Clive Barker's Hellraiser: Revival promete honrar a franquia e ser o jogo mais grotesco do ano

A nova aventura em primeira pessoa leva os jogadores ao universo dos Cenobitas em uma mistura de ação, exploração e horror corporal.

em 18/09/2026

Clive Barker's Hellraiser: Revival marca o retorno de uma das franquias mais particulares do terror para os videogames. Com uma campanha single-player em primeira pessoa, o jogo promete explorar novamente o universo criado por Clive Barker, colocando os jogadores diante dos Cenobitas, da Configuração Génesis e, principalmente, de Pinhead. Com os materiais já divulgados, Revival começa a mostrar como pretende transformar o horror grotesco da franquia em uma experiência jogável.

Clive Barker e sua franquia

Hellraiser, apesar de contar com um vilão icônico, ainda é considerada uma franquia cult quando comparada a outros contemporâneos do gênero de terror no cinema. Seu foco no grotesco, no horror corporal e em uma abordagem mais perturbadora do que a diversão tradicional dos filmes slasher ajudou a estabelecer um público mais nichado, interessado justamente nos limites que a franquia explora. Isso não impediu que Hellraiser recebesse inúmeras sequências e continuasse sendo reverenciada até hoje. Mas, afinal, do que ela se trata?

O primeiro longa, de 1987, foi baseado no livro The Hellbound Heart, de 1986, também escrito por Clive Barker. A história acompanha Frank, um homem obcecado por prazeres extremos que encontra um misterioso cubo de quebra-cabeça e, ao abri-lo, acaba entrando em contato com uma dimensão de dor e tortura. Quando uma antiga amante se muda para sua casa, ele tenta convencê-la a ajudá-lo a retornar ao mundo dos vivos. O cubo em questão, conhecido como Configuração do Lamento, é o responsável por abrir a porta para esse universo e se torna um dos elementos centrais de toda a franquia.

É nessa dimensão que somos apresentados aos Cenobitas, criaturas que causaram um dos primeiros grandes impactos de Hellraiser. Seus visuais marcantes e a mistura de horror, sadomasoquismo e uma visão distorcida de prazer e dor ajudaram a definir a identidade da série. Entre eles está Pinhead, que acabou se tornando o personagem mais conhecido da franquia e entrou para o imaginário dos grandes vilões do terror graças ao rosto coberto de pinos e ao icônico traje de couro.

Pinhead e os Cenobitas, no entanto, não são personagens fáceis de reproduzir. Diferentemente de Jason ou Michael Myers, cujas máscaras são parte fundamental de sua iconografia e podem ser encontradas facilmente em lojas de fantasias, as criaturas de Hellraiser dependem de uma caracterização muito mais elaborada. É justamente no grotesco que está sua marca, tornando difícil encontrar alguém capaz de reproduzi-los com fidelidade em uma festa de Halloween, por exemplo. Dentro do horror, porém, essa identidade visual é justamente o que os torna tão únicos.

A franquia recebeu 11 longas-metragens:
Eu gostaria de dizer que é recomendável assistir a todos, mas, como moramos no Brasil e vivemos em um mundo cada vez mais digitalizado, encontrar esses filmes pode ser uma tarefa complicada. A maioria não está disponível nos principais serviços de streaming ou sequer para aluguel. Por isso, até o lançamento do game, recomendo pelo menos os seguintes filmes:

Hellraiser (Hellraiser - Renascido do Inferno, 1987)
  • Disponível no canal BOOH!, dentro do streaming da Amazon Prime. É o início de tudo e um filme genuinamente divertido e grotesco, além de completamente diferente de boa parte de suas sequências. A introdução à Configuração do Lamento e ao Pinhead é essencial para compreender a identidade da franquia.
Hellbound: Hellraiser II (Hellraiser II - Renascido das Trevas, 1988)
  • Disponível para aluguel no YouTube. A sequência direta do primeiro filme possui uma abordagem diferente e expande consideravelmente o universo dos Cenobitas e sua mitologia. Pelo material divulgado até agora, acredito que este seja o longa que mais se aproxima da experiência proposta pelo game.
Hellraiser III: Hell on Earth (Hellraiser III - Inferno na Terra, 1992)
  • Disponível para aluguel no YouTube. Recomendo principalmente pela facilidade de encontrá-lo. O filme leva a franquia para um novo cenário e se distancia dos dois primeiros, estabelecendo parte do molde que seria seguido pelos títulos posteriores.
Hellraiser (Hellraiser: Renascido do inferno, 2022)
  • Disponível para aluguel no YouTube. O remake/reboot traz como principal novidade uma versão feminina de Pinhead, interpretada por Jamie Clayton, com um visual renovado graças aos avanços na maquiagem e nos efeitos cinematográficos. Para quem busca uma abordagem mais moderna da franquia, o filme funciona como uma boa porta de entrada.
Acredito que a revitalização da franquia com o remake e o novo jogo tenha sido planejada em conjunto. Afinal, videogames levam muito mais tempo para serem desenvolvidos do que filmes, o que ajuda a explicar por que Revival chega alguns anos depois da nova versão cinematográfica. O longa, entretanto, não teve a oportunidade de se provar nas bilheterias, já que foi lançado diretamente em um serviço de streaming e não contou com uma passagem tradicional pelos cinemas.

