Impressões: Final Fantasy Resonance demo combina nostalgia e modernidade em um RPG promissor

Com combates estratégicos, um mundo cheio de segredos e um caprichado visual HD-2D, a demo mostra o potencial da nova aventura da Square Enix.

em 08/09/2026

Final Fantasy Resonance é uma tentativa curiosa de recuperar a essência dos RPGs clássicos da série sem simplesmente reproduzir o passado. Primeiro título da franquia a utilizar o visual HD-2D, o jogo recorre a Final Fantasy Brave Exvius, lançado originalmente para celulares, para construir uma aventura que resgata cristais, combates por turnos, mapa-múndi e a tradicional missão de salvar o mundo, mas acrescenta sistemas modernos para deixar a fórmula mais dinâmica. Depois de algumas horas com a demo, que apresenta o primeiro capítulo da aventura, fiquei surpreso com o cuidado colocado em cada detalhe: mesmo antes de mostrar tudo o que tem a oferecer, Resonance já parece uma experiência bastante caprichada e com muito potencial.

De volta a um universo de cristais

A história foca em Rain e Lasswell, dois membros da guarda do Reino de Grandshelt enviados para investigar um problema no Santuário da Terra. Ao chegar ao local, porém, a dupla encontra um misterioso cavaleiro vestido com uma armadura negra, que não apenas derrota os dois como também destrói o Cristal da Terra. A ameaça não termina ali, já que o mesmo inimigo parte para atacar o castelo de Grandshelt. Depois dos acontecimentos, Rain e Lasswell embarcam em uma jornada pelo mundo ao lado de Fina para impedir que o grupo de vilões destrua os demais cristais e coloque o destino do mundo em risco.


A ambientação segue uma estrutura que remete imediatamente aos Final Fantasy mais antigos. Temos combates por turnos, encontros aleatórios, mapa-múndi, cidades, calabouços e uma aventura que gradualmente amplia as possibilidades de exploração. Chocobos, cristais, aeronaves e a tradicional missão de impedir uma grande ameaça também fazem parte desse pacote, criando uma experiência que parece ter sido montada a partir das principais lembranças que a série deixou ao longo dos anos. Ao mesmo tempo, Resonance não se limita a copiar o passado: a proposta é justamente recuperar essa estrutura e modernizá-la com novos sistemas, maior liberdade de personalização e um visual HD-2D bastante elaborado.


Na prática, a aventura segue aquele fluxo tradicional: visitamos uma cidade, conversamos com seus habitantes, seguimos pelo mapa até encontrar uma nova região, exploramos um calabouço e enfrentamos inimigos em batalhas por turnos no caminho. A diferença está na maneira como os combates foram adaptados para os tempos atuais. Cada inimigo possui fraquezas e uma barra de Stagger, que diminui conforme eles recebem ataques — explorar as vulnerabilidades acelera esse processo. Quando conseguimos atordoar um inimigo, ele perde sua ação e podemos aproveitar uma oportunidade extra para atacar.

O sistema de Visions acrescenta outra camada de personalização, permitindo equipar versões de personagens de outros Final Fantasy, como Cloud e Warrior of Light, que oferecem técnicas próprias. A ideia lembra um sistema de Jobs simplificado, já que podemos usar essas Visions para reforçar as características de cada personagem ou modificar parcialmente seu papel dentro do grupo.



Uma demo que vai muito além do esperado

Por ser inspirado no jogo mobile Final Fantasy Brave Exvius, confesso que comecei a demo esperando algo mais simples e limitado. A surpresa veio justamente da quantidade de sistemas presentes em Resonance. O primeiro capítulo oferece entre quatro e seis horas de conteúdo e, nesse período, apresenta um RPG bastante elaborado, que parece ter muito mais a oferecer do que sua origem poderia sugerir. É especialmente agradável reencontrar a estrutura clássica de visitar cidades, atravessar o mapa-múndi e explorar calabouços.

O mapa-múndi, em particular, me deixou constantemente curioso sobre o que poderia existir depois de cada desvio. Há áreas opcionais, missões paralelas, colecionáveis e outros conteúdos espalhados pelo mundo, criando aquela sensação boa de que sempre existe algum motivo para sair do caminho principal em busca de uma recompensa. Mesmo dentro do primeiro capítulo, Resonance passa a impressão de ter um mundo muito mais rico do que aquele necessário apenas para conduzir a história.


O maior atrativo, pelo menos para mim, está no combate por turnos. A estrutura lembra bastante RPGs recentes como Octopath Traveler, principalmente pela importância de identificar as fraquezas dos adversários e administrar o momento certo para quebrar suas defesas. Ainda assim, o sistema não exige que exploremos todas as fraquezas o tempo inteiro, já que qualquer ataque reduz a barra de Stagger. Isso torna as batalhas comuns bastante acessíveis, mas também abre espaço para estratégias mais eficientes.

