para jogar pode se tornar um desafio maior do que vencer qualquer chefe. Entre trabalho, compromissos e momentos com a família, nem sempre é possível reservar algumas horas para sentar diante do computador ou do console, sobretudo se ele estiver na sala da casa. E, quando finalmente surge uma oportunidade, às vezes, a última coisa que queremos é nos isolar em outro cômodo para aproveitar um jogo.
Depois de encontrar uma posição confortável, a experiência melhora consideravelmente. Os analógicos e os botões respondem bem, e os gatilhos são particularmente agradáveis. A edição Xbox/Fortnite utiliza sensores de efeito Hall nos gatilhos, uma evolução em relação à solução adotada no X5 Lite tradicional, mas o que realmente importa é a sensação durante a partida: tudo funciona de maneira precisa e familiar.
Essa é uma situação que conheço bem. Tenho meu computador ligado à televisão da sala e já utilizo controles sem fio para jogar com mais conforto. Não me falta acesso aos jogos, mas, sim, a possibilidade de aproveitá-los de outra maneira. Poder continuar uma partida enquanto estou no sofá, acompanhando minha esposa ou simplesmente tomando um chimarrão, sem precisar disputar a televisão, é uma liberdade que sempre me pareceu atraente.
Foi com essa expectativa que comecei a testar o GameSir X5 Lite for Xbox Fortnite Edition. A proposta é transformar o smartphone em algo próximo de um videogame portátil, com analógicos, gatilhos e botões físicos nas laterais. Mas a pergunta que realmente me interessava não era se ele conseguiria substituir um controle tradicional; era se um acessório tão simples poderia mudar a maneira como aproveito meus jogos.
Um controle com personalidade
A GameSir já oferece o X5 Lite como uma alternativa de custo-benefício para quem deseja jogar no celular. A linha for Xbox Fortnite Edition mantém essa proposta, mas acrescenta uma identidade visual inspirada no universo de Fortnite, com versões como Jonesy, Black Knight e Durrr Burger.
A unidade que recebi para análise foi a Jonesy Edition, de acabamento verde-escuro translúcido, com botões e gatilhos em tons de verde. A combinação lembra a aparência militar do personagem, enquanto a tipografia dos comandos e a personalização da área central fazem o acessório parecer parte da temática, e não apenas um controle comum com um adesivo promocional.
Na caixa, além do controle e dos materiais de instrução, há almofadas de silicone para diferentes formas de encaixe do celular e um estojo para guardá-lo. Ele não possui alça, mas ajuda a proteger o acessório quando não está em uso. A edição também inclui benefícios digitais, como um voucher promocional de um mês de Xbox Game Pass Ultimate e um item cosmético de Fortnite. Foi justamente o acesso ao Game Pass que utilizei em boa parte dos testes.
O X5 Lite não possui bateria própria: recebe energia diretamente do celular por USB-C. Também oferece uma conexão para carregamento do smartphone durante o uso, algo bem-vindo para sessões mais longas. Sua estrutura extensível acomoda aparelhos de diferentes tamanhos, desde que sejam compatíveis com o encaixe e a conexão. É uma solução prática, sobretudo para quem não quer carregar mais um dispositivo que precisa ser recarregado separadamente.
Pensado para a mobilidade, portabilidade e praticidade
Basta abrir suas duas extremidades, posicionar o celular e deixar a magia acontecer. Até aí, nada muito diferente de outros controles telescópicos, como são chamados esses controles portáteis para celular. O diferencial está no conector USB-C articulado, que se movimenta para acompanhar o encaixe e a retirada do aparelho.
Parece uma mudança pequena, mas faz bastante diferença. Em vez de precisar encontrar um ângulo exato e correr o risco de forçar o conector na entrada do celular, temos mais liberdade para movimentá-lo. Não significa que a conexão seja imune a danos, mas o mecanismo reduz a necessidade de exercer pressão sobre a porta USB-C. É uma solução tão simples e útil que merece o devido destaque.