Para quem decidir assistir aos filmes originais, recomendo a opção legendada. Doug Bradley, intérprete de Pinhead nos filmes clássicos, retorna ao papel no jogo.

Nada de assimétrico

Parte da campanha de marketing inicial após o anúncio do título foi justamente reafirmar que o jogo não é um multiplayer assimétrico. Isso acontece porque diversas franquias clássicas do terror ganharam jogos nos moldes de Dead by Daylight nos últimos anos, com o caso mais recente sendo Halloween: The Game. Clive Barker's Hellraiser: Revival, no entanto, será uma experiência completamente single-player, prometendo levar os jogadores ao universo da franquia por meio de uma história original.

Segundo os desenvolvedores, o projeto deve levar entre 10 e 13 horas para ser finalizado, duração condizente com uma campanha linear focada em narrativa. O jogo também não chega ao preço cheio de um AAA tradicional, o que ajuda a posicioná-lo como uma experiência mais concentrada.

No game, acompanharemos Aidan, que precisa utilizar o poder de uma misteriosa caixa de quebra-cabeças, a Configuração Génesis (similar à Configuração do Lamento dos filmes), para ajudar sua namorada, Sunny, a escapar do inferno sobrenatural do Labirinto. Para isso, ele precisará lidar com os poderes da caixa, sobreviver ao acordo feito com o infame Pinhead e enfrentar um culto dedicado aos Cenobitas.

Os trailers, em sua maioria com restrição de idade no YouTube, deixam claro que a violência característica de Hellraiser estará presente na experiência. O FPS parece apostar em uma mistura de ação e horror, deixando aparentemente em segundo plano o aspecto mais tradicional do survival horror, com diversas armas disponíveis e inúmeros inimigos ocupando a tela.

Bioshock-raiser

De longe, o ponto que mais chamou minha atenção no vídeo de gameplay de 14 minutos divulgado pela IGN norte-americana foi o uso da Configuração Génesis. A caixa é carregada junto da arma e pode ser utilizada para liberar poderes, com destaque para habilidades que parecem estar voltadas principalmente à telecinese.

Esse é um elemento interessante porque transforma um dos maiores símbolos da franquia em uma ferramenta de gameplay, em vez de deixá-lo apenas como parte da narrativa. A possibilidade de alternar entre armas e poderes pode criar diferentes maneiras de lidar com os inimigos e também servir como uma fonte de variedade durante a campanha.

O gameplay, diferentemente dos trailers  editados para privilegiar a ação constante, demonstra um cuidado maior com a atmosfera e a exploração. Também vemos a aquisição de itens e ferramentas para acessar novas áreas, como um alicate utilizado para abrir determinadas passagens, em uma estrutura que lembra elementos de jogos como Resident Evil.

Ainda precisamos descobrir como esse conjunto será balanceado. Os inimigos apresentados até agora não parecem oferecer um grande desafio e será importante entender se isso muda conforme a campanha avança. A distribuição de recursos, principalmente munição, também pode determinar se o jogo vai incentivar o jogador a explorar suas ferramentas ou simplesmente permitir que ele resolva a maioria dos confrontos com armas de fogo.

Por enquanto, a impressão é de que o título está tentando encontrar um equilíbrio entre ação, exploração e horror, usando a Configuração Génesis como seu principal elemento de diferenciação. É uma ideia que funciona muito bem no papel, mas que ainda precisa mostrar como se sustenta durante a campanha.

O aguardado Revival da franquia

Clive Barker's Hellraiser: Revival chega com a difícil missão de transformar uma das franquias mais particulares do horror em uma experiência de videogame que faça sentido por conta própria. O retorno de Doug Bradley como Pinhead, a utilização da Configuração Génesis como parte central do gameplay e a aposta em uma campanha single-player criam uma proposta diferente do caminho adotado por outras propriedades do gênero nos últimos anos. 

Os materiais divulgados ainda deixam perguntas sobre o equilíbrio entre ação, horror, exploração e a profundidade de suas mecânicas, mas também mostram uma experiência que parece compreender os elementos que tornam Hellraiser tão singular. Se conseguir transformar essas boas ideias em uma campanha consistente, Revival pode finalmente oferecer aos fãs uma oportunidade de explorar o universo de Clive Barker de uma maneira que os filmes, por sua própria natureza, nunca poderiam proporcionar.
Clive Barker's Hellraiser: Revival — PS5/XSX/PC
Desenvolvedora: Saber Interactive
Gênero: Ação / Horror
Lançamento: 08 de outubro de 2026
Revisão: Camila Sales
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Matheus Oliveira
Entusiasta de games e cinema, sempre explorando novos gêneros e estilos enquanto acumula um backlog infinito. X e Instagram
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