É particularmente divertido quando conseguimos atordoar todos os inimigos ao mesmo tempo e ativar o Sweeping Stagger. Nesse momento, o grupo ganha uma sequência de ações extras e podemos finalizar a ofensiva com uma Resonance, um ataque devastador ligado à Vision equipada. Outros elementos conhecidos, como os Limit Breaks e a invocação dos Espers, também aparecem para acrescentar novas possibilidades durante os confrontos.


O sistema de Visions, por sua vez, é menos complicado do que pode parecer inicialmente. Cada integrante da equipe possui características e funções próprias, como dar suporte, causar dano ou se especializar em quebrar defesas; e podemos usar as Visions para customizar esse aspecto. Em uma área com muitos inimigos fracos contra relâmpagos, por exemplo, fiz questão de equipar Visions que permitissem a todos os integrantes utilizar ataques desse elemento. Em outro momento, preferi aumentar o dano bruto e montei combinações que reforçavam o mesmo tipo de atuação. São decisões simples, mas suficientes para fazer a composição da equipe parecer importante sem transformar o sistema em algo excessivamente complicado.

Os combates comuns podem ser vencidos sem grandes dificuldades, mas a demo apresenta vários chefes e inimigos opcionais que mostram melhor o potencial dessas mecânicas. Em alguns deles, simplesmente tentar atordoar os adversários não é suficiente, obrigando-nos a pensar melhor sobre as ações de cada personagem. Torço para que a versão completa aprofunde ainda mais o uso das Visions e apresente situações em que essas decisões sejam realmente importantes.



Uma viagem movida pela nostalgia

A narrativa segue uma fórmula bastante conhecida da franquia, com cristais em risco, heróis tentando impedir uma grande catástrofe e alguns mistérios espalhados pelo caminho. É uma história que, pelo menos nesse primeiro capítulo, não parece interessada em reinventar conceitos, mas funciona justamente por abraçar essa simplicidade. Existe um bom equilíbrio entre cenas sérias, momentos divertidos e passagens mais tristes, enquanto Rain, Lasswell e Fina são carismáticos o bastante para que eu rapidamente criasse simpatia pelo grupo.


A nostalgia também está presente em praticamente todos os cantos, com chocobos, moogles, aeronaves, o tradicional jingle de vitória e personagens de outros Final Fantasy aparecendo como Visions. Quem acompanha a série há bastante tempo certamente vai se divertir reconhecendo referências e figuras conhecidas, embora em alguns momentos o fan service pareça um pouco exagerado. Ainda é cedo para tirar conclusões importantes sobre a trama, mas o primeiro capítulo deixa a impressão de que teremos uma aventura tradicional e envolvente.

Tecnicamente, a demo impressiona principalmente pelo uso do HD-2D. Os cenários tridimensionais e os sprites em duas dimensões combinam muito bem, criando uma mistura que consegue transmitir nostalgia sem parecer ultrapassada. As batalhas também aproveitam bastante essa combinação, especialmente nos Limit Breaks, que apresentam ataques exagerados e visualmente impressionantes enquanto abusam da mistura entre elementos 2D e 3D.


Nem tudo funciona perfeitamente: em alguns momentos, a câmera se movimenta demais e assume ângulos cinematográficos que inicialmente são interessantes, mas que logo podem se tornar cansativos. A trilha sonora, por outro lado, é excelente, com composições elaboradas que utilizam piano, cordas e guitarras para criar uma identidade própria, além de temas de batalha bastante enérgicos. No conjunto, a demo já mostra que a ambientação será um dos grandes destaques de Resonance.



Um passado reimaginado

A demo de Final Fantasy Resonance é uma excelente apresentação para aquilo que a aventura pretende oferecer. O sistema de batalha possui nuances suficientes para recompensar quem quiser entender melhor suas possibilidades, o mundo parece recheado de atividades para quem gosta de explorar e o visual HD-2D consegue unir nostalgia e modernidade de uma maneira muito bela.

Ainda há bastante coisa para descobrir, especialmente sobre a história e a profundidade das Visions, mas o primeiro capítulo já me deixou bastante interessado no restante da aventura. Agora, só nos resta esperar pela versão final, programada para 22 de outubro, que tem tudo para transformar essa boa primeira impressão em um RPG excepcional.

Revisão: Ives Boitano
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Farley Santos
é brasiliense e gosta de explorar games indie e títulos obscuros. Fã de Yoko Shimomura, Yuzo Koshiro e Masashi Hamauzu, é apreciador de roguelikes, game music, fotografia e livros. Pode ser encontrado no seu blog pessoal e nas redes sociais por meio do nick FaruSantos.
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