O celular permaneceu firme durante os testes, e removê-lo é igualmente fácil. O ponto menos convincente está nas borrachas de proteção. A GameSir fornece conjuntos de espessuras diferentes para aparelhos com ou sem capa, mas algumas peças se soltam com relativa facilidade. A maior, localizada à direita, pode ser particularmente chata de recolocar, já que nem sempre encaixa corretamente na primeira tentativa, e é preciso atenção para não acabar perdendo alguma delas.
Minha principal referência para avaliar a pegada do X5 Lite foi outro produto da própria GameSir: o T4 Pro, que utilizo há quase quatro anos. É um controle convencional, com empunhaduras longas e espaço suficiente para acomodar as mãos. A diferença ao passar para o modelo portátil é imediata. As laterais do X5 Lite são curtas e, como tenho mãos grandes, meus dedos mindinhos acabam sobrando. Frequentemente, preciso dobrá-los sob o acessório, quase como um apoio improvisado, ou ajustar a posição das mãos para encontrar uma pegada mais natural.
A construção também inspira um cuidado específico. Com o controle aberto e o celular encaixado, a região central extensível parece menos rígida do que eu gostaria, principalmente do lado direito, que é onde fica mais “fina” quando estendida. Segurar todo o conjunto por apenas um dos lados, especialmente com um smartphone pesado, dá a sensação de que um movimento brusco poderia danificar a estrutura.
Não houve qualquer quebra ou falha, e não seria justo tratar essa impressão como um defeito comprovado. Mas é o tipo de situação em que prefiro utilizar as duas mãos e evitar torções desnecessárias. O X5 Lite oferece muito pelo que se propõe a custar, embora sua construção não transmita a mesma robustez de um controle convencional.
O dispositivo valoriza a qualidade de som e imagem de telefones modernos
Depois de encontrar uma posição confortável, a experiência melhora consideravelmente. Os analógicos e os botões respondem bem, e os gatilhos são particularmente agradáveis. A edição Xbox/Fortnite utiliza sensores de efeito Hall nos gatilhos, uma evolução em relação à solução adotada no X5 Lite tradicional, mas o que realmente importa é a sensação durante a partida: tudo funciona de maneira precisa e familiar.Nos meus testes, não percebi atrasos que pudesse atribuir ao controle. Já utilizei o T4 Pro por Bluetooth no Android e, em algumas experiências de streaming, sentia uma resposta menos consistente, sobretudo quando a rede oscilava. Com o X5 Lite, a sensação foi melhor, inclusive utilizando dados móveis.
Isso não quer dizer que o USB-C elimine a latência da internet. A transmissão de jogos continua dependendo da qualidade da conexão e do serviço utilizado, mas, na prática, a resposta do acessório deixou de ser algo com que eu precisava me preocupar. E, para um periférico cuja função é tornar o jogo mais acessível, esse é um elogio importante.
Para os testes comecei por Gears of War E-Day, um jogo que exige movimentação constante, mira e reações rápidas. Mesmo sendo executado pela nuvem, a experiência foi muito positiva. O controle respondeu de maneira natural, e logo deixei de prestar atenção no fato de estar jogando em um celular. Estava simplesmente jogando Gears, só que sem precisar ligar a televisão ou me acomodar diante do computador. Vale citar que as tecnologias de som e qualidade de imagem de alguns celulares, mesmo modelos de entrada hoje superam as de muitos monitores, eu experimentei a jogatina em Oled primeiro no mobile.
Também experimentei Forza Horizon 6 e EA FC 26, dois exemplos interessantes porque dependem de respostas rápidas de maneiras diferentes. Seja pilotando um carro em alta velocidade ou fazendo drift; seja tentando antecipar uma jogada de futebol, os comandos acompanharam bem o ritmo das partidas.
O PC na palma da mão
Para acessar os jogos do meu computador pelo Steam Link, a configuração funciona bem com o X5 Lite, embora eu tenha percebido um pequeno atraso em algumas situações. Como a transmissão depende da rede local e do aplicativo, não é possível atribuí-lo diretamente ao controle. Ainda assim, a experiência foi positiva e mostrou como o acessório pode funcionar como uma extensão do PC. Quem nunca quis aproveitar uma tarde ensolarada na varanda de casa e, ainda assim, curtir uma tarde chuvosa em Night City?
