Crazy Taxi é uma dessas IPs relativamente icônicas que passam mais tempo
atreladas a um passado longínquo, no qual alcançaram seu sucesso, do que em
rotação por parte de sua detentora — no caso, a SEGA. Para se ter uma ideia, o
último jogo da série foi uma versão mobile lançada em 2017, o que significa
que a franquia passou quase dez anos sem receber atenção — com exceção de um
minigame inspirado na franquia, incluído em Like a Dragon: Infinite Wealth —
até que Crazy Taxi: World Tour teve sua produção confirmada. Agora,
durante o fim de semana, o GameBlast teve a oportunidade de participar do
teste fechado de rede e conferir um pouco do que a franquia tem a oferecer
para o mercado moderno.
Agostinho Carrara Simulator
Basicamente, a versão de teste contava com duas modalidades de jogo. A
primeira é a mais próxima da fórmula clássica e consiste em uma disputa contra
outros cinco taxistas em uma corrida com paradas para pegar e desembarcar
passageiros. O maior diferencial reside no frenesi e no caos de cada corrida,
já que os pilotos podem bater uns nos outros e disparar pelo trajeto com o
modo turbo, provocando momentos de desorientação em que cada segundo perdido
para voltar à rota pode custar várias posições.
O segundo modo de jogo é o Cops ‘N’ Cabbies, que consiste em uma disputa
assimétrica entre dois times, com quatro jogadores assumindo a função de
taxistas, enquanto os dois restantes atuam como força policial. O primeiro
lado tem como objetivo transportar todos os passageiros do contador até os
locais indicados no mapa, enquanto as viaturas têm a missão de impedir esse
progresso ao causar dano suficiente para destruir o veículo do oponente e
fazê-lo ressurgir na área da prisão, de onde pode ser libertado pelos colegas.
Tudo isso acontece dentro de um tempo limite, considerando que os policiais
vencem caso a partida termine antes que os taxistas cumpram seu objetivo.
Nota-se que essa assimetria de 2 contra 4 é desproporcional em prol dos
taxistas. Das partidas das quais participei, não me recordo de os policiais
terem levado a melhor ao fim do tempo corrido. Pode até ser uma questão de
falta de coordenação entre as duas viaturas, mas a sensação é de que uma dupla
simplesmente não dá conta de conter um quarteto.
Trata-se de duas modalidades suficientemente distintas entre si e que puderam
ser melhor aproveitadas quando consideramos que cada carro tem seus próprios
atributos, além de opções de personalização. Para fins de ilustração, uma das
modificações do modo turbo faz com que o automóvel que o ativou dispare no
encalço do corredor mais próximo, facilitando um pouco o papel da viatura no
Cops ‘N’ Cabbies, por exemplo.
Na prática, a jogabilidade segue um modelo bem fliperama, aquela coisa do
arcade racing, sem sequer tentar forçar uma experiência de pilotagem
voltada para a simulação. As corridas, na prática, transmitem uma sensação de
velocidade alucinante e o manejo dos carros é até que agradável dentro dessa
proposta. Nesse aspecto, é um jogo bastante promissor.
YA YA YA YA YA em loop eterno
É importante lembrar que esta demonstração foi conduzida sob o pretexto de
um teste de rede. Nessa finalidade, entretanto, Crazy Taxi: World Tour não
se saiu tão bem. Enquanto houve ocasiões em que o título rodou liso, é
importante ressaltar que, em outras, a qualidade do desempenho despencava,
com os jogadores basicamente teletransportando durante as partidas, além de
pontuais quedas na taxa de quadros.
Eu até cheguei a trocar a região do matchmaking algumas vezes, mas o
problema persistiu com relativa frequência. Além disso, em todas as regiões
selecionadas houve dificuldade para formar salas completas com seis
jogadores humanos, já que quase sempre era necessário recorrer a algum CPU
para preencher as vagas restantes.
Nesse aspecto, ao menos, é válido mencionar que as filas do lobby não eram
demoradas, já que era sempre a preferência do sistema colocar a máquina para
preencher os espaços que não eram ocupados por jogadores reais. Chega a ser
um pouco contraditório, já que o objetivo é averiguar se está tudo certo com
os servidores, mas, ao mesmo tempo, foi bom que pensaram em favorecer a
experiência do jogador.
Apesar disso, a demonstração oferecia um escopo bastante reduzido, com
apenas dois cenários — Alemanha e a costa oeste dos Estados Unidos —, o que
fez com que a experiência começasse a ficar um pouco repetitiva depois de
cerca de três horas de jogatina. A falta de variedade também se refletiu na
trilha sonora. Ela é bacana, ainda mais para quem adora Bad Religion (como
eu), mas eu contei, no máximo, umas quatro músicas em loop eterno: Inner Logic, Ten in 2010 e Them and Us, além de All I Want, mas essa é do The
Offspring. Aí cansa mesmo. É óbvio que essa escassez se aplica somente ao teste, mas é uma questão válida de se pontuar em relação a essa experiência específica.
Visualmente, ele é bem coloridão e os estágios parecem bem detalhados, só
que aquele papo de que inteligência artificial foi usada para gerar alguns
dos elementos pegou bem mal. Se bem que isso acaba sendo uma conversa para
outro dia mesmo.
Trabalhando direitinho, não vai sobrar Uber operando na cidade
Mesmo com as limitações naturais de um teste fechado,
Crazy Taxi: World Tour deixou uma impressão positiva no que diz
respeito ao jogo em si. A jogabilidade é bacana e pilotar freneticamente
pelos (dois) estágios foi alucinante quando havia a sensação de novidade,
antes de cair no marasmo pela falta de variabilidade. Daí, ficamos na
expectativa por demonstrações mais robustas, especialmente porque os
problemas de conexão, sincronização entre jogadores e estabilidade mostram
que a Sega ainda tem trabalho a fazer antes do lançamento final, se bem que
é para apontar essas questões que um teste de rede serve, no fim das contas.
Revisão: Ives Boitano
Texto de impressões produzido com acesso ao teste de rede cedido pela
Sega
As screenshots foram alteradas para preservar os nomes de usuários jogando online
As screenshots foram alteradas para preservar os nomes de usuários jogando online








