Impressões: Kim Kaphwan retorna em Fatal Fury: City of the Wolves, mostrando quem é o verdadeiro mestre do taekwondo

Tradicional ao seu estilo, o pai de Jae e Dong chega mostrando que a experiência ainda pode ditar a vitória.

Continuando a já positiva terceira temporada de personagens de Fatal Fury: City of the Wolves, Kim Kaphwan é a estrela da vez. Após as danças ousadas e a alegria contagiante de Duck King, o pai de Kim Jae Hoon e Kim Dong Hwan chega ao elenco para provar que a experiência nas batalhas pode determinar a vitória. O GameBlast teve a oportunidade de testar o veterano antecipadamente e adianto: ele mantém sua imponência como mestre.

A força das pernas

Kim Kaphwan estreou na franquia Fatal Fury logo na segunda entrada, em 1992, e imediatamente caiu nas graças dos jogadores, junto de Mai Shiranui. Representando o taekwondo, que naquela época não era um estilo de luta tão presente nos jogos de luta, Kim veio com um leque de chutes potentes, perfeitos para abordagens agressivas e defensivas a curta distância.

Desde então, ele se tornou uma figura presente na maioria dos jogos da saga de Southtown, além de ser um dos poucos personagens a integrar todos os The King of Fighters principais. E olha que ele quase ficou de fora de KOF XV, mas felizmente entrou via DLC para manter a reputação.

Além de ser um mestre do taekwondo, Kim é um combatente da justiça que utiliza seus ensinamentos para reabilitar malfeitores e estabelecer a ordem. É um personagem estoico e disciplinado, que não pega leve com seus aprendizes, mas é bondoso quando precisa e um tanto desajeitado em situações mais cotidianas. Essas características descompromissadas são mais exploradas em The King of Fighters; em Fatal Fury, ele é rígido e mantém sua pose sem grandes desvios.

A adição de Kim ao elenco de City of the Wolves veio com alguns questionamentos, especialmente pela presença de Jae Hoon e Dong Hwan. Os debates sempre giram em torno da existência de três praticantes de um mesmo estilo de luta — algo que, para mim, não faz muito sentido quando olhamos para Street Fighter, com seus vários usuários do Ansatsuken. A SNK fez questão de mostrar que personalidade é algo a se levar em consideração em um personagem de jogo de luta.

Como estamos falando de um Fatal Fury, boa parte dos movimentos de Kaphwan vem da série-mãe. A forma como ele executa seus ataques remete a entradas anteriores, como seu icônico Hien Zan (ou “GILSON”, para os íntimos), que tem uma animação mais lateralizada, como em Real Bout. Vários de seus target combos também vieram do clássico de 1995 e de suas sequências.

O taekwondo tradicional

Entre seu leque de especiais, há o fiel Hishou Kyaku, o pisoteio aéreo perfeito para lidar com alguma emboscada; o Hangetsu Zan, aquele chute circular veloz e essencial para se aproximar já pressionando; e o Naeryu Chagi, um chute machado que quebra aqueles que gostam de defender embaixo.

Entre as novidades, o Kuusen Kyaku é mais uma ferramenta para mostrar a dominância de Kim nos combates aéreos. Trata-se de uma sequência de dois chutes rotatórios executados durante um salto para frente, sendo uma boa resposta para um salto inimigo e desempenhando diversos papéis em combos, seja como um simples iniciador ou como complemento. Tanto esse movimento quanto o Hien Zan podem ser cancelados com o botão REV.

E, para a alegria de todos os jogadores de KOF ‘98 e 2002, o Haki Kyaku, o querido “pisão do Kim”, está de volta 10 anos depois. Além de servir como um ótimo método de pressão, é mais um especial que vem com golpes sequenciais — o que parece ser a norma desta terceira temporada de lutadores, curiosamente. Há quatro variações de acordo com o botão de ataque pressionado, e o próprio Haki pode ser executado em looping em sua versão mais forte, o que talvez seja uma homenagem ao seu infame infinito de KOF ‘98.

