Análise: Call of Duty: Modern Warfare 4 é uma divertida e sólida retomada da famosa franquia FPS

Entregando muita qualidade nos seus três modos de jogo, o game de tiro retoma o padrão esperado para os seus lançamentos.

Embora fazer parte de uma marca forte seja algo valioso na indústria dos games, isso também eleva a expectativa de cada lançamento. Call of Duty: Modern Warfare 4 é um bom exemplo dessa situação, chegando com responsabilidades após um predecessor claudicante. Conforme vamos conferir nesta análise, o novo título simplifica e resgata ideias para entregar um pacote competente e divertido. Vista seu uniforme e pegue seu arsenal, pois a guerra vai começar!

Bem-vindo a família! 

Antes de falar do novo título, vale a pena lembrar o histórico da franquia: desde uma espécie de reboot lá em 2019, a sub-série Modern Warfare recebeu duas sequências. Call of Duty: Modern Warfare II chegou em 2022 e foi bem recebido no geral, com direito a promessa de um longo ciclo de desenvolvimento. Infelizmente, no ano seguinte Modern Warfare III chegou com jeitão de DLC e acabou com o potencial.
 
Desde então, tivemos dois lançamentos da outra famosa subsérie de Call of Duty. A rotina foi praticamente a mesma: Black Ops 6 teve boa recepção, mas a sua sequência ficou devendo. Portanto, era grande a expectativa por Call of Duty: Modern Warfare 4, que tem a árdua tarefa de recuperar a confiança dos jogadores após tantos altos e baixos.
Enquanto os jogos Black Ops focam mais em espionagem, os títulos Modern Warfare lidam com combates mais abertos. Isso se reflete por todo o game, sobretudo na história da sua campanha, que vamos conferir na sequência. Aliás, tal como fiz nas minhas análises anteriores da franquia, vou dividir o texto entre os três modos principais de MW 4, que incluem também Multijogador e DMZ.
Apenas um comentário geral sobre Call of Duty: Warzone, o battle royale gratuito da franquia. Tal como nos lançamentos anteriores, ele terá integração com o novo título, com direito a novos mapas e adição das novas armas. A data prometida é 6 de novembro, e, enquanto novidades como a remoção da movimentação omnidirecional e filtros que removem skins estão confirmadas, somente após os lançamentos teremos todos os detalhes.

Voltando a forma

Vamos começar falando da Campanha, modo mais destacado de Call of Duty: Modern Warfare 4. Talvez para se diferenciar de vez dos últimos lançamentos, MW 4 traz uma inédita invasão da Coreia do Sul pela do Norte, com direito a influência dos EUA e da Rússia. Ao longo dos capítulos, o jogador assume o papel de vários personagens importantes dessa história.
Num momento, estamos no controle do bom e velho Capitão Price, que se “aliou” a um grupo de terroristas para conseguir atingir seus objetivos. No outro, atuamos como um soldado do exército sul-coreano em meio a ataques da Coreia do Norte. Por fim, também atuamos junto aos nortistas, executando missões polêmicas e diferentes.
Com um enredo organizado e cinematográfico, a campanha entretém o jogador e ajuda a ensinar as novas mecânicas de MW 4. No geral, temos bons diálogos e cenas repletas de ação pelo caminho. Cutscenes são bonitas e bem produzidas, embora eventualmente intercalam dois níveis de qualidade muito distintos, como se tivéssemos gráficos de primeira e então versões capadas de detalhes.
Seja como for, temos aqui uma melhora significativa em relação ao ano passado. A história é mais interessante e as missões mais variadas e envolventes – tais como combates em campo aberto e fechado, infiltrações em locais com civis, etc. Dado o tempo entre este lançamento e Modern Warfare III, temos uma recapitulação para lembrar os fatos importantes e aproveitarmos melhor a campanha.

