A primeira informação é a que sempre guardamos. Então, posso dizer que, na primeira vez que abri o jogo Blasterbug: Last Bug Standing!, tive um susto; ainda não sei dizer se foi no bom ou no mau sentido. Blasterbug foi lançado em 24 de agosto de 2026 pela Dotemu, gratuitamente, no Steam.
Jogamos com vários tipos de insetos, reais e fictícios, e nosso objetivo é fazer o caos completo: destruir estruturas, socar seus amigos, socar bombas para elas sejam lançadas para outros cantos; enfim, uma bagunça com B maiúsculo. Seu estilo é bem arcade, tanto nos modos de jogo quanto na forma de jogar.
Um começo questionável
Não temos uma história para o jogo, somente um tutorial que apresenta um pouco do que pode estar acontecendo: uma Criança Terrível (esse é o nome da criança, sem brincadeira), que tem uma vontade sádica de torturar insetos, fazendo-os jogar bombas e se destruírem.O jogo não tem intuito de fazer você explorar; parece que ele só está tentando fazer você destruir tudo e todos e ver o quão cruel você será, a ponto de destruir seus amigos. A jogabilidade é bem parecida com a de um arcade: temos o botão de espaço para escolher a modalidade e usar o especial, um botão para colocar a bomba, um botão para socar e os direcionais para controlar os personagens.Na primeira vez que joguei uma partida, percebi na hora a semelhança com Bomberman; afinal, a ideia do jogo é a mesma coisa: um mapa quadrangular, com personagens tentando explodir uns aos outros. Porém, o jogo também se assemelha a Pizza Tower; seus gráficos são exagerados, apesar de não serem tão rabiscados quanto os de Pizza Tower, e a maneira como alguns mapas concebidos é tão caricata quanto o jogo. Apesar das inspirações, ele claramente busca trazer sua própria autenticidade e esquisitice.
O jogo é gratuito, mas isso não significa que você não vai pagar. Para desbloquear mapas e personagens, é necessário jogar várias partidas para ganhar moedas. Caso ganhe em um dos modos, na premiação (que faz referência ao TGA), você também pode coletar moedas para comprar mais coisas. Nesse caso, eu cabei descobrindo sem querer que eu podia me mover pelo mapa da premiação.
Modalidades explosivas (piada horrível, eu sei)
O jogo se divide em 5 modos; o jogador que ganhar 3 vezes vence a partida:- Death Battle - Tente ser o último sobrevivente em uma batalha mortal contra outros insetos
- A modalidade simples de sobrevivência. Os jogadores têm um minuto para se destruírem antes que o mapa faça isso por eles. É uma modalidade simples, mas é boa, e o medo de chegar ao final do tempo incentiva você a derrotar todos.
- Coin Battle - Colete o máximo de moedas antes que o tempo acabe
- Aqui, o objetivo é pegar moedas e roubar as dos adversário, nem que você tenha que explodi-los no caminho. Explodir os adversários faz com que as moedas caiam. O modo é meio complicado de se jogar inicialmente, principalmente na hora de ir atrás das moedas; porém, ainda é divertido.
- Crown Battle - Fique com a coroa por 30 segundos ou morra tentando
- Aqui, eu tenho que trazer uma experiência engraçada. Na primeira vez que joguei Crown Battle, passei quase 3 minutos tentando ganhar porque eu simplesmente estava perdido no meio do caos. Esse é o único modo em que não existe um limite de tempo. Para pegar a coroa dos adversários, uma bomba ou um soco já é o suficiente.
- Paint Battle - Pinte a maior parte do mapa em até 60 segundos
- Um dos modos mais sem graça, em meu ponto de vista, é basicamente pintar o mapa. Os personagens ainda podem socar as bombas dos adversários para transformá-las em suas próprias bombas de tinta. Honestamente, o modo é pouco criativo; a estratégia de pintar o mapa não é muito forte e se torna complicada com muita facilidade. Parece mais uma questão de sorte do que de estratégia.
- Party Game - Uma mistura das 4 modalidades com efeitos especiais
- Não tem muito a ser dito; jogamos todas as modalidades com efeitos especiais. Alguns deixam os personagens mais rápidos; outros aceleram a velocidade das explosões das bombas; outros tornam o efeito da explosão mais lento. O modo é divertido por remexer ainda mais nos modos e deixar tudo ainda mais caótico.
Além dos modos, temos 4 minijogos que são inseridos a cada 3 rodadas, como um intervalo. Não vou entrar muito em detalhes para manter a surpresa para quem deseja jogar; porém, são joguinhos bem divertidos, que me tiraram uns 10 minutos jogando alguns deles.
