Em menos de uma semana, teremos o lançamento global de EA SPORTS FC 27, a nova entrada da franquia de jogos de futebol da Electronic Arts. Este título terá uma função importante: aproximar ou afastar ainda mais uma fatia considerável do seu público, que já não demonstra a mesma confiança na série.
Nos últimos anos, especialmente depois da mudança de nome da franquia, do FIFA para EA SPORTS FC, em 2023, foram anos de altos e baixos. Por vezes, alguns dos jogos não atingiram os números de vendas esperados pela Electronic Arts (ainda que tenham vendido muito bem) e também não superaram as expectativas dos jogadores.
Assim, a desconfiança dos jogadores em torno do que a EA pode entregar parece cada vez maior, e a desenvolvedora terá que resolver muitos problemas caso queira entregar uma experiência satisfatória. Será que ela vai conseguir?
Em busca do equilíbrio
A gameplay é o ponto-chave de praticamente qualquer jogo, e no EA SPORTS FC não é diferente. Ao longo dos últimos anos, foram inúmeras tentativas da desenvolvedora para encontrar uma jogabilidade “mais equilibrada”, mas isso sempre terminava com críticas, seja por parte da comunidade online (mais acostumada ao ritmo acelerado de gameplay), seja dos jogadores offline (cuja preferência é, geralmente, por um jogo mais cadenciado).
A solução encontrada pela EA para tentar resolver definitivamente esse problema foi, a partir do EAFC 25, dividir a jogabilidade nos modos “Clássico/Competitivo” e “Autêntico/Simulação”, buscando agradar esses dois públicos distintos. A ideia é boa, mas a gameplay acabava mudando bastante após cada atualização, e ficava nítido o quanto a jogabilidade era afetada por isso.
Para o EA SPORTS 27, a promessa da EA é esperar um pouco mais antes de fazer maiores adaptações, preservando o estilo de jogo inicial do lançamento, que, aparentemente, será mais fluido e manual (pelo menos no que diz respeito ao controle defensivo). Desse modo, os primeiros updates devem focar em correções de bugs e ajustes de balanceamento.
Se, de fato, essa promessa for cumprida, a desenvolvedora não só terá mais tempo para melhorar e ajustar a gameplay, mas também mais feedbacks do público para levar em consideração, o que deve resultar em atualizações mais assertivas.
O novo parque de diversões
Uma das principais novidades do EA SPORTS FC 27 será The Grounds, que servirá como um hub online para os jogadores. Semelhante ao que é visto em The City, da franquia NBA 2K, apresentará um mapa composto por distritos, onde até 100 jogadores por servidor terão diversas atividades à disposição, desde mini-games até modos de jogo 3v3 e 5v5.
Pensando somente nesse recorte, trata-se de mais uma tentativa da EA Sports de entregar uma experiência que vá além do futebol tradicional. Anteriormente, a empresa apostou no já obsoleto VOLTA Football (que tentava se assemelhar ao saudoso FIFA Street, mas sem o mesmo encanto) e no RUSH (um futebol em campo reduzido, semelhante ao futebol de 7 e ao fenômeno recente da Kings League), mas não obteve grandes resultados.
Agora, resta ver se o The Grounds vai entregar uma experiência que seja divertida e possa realmente valer a pena, ou se teremos algo extremamente repetitivo, cuja presença se dará apenas para preencher espaço e servir de menu interativo entre uma partida e outra com os amigos no Clubs, que também estará conectado ao modo.
A “dupla de ataque”
Fato é que, mesmo diante disso tudo, o Ultimate Team e o Modo Carreira Treinador seguem sendo “a dupla de ataque” da franquia EAFC. E, surpreendentemente, acredito que este último recebeu uma maior atenção no EA SPORTS FC 27.
A promessa é de uma IA mais inteligente na tomada de decisões, seja na tática ou na montagem dos elencos, além de novos recursos de negociação, que incluem um processo de transferência mais realista e novas opções e cláusulas de negociação. Não são elementos revolucionários, especialmente se você já jogou títulos mais focados em gestão (como Football Manager e o descontinuado FIFA Manager), mas, se bem executadas, podem agregar para quem curte essa nuance da administração.
O UT, por sua vez, aposta em adições pontuais, como o FUT Gallery e os novos eventos single-player, além de ajustes que devem simplificar os processos para completar DMEs e EVOs. Somado a isso, se a EA conseguir equilibrar a jogabilidade entre atletas femininas e masculinos (algo que, dadas as devidas proporções, o NBA 2K27 conseguiu fazer) e focar um pouco menos nas microtransações (ainda que essa seja a maior fonte de faturamento contínuo do jogo), certamente o público que adora montar seu time dos sonhos se manterá jogando o modo por mais tempo.
Planejamento é tudo
Já se sabe que o EA SPORTS FC 27 teve um bom ritmo de pré-vendas e, como é de praxe no passado recente da franquia, o novo título deve vender bem, mesmo diante da desconfiança de parte da sua comunidade. De qualquer forma, caso queira conquistar a confiança desse público, a EA Sports terá que entregar não só uma experiência satisfatória no lançamento, mas também um suporte pós-lançamento mais equilibrado.
Como fã de jogos de futebol e jogador de FIFA/EAFC de longa data, gostaria realmente de ver a EA acertando neste próximo lançamento da franquia.
Revisão: Mariana Marçal