Tiroteios de sucesso

Passemos agora para o modo Multijogador, que nos últimos anos tem se mantido como o maior destaque da franquia. Call of Duty: Modern Warfare 4 tem uma mudança fundamental que é o retorno da jogabilidade mais tradicional e fim da movimentação omnidirecional. Se antes podíamos correr e saltar para qualquer direção, agora isso volta a ser limitado à frente do jogador.
Outros recursos como correr pelas paredes foram eliminados, enquanto o famoso slide cancel retorna e temos a estreia do supine slide, que deixa o jogador de costas para o chão. Embora essas mudanças na jogabilidade afetem todo o jogo – como comentei antes quanto a Warzone –, elas são mais sentidas no Multijogador, que é mais dinâmico e competitivo. Minha sensação é que o modo, ainda que divertido, está um pouco mais lento, sobretudo se comparado diretamente com Black Ops 7.
Inclusive, essa “lentidão” se estende ao time to kill, que está maior em Modern Warfare 4. A simplificação da jogabilidade também afeta outros pontos desse modo. Não temos mais curingas para aumentar o número de granadas ou ganhar mais acessórios, assim como não temos mais combinações de vantagens para ganhar efeitos extras. Ou seja, a construção de classes foi simplificada bem como os controles; isso também vale para os menus do game, mais concisos e fáceis de navegar.
Uma mudança que não curti foram as séries de baixa agora serem obtidas com eliminações e não pontuações. Modos de jogo que não focam só na matança vão se sair prejudicados, então fica a dúvida sobre a mudança. Falando nisso, temos muitos tipos de partida diferente, mas eu sempre acabo voltando para os clássicos como mata-mata em equipe e dominação, que continuam muito divertidos.
 
Não temos mais a divisão em duas facções, que criavam uma pseudo separação entre as skins disponíveis. Logo, vai ser necessário ainda mais atenção para diferenciar amigos de inimigos. Quanto aos mapas e armamentos, considero que os conjuntos iniciais estejam adequados, com mais acertos do que erros. Respectivamente, destaques para Lithium, Rooftops e o retorno de Shipment, bem como as armas Han 86 e Vel 46.

Extraindo diversão

Finalmente, temos o modo DMZ, que nada mais é do que o modo de extração de Call of Duty: Modern Warfare 4. Num grupo de até quatro jogadores, é preciso entrar numa cidade sitiada por forças inimigas e resolver missões perigosas. Para se ter sucesso, é preciso extrair do local dentro de um tempo limite, de preferência carregando o máximo de recompensas possíveis.
Embora ele tenha uma espécie de modo história, interligada com a campanha do jogo, na prática o DMZ é pensado para ser jogado continuamente, tal como o Multijogador. O mapa coreano chamado Hajin é bonito e com muitos ambientes diferentes, dividido em regiões com níveis de dificuldade diferentes. Missões, inimigos, itens e dinheiro podem ser encontrados por todos os cantos.
Antes de entrar em combate, o jogador pode gerenciar suas coisas numa base. É nela que novos equipamentos podem ser comprados, construídos ou melhorados. Falando em melhorar, o jogador pode personalizar operadores com três árvores de habilidades, cujas opções podem ser adquiridas conforme os pontos que obtemos de acordo com o desempenho nas partidas.
Se por um lado as missões e recompensas são interessantes, tudo isso depende muito do seu time. Um grupo coeso vai proporcionar partidas mais agradáveis, visto que aqui é mais difícil “carregar” um time do que no Multijogador. Ainda sobre isso, DMZ é um modo PvPvE, ou seja, você tem objetivos para cumprir, mas pode encontrar outros jogadores pelo caminho.
Cabe aos envolvidos seguir cada um para o seu lado, se ajudarem mutuamente ou então entrarem em combate. Esse fator torna as partidas mais tensas, visto que ser derrotado leva a perda de todas as suadas recompensas obtidas. Considerando a concorrência feroz com nomes como Helldivers 2, ARC Raiders e Marathon, vamos ver como será o futuro de DMZ. Por hora, afirmo que ele é um modo divertido – sobretudo com os amigos – e com bastante potencial.