Gráficos detalhistas (até demais) e uma música viciante
Da tela de abertura até as arenas, tudo é colorido e frenético. Parece que a direção de arte do jogo tinha um objetivo simples: lembrar um viveiro de insetos. Isso pode ser comprovado na escolha dos personagens; cada um dos 15 insetos está preso em uma espécie de aquário, como se estivessem sendo guardados para ser usados em uma carnificina. Quando um personagem é explodido e tem a chance de voltar à partida (isso acontece em todos os modos, menos no Death Battle), uma mão humana aparece para trazer o inseto de volta ao jogo.Cada personagem tem sua própria individualidade, e isso está presente tanto no estilo dos personagens quanto em suas animações de vitória. Um ótimo exemplo é o Termite, que se veste como um soldado e tem trejeitos de alguém que estivesse em uma guerra; até seu especial, em que ele implanta uma mina de cenoura, representa sua personalidade. Cada um dos 15 personagens tem sua identidade, e nenhum realmente copia o outro, excluindo o Superbug, cujo especial é basicamente uma junção dos especiais dos outros 14 personagens.
Assim como os personagens, cada mapa foi pensado cuidadosamente, e nenhuma experiência é igual; uma hora você joga em um mapa básico, mas, logo depois, está lutando no meio da rua, como se estivesse no universo de Streets of Rage. Em outro momento, você está sobre uma mesa, lutando em meio ao açúcar e às colheres que aparecem para mover o mapa.
Junto a isso, temos os efeitos durante o jogo: quando você ou seu adversário é derrotado, sangue de inseto suja o mapa; as bombas têm rostos e parecem desesperadas quando explodem; existem partículas em todos os cantos. É bom, mas também gera um problema sobre o qual vou falar mais à frente.
O exagero que temos nos personagens, nos mapas e até nos elementos deixa o elemento deixa claro o elemento do caos. Porém, não é só de imagem que vive o jogo; a trilha sonora é impecável. Romain Gauthier, que produziu as músicas, trouxe a experiência arcade desde a canção principal. Existe uma playlist no YouTube que contém todas as faixas usadas em Blasterbug.
Se eu fosse falar das 16 canções produzidas, levaria muito tempo; então, vou citar um momento especial, quando ouvi o tema do jogo. Eles foram tão geniais que usaram uma mosca que também aparece no menu.
Caos demais da conta e o multiplayer que nunca existiu (a bomba saiu pela culatra?)
Lembra que falei que os elementos são bem vivos e estão espalhados por aí? Então, talvez eles tenham exagerado nisso. Muitas vezes, já me perdi no mapa por causa dos elementos e da bagunça causada pelos vários personagens. O jogo até apresenta um botão para marcarmos nosso personagem por alguns segundos; isso funcionaria se o modo frenético e a corrida contra o tempo não existissem.É frustrante, mas, provavelmente, se perder no mapa vai ser algo fácil de acontecer; talvez tenha sido um problema meu, com minha falta de habilidade, porém é chato acabar se perdendo toda vez. Isso piora quando, em alguns mapas, o jogo troca você de lugar com os adversários ou apresenta atalhos que o levam para outros locais aleatórios.
Outro problema é o multiplayer; ele é focado na jogatina offline, então não sonhe em jogar com seu amigo que está do outro lado do país ou do outro lado da rua (nesse último caso, já pensou em fazer uma coisa chamada visita?).
Meu desejo era jogar com um dos meus amigos para testar o modo multijogador; porém, o jogo não nos apresenta essa oportunidade e também obriga que qualquer outra pessoa que entre para jogar use um controle, então o problema só aumenta, em vez de diminuir. Entendo o jogo ser de graça e que isso possa ser a razão para não investir em servidores, mas ainda é frustrante.
E também tem os modos que, apesar de serem legais em sua maioria, poderiam ter um tempo a mais para que o desafio fosse maior e as disputas fossem mais frenéticas. Às vezes, passa a sensação de que tudo terminou rápido até demais.
E então, qual é a do Blasterbug?
Blasterbug apresenta um mundo de insetos maravilhoso, divertido e original, mesmo tomando grande inspiração de Bomberman. Porém, perde-se em alguns pontos e, no fim do dia, após umas 2 ou 3 horas de gameplay, pode ser esquecido na biblioteca, da mesma forma que muitas crianças esqueciam de cuidar de seu hamster ou de seus insetos de estimação (sim, caro leitor, se você se identificou, também é uma Criança Terrível).Prós
- Ótimo design, trazendo a individualidade de cada inseto e a criatividade em cada mapa;
- Uma mudança de gameplay totalmente diferente do que vemos nos Bomberman de arcade;
- Música viciante, que traz a experiência dos anos 80 à tona;
- Humor bizarramente divertido, às vezes até meio cruel, mas ainda divertido.
Contras
- Falta de multiplayer online e necessidade de controles para jogar com mais de um jogador;
- Apesar dos modos interessantes, falta conteúdo para manter o jogador por mais tempo;
- Muitos elementos, o que pode acabar desorientando quem está jogando.
Blasterbug: Last Bug Standing! — PC — Nota: 7.0
Revisão: Mariana Marçal
Análise produzida com cópia adquirida pelo próprio redator