O X5 Lite também pode ser utilizado com o Moonlight, outra alternativa conhecida para transmissão local de jogos. Há, ainda, compatibilidade com outros serviços, mas preferi concentrar os testes no Steam Link e no Xbox Cloud Gaming, porque são as soluções que realmente fazem sentido para minha rotina e permitem avaliar o acessório em situações que pretendo continuar utilizando.
Já em jogos mobile, os comandos virtuais ocupam espaço e exigem que parte da tela esteja constantemente coberta pelas mãos. Em Fortnite, onde enxergar um adversário e reagir rapidamente faz diferença, isso é especialmente inconveniente. Com o X5 Lite, movimentação, câmera, mira e demais ações ficam distribuídas entre botões e gatilhos físicos, deixando a imagem livre.
Testei Fortnite tanto executado no aparelho quanto por meio da nuvem, e as duas experiências foram bastante positivas. O reconhecimento nativo dos comandos ajuda muito: não precisei fazer malabarismos para ajustar posições na tela ou descobrir como adaptar a jogabilidade. Foi conectar e jogar. Outro destaque fica para Devil May Cry: Peak of Combat, que muda completamente de patamar quando jogado com o controle. É como se fossem feitos um para o outro.
Para outros títulos mobile, o controle também oferece recursos de mapeamento que associam botões físicos a pontos da tela, ampliando suas possibilidades em jogos sem suporte nativo. É uma alternativa interessante, embora sua praticidade vá depender das características e permissões de cada jogo.
O mais interessante é que essa liberdade não precisa significar trocar o convívio com a família por uma tela menor. Pelo contrário: em determinadas situações, a portabilidade permite estar no mesmo ambiente, acompanhar o que acontece ao redor e aproveitar uma partida sem monopolizar a televisão ou se afastar para o computador. É uma maneira diferente de encaixar os videogames na rotina, sem exigir que toda a rotina se organize em torno deles.
O Gamesir X5 Lite não é perfeito. As empunhaduras curtas exigem adaptação, especialmente para mãos grandes; as borrachas poderiam ficar mais firmes; e a estrutura extensível pede algum cuidado ao manusear o conjunto com uma mão só. Também é preciso lembrar que a qualidade do streaming depende da rede e que alguns jogos simplesmente não foram pensados para telas tão pequenas.
Talvez ele não seja indispensável para todo jogador. Quem não utiliza jogos mobile, streaming ou uma biblioteca de PC dificilmente encontrará o mesmo valor. Mas, para quem já tem acesso a esses jogos e sente falta de uma forma mais prática de aproveitá-los, o X5 Lite e até mesmo seus irmãos, GameSir G8 e o bebezinho GameSir Pocket Taco, oferecem uma solução difícil de ignorar.
Comecei os testes querendo descobrir se um controle portátil poderia facilitar minha vida como jogador. Terminei com uma sensação mais simples: agora que posso continuar jogando sem precisar escolher entre o computador e o sofá da sala, vai ser difícil abrir mão dessa liberdade, sobretudo nesta belíssima edição Gamesir X5 Lite for XBOX Fortnite Edition.
Prós:
- O controle tem excelente resposta dos comandos e o uso do USB-C praticamente elimina a latência;
- O modelo possui Integração nativa com Xbox Cloud Gaming, Steam Link e populares jogos mobile;
- O Conector USB-C articulado facilita o encaixe e a retirada do celular;
- A customização temática na Jonesy Edition é um destaque a parte;
- Ótimo custo-benefício para transformar o celular em uma alternativa portátil.
Contras:
- As empunhaduras curtas podem prejudicar o conforto de quem possui mãos grandes;
- As almofadas de silicone se soltam com facilidade e podem ser difíceis de recolocar e fáceis de perder;
- O lado direito da estrutura central transmite pouca sensação de robustez.
GameSir X5 Lite for XBox Fortnite Edition – Nota: 8.5
Revisão: Mariana Marçal
















