Análise: Fallen City Brawl poderia ser um ótimo beat ‘em up, mas tem desempenho tímido e quase apanha

Erros técnicos de execução, como ausência de elementos sonoros e falta de polimento, acabam atrapalhando um título que poderia ser bem mais promissor.

em 29/10/2026
A fórmula dos beat ‘em ups pode parecer datada, mas ainda tem seu charme. O ato de escolher um justiceiro, seja urbano ou medieval, e descer a porrada em qualquer tipo de gangue inimiga ainda se mostra muito satisfatório.

Fallen City Brawl bebe dessa fonte clássica, trazendo uma pancadaria honesta e fluida, mas com algumas necessidades de melhorias para ficar entre os grandes do gênero.

Do começo ao fim bem rapidinho

A cidade foi tomada por uma gangue liderada pelo vilão Ignition Gear, que usa seus tenentes para espalhar o caos. Para combater essa tirania, quatro heróis aparecem, cada um com suas características únicas: Sgt. Clay, o balanceado da equipe; Ricco, que é bom para curtas distâncias; Iron Jackson, o grandalhão que usa ataques pesados; e Natasha, que conta com um lobo para te ajudar na hora da luta.

O legal da jogabilidade de Fallen City Brawl é que ela funciona muito bem, sem firulas. O nosso escolhido faz combinações de socos e chutes, salta para realizar ataques aéreos e ainda conta com uma arma para alcançar quem está do outro lado da tela, mas que deve ser usada com moderação, pois sua munição acaba. Além disso, podemos utilizar o Riot Mode, que funciona como um especial de três níveis, podendo aumentar o dano que causamos e ainda convocando alguns mercenários para atingir todos os inimigos que estão na tela no momento.

Algo que não me agradou foi o sistema de combos. Nossos acertos são contabilizados e podemos emendar sequências em diferentes inimigos para manter o ritmo, mas porém não fica claro o que faz essa contagem parar. É natural que ela cesse ao sermos atingidos ou se passamos por um longo período sem bater em ninguém, mas há momentos em que ela recomeça mesmo quando estamos em meio a um frenesi de socos, chutes e pauladas com um taco.

Outro ponto que pode causar uma certa confusão são alguns hitboxes imprecisos, principalmente quando aparecem inimigos montados em veículos, como motos e snowmobiles. Eles devem ser derrubados com uma voadora, e mesmo com os avisos de perigo na tela, para nos ajudar com o tempo do golpe, nem sempre dá certo e somos atropelados. Se serve como consolo, pelo menos podemos pegar o veículo no chão e usar para bater em geral.

Por fim, Fallen City Brawl é bem curtinho. Terminar as sete fases pode levar em torno de 30 minutinhos e, se você já for um jogador experiente de beat ‘em ups, o troféu de platina vem rapidinho já na primeira partida. Não há nada que promova um fator replay, como outros modos de jogo ou qualquer tipo de desbloqueável, o que é uma pena.

Merecia um pouco mais de capricho

Apesar do estilo em pixel art funcionar na maioria dos casos em que é utilizado em beat ‘em ups, Fallen City Brawl também poderia ter uma apresentação mais caprichada. A apresentação de alguns chefes é um tanto quanto anticlimática. Em alguns casos eles só aparecem, como se fossem um novo inimigo regular. 

Os gráficos também apresentam momentos em que carecem de polimento, parecendo que o jogo é um port de algumas gerações anteriores. Existem momentos em que há engasgos de performance, principalmente quando a tela está cheia de inimigos e acionamos um especial, que traz ainda mais gente para a ação, mesmo que momentaneamente.

Por fim, um detalhe que talvez só apareça para quem não jogar em inglês. Se alteramos para qualquer outro idioma disponível — seja português, chinês ou francês —, a fonte perde o seu charme pixelizado e fica totalmente genérica pela aventura inteira. Desde a abertura até os textos do menu, tudo fica em um simples escrito liso, no melhor estilo “Arial”.

Quanto à parte sonora, ela também tem seus altos e baixos. As músicas das fases são realmente boas. Até a do menu é bacana de ficar ouvindo. Quanto aos efeitos sonoros no meio do jogo, parece que alguns simplesmente inexistem. Seja barulhos de tiros, motos acelerando ou até relâmpagos de um cenário específico, simplesmente não existe nem sinal dessas presenças auditivas, e elas fazem toda a diferença na hora de criar a imersão do jogador no ambiente em que está.

Uma boa ideia que merecia uma execução melhor

Fallen City Brawl tem boas intenções e seu escopo é promissor, mas as suas falhas de apresentação e execução conseguem ofuscar a qualidade que seu sistema de combate poderia alcançar. Quem sabe com algumas atualizações e correções ele consiga se colocar entre um dos grandes dos grandes do gênero, senão ficará apenas na memória de quem tentou dar uma chance.

Prós

  • A jogabilidade não inventa e consegue fazer o básico de maneira decente;
  • O visual em pixel art casa bem com a proposta do jogo;
  • A trilha sonora é excelente.

Contras

  • Curta duração e ausência de fator replay;
  • O sistema de combos é impreciso;
  • Em alguns momentos, há engasgos no desempenho e gráficos que carecem de polimento;
  • Faltou uma apresentação mais caprichada, principalmente dos chefes;
  • A fonte que acompanha o estilo do jogo só está presente em inglês;
  • Ausência de alguns efeitos sonoros.
Fallen City Brawl — PC/PS4/PS5/Switch/XBO/XSX — Nota: 5.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Beatriz Castro
Análise feita com cópia cedida pela Eastasiasoft
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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