Faltou mais munição

Agora alguns comentários gerais sobre o game. Para um lançamento exclusivo para a nova geração de consoles, Call of Duty: Modern Warfare 4 ficou devendo tecnicamente. Não é como se ele fosse feio ou mal animado: ele é sim um jogo muito bonito, com grandes cenas de ação, boas texturas e ótimo trabalho na iluminação. A questão é que os avanços técnicos não me pareceram relevantes o suficiente.
O mesmo vale para tempos de carregamento e desempenho geral. Mais uma vez, eles são bons, mas a promessa de deixar um grande grupo de jogadores para trás sem novidades significativas é, no mínimo, estranho. Aliás, essa é uma colocação que resume o título como um todo: alta expectativa (em relação a Black Ops 7) que não é atendida plenamente, embora tudo que tenha sido entregue possua boa qualidade e competência.
 
Talvez a necessidade de uma versão para Nintendo Switch 2 tenha limitado alguma ousadia extra, algo comum nos títulos anteriores, que precisavam sair para a geração atual e passada de videogames. Como vem acontecendo nos últimos anos, o game é dublado em português brasileiro com a devida qualidade. Veremos o que futuras atualizações trarão.

O bom e velho CoD

Retomando boa parte das glórias da sua franquia, Call of Duty: Modern Warfare 4 entrega uma experiência divertida por todos os lados. A Campanha traz uma boa história construída por três enredos diferentes, interligados e envolventes. O Multijogador simplifica sistemas mantendo sua qualidade, contando com muitos tipos de partida e um competente conjunto inicial de conteúdo.
O modo DMZ apresenta grande potencial como “jogo” de extração. Sua estrutura robusta, com um ótimo mapa, muitas missões e recompensas, conta a seu favor, mas a concorrência aqui é mais significativa do que no Multijogador. Seja como for, o game como um todo é uma ótima pedida para amantes de FPS, seja você veterano ou novato nesta série que volta a ser referência do seu gênero.

Prós

  • FPS retoma o nível de qualidade para um jogo da franquia, oferecendo um pacote completo e divertido;
  • Produção de ótima competência no geral, com efeitos bonitos e boas animações em meio aos tiroteios;
  • A Campanha entrega um roteiro envolvente e repleto de momentos cinematográficos;
  • O Multijogador continua como uma opção muita divertida e com alta dose de emoção;
  • DMZ renova sua proposta de extração com uma estrutura mais robusta e variada;
  • Jogabilidade retorna a um formato mais clássico com bastante competência.

Contras

  • Nenhuma novidade significativa em termos de produção ou jogabilidade, sendo que algumas pontuais são ruins;
  • Nível técnico da produção poderia ser um pouco melhor dada a exclusividade para a nova geração.
Call of Duty: Modern Warfare 4 — PC/PS5/XSX — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Beatriz Castro
Análise produzida com cópia digital cedida pela Activision
OpenCritic
Siga o Blast nas Redes Sociais
Matheus Senna de Oliveira
é produtor de conteúdo sobre games desde 2016 e um grande fã da décima arte, embora não tenha muito tempo disponível para ela. Seus games favoritos (que formam uma longa lista) incluem: KH, Borderlands, Guitar Hero, Zelda, Crash, FIFA, CoD, Pokémon, MvC, Yu-Gi-Oh, Resident Evil, Bayonetta, Persona, Burnout e Ratchet & Clank.
Também encontra-se no Twitter @MatheusSO02 e no OpenCritic.
Este texto não representa a opinião do GameBlast. Somos uma comunidade de gamers aberta às visões e experiências de cada autor. Você pode compartilhar este conteúdo creditando o autor e veículo original (BY-SA 4.0).