Seus normais também estão ótimos para iniciar combos, sendo muito similares aos de Real Bout. Em especial, seu pulo diagonal para frente com chute forte é um poderoso e fácil cross-up. Portanto, atente-se para defender na direção certa contra um Kim maldoso. Também fique atento ao seu absurdamente veloz REV Blow aéreo, um ataque descendente que pode ser usado até como reposicionamento em caso de uma decisão mal planejada.

Por algum motivo estranho, Kim conta com apenas um Ignition e um Redline Gear, que podem ser executados no chão ou no ar. É o Houou Kyaku de sempre, uma cadeia avassaladora de ataques, linda de assistir, tal qual em sua estreia, em 1992.

Talvez a falta de dois supers seja compensada pelo belíssimo Hidden Gear, que também é uma sequência de ataques, mas termina com um poderoso “facão” seguido de uma fênix flamejante, similar ao seu P. Power de Real Bout. É simples, mas tão bem executado e dirigido, com efeitos sonoros impactantes, que quase me faz esquecer quão pobre é City of the Wolves nesse aspecto do “espetáculo cinematográfico” dos especiais secretos. Faça mais disso, SNK!

Sempre ressaltamos aqui que, como pegamos o personagem com bastante antecedência, não dá para checar com precisão a eficácia dos novos Lobos no meta. Contudo, este é o primeiro personagem desta temporada sobre o qual não sinto dúvidas: Kim tem potencial para ser um dos melhores do elenco. City of the Wolves é um jogo de luta agressivo por conta de seu sistema REV, e Kim possui tantas ferramentas confiáveis em seu moveset que seu histórico de “boneco roubado” continuará invicto. Veremos se minhas teses se comprovarão.

Visualmente, o mestre continua simples, com seu tradicional gi branco. Dá para ver em sua feição as marcas de amadurecimento de um quarentão e pai de família, mas ele ainda é jovial o suficiente. A diferença está nas mangas longas do uniforme, no emblema de seu ginásio de treinamento e na infeliz ausência da bandeira da Coreia do Sul nas costas.

A modelagem dele está muito boa e as animações estão no ponto, incluindo os traços de velocidade dos ataques, embora eu gostasse que sua idle stance fosse a de Real Bout — que até aparece quando ele fica parado por alguns segundos. Entretanto, tirando o elefante da sala: suas calças voltaram a ser duras. Sabemos quão importante é esse tópico quando se trata de Kim na comunidade, e fico meio triste com quão rígida a vestimenta parece, especialmente perto das roupas de Dong e Jae no mesmo jogo.

É, ele ainda pode dar trabalho.

Mostrando para os novatos quem é que manda

Kim Kaphwan mantém seu histórico de lutador divertido, cheio de potencial e adaptado à nova geração de Fatal Fury. Com novos truques, sem perder a forma e a fama, estou muito curioso para ver seu papel na trama do jogo como o justiceiro que ele é. E é muito bom dizer que, mesmo com seus talentosos filhos, seu lugar nunca será substituído nos ringues de Southtown.

Com isso, temos o terceiro integrante do terceiro season pass de Fatal Fury: City of the Wolves, com a entrada de mais um veterano. Tendo chegado à metade do caminho, já temos em vista quem será o próximo da fila — ou melhor, os próximos. Em outubro, é a vez de Manjiro “Mikey” Sano e Ken “Draken” Ryuguji, convidados do mangá/anime Tokyo Revengers. É… Veremos o que sairá dessa curiosa patacoada.

Revisão: Ives Boitano
Texto de impressões produzido com chave de teste cedida pela SNK
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Alecsander "Alec" Oliveira
Um ser que está nesse mundo dos joguinhos desde criança. Fã de games com vibe mais arcade e arqueólogo de velharias, mas não abandona experiências mais atuais. Acompanha a mídia de podcasts, dublagem e ouvinte assíduo de VGM. Pode ser encontrado como @AlecFull e semelhantes por aí.
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