Análise: Slayblade pega a lógica de Beyblade e a coloca em um roguelike relaxante

Apesar da simplicidade, o título se sustenta pelo charme nostálgico e pela jogabilidade fácil de dominar.

em 09/09/2026

Tomando como base os populares peões japoneses que foram muito famosos por aqui no início deste século, Slayblade é um roguelike com uma proposta relaxante que nos coloca nas ruas de uma pequena cidade para disputar uma competição com o nosso peão. O jogo é bem centrado em sua jogabilidade, propondo aos jogadores testar diferentes combinações de peças em cada run para conseguir cumprir seu objetivo. Mesmo eficiente em sua proposta, o título sofre um pouco com a falta de variedade de conteúdo que o deixa repetitivo com o tempo.

Vou te mostrar do que ela é capaz

Slayblade traz um contexto simples que serve apenas como um pano de fundo para a história. No jogo, controlamos um garoto que está à procura do pai desaparecido e a única forma de descobrir o que aconteceu é vencer um campeonato de peões da rua. Para participar da competição, precisamos juntar dinheiro para pagar a inscrição em cada uma das três etapas, que vão ficando progressivamente mais caras.




Para juntar dinheiro, disputamos partidas com a nossa Slayblade contra os demais jogadores que encontramos pelo mapa. A cidade é representada por um pequeno quarteirão, no qual temos, além dos nossos adversários, uma loja para comprar peças, um gachapon (máquina que nos dá uma peça aleatória) e alguns eventos randômicos, que podem nos dar mais dinheiro ou experiência.

A progressão ocorre com o passar dos dias — limitados a 20 para vencer o campeonato —, divididos entre manhã, tarde e noite, sendo possível ativar um evento em cada período. Em cada batalha que disputamos, apostamos dinheiro e, ao vencermos, também ganhamos experiência para aumentar de nível, melhorando a força do nosso Slayblade. Caso nosso dinheiro fique negativo, temos que recomeçar do zero.




Nos aspectos de ambientação, o jogo aposta em uma temática inspirada nos jogos da era do PlayStation One, relembrando muitos jogos daquela época, mas com alguns detalhes de iluminação e efeitos mais atuais. A trilha sonora não tem tanto destaque quanto os gráficos, mas ainda assim é prazerosa o suficiente para não atrapalhar a jogatina. Vale destacar que o título possui tradução para português brasileiro, facilitando o entendimento de habilidades e efeitos especiais que o jogo traz para as partidas.

Jogabilidade simples e funcional

Falando do que realmente é o foco de Slayblade, o gameplay chama a atenção por exigir o uso de apenas um comando, podendo ser o analógico ou o mouse, dependendo do que você está utilizando. As partidas funcionam com as mesmas regras que os jogadores de Beyblade já conhecem: dentro de uma arena circular, os dois peões são lançados e duelam pelo espaço, colidindo um contra o outro. No final, perde aquele cujo peão parar ou sair da arena.

Mesmo que as inspirações sejam as batalhas de Beyblade, com monstros e poderes por toda a parte, Slayblade se parece mais com as disputas da vida real que tínhamos nas ruas e escolas na época do desenho. Aqui, não temos poderes ou arenas mirabolantes, apenas peões com características variáveis, como peso e velocidade. 




Para não dizer que é tudo muito real, cada uma das três partes de uma Slayblade que podemos personalizar traz uma habilidade especial, que é ativada quando pegamos um cubo especial que aparece aleatoriamente nas arenas. Um dos pontos mais legais é tentar fazer combinações com boas sinergias para as batalhas: podemos focar em diminuir a velocidade e peso dos adversários, aumentar os nossos ou até soltar bombas e itens na arena para atrapalhar.

Além das habilidades, as partidas podem ter eventos randômicos com base nas configurações de partida no início de cada run. Não é nada muito elaborado, mas traz uma variedade interessante às partidas. Por exemplo, podemos ter fogo ou bombas para diminuir a rotação ou até uma pata de cachorro que imobiliza o peão quando acertado.

Mas o grande destaque da jogabilidade é a física das batalhas. A sensação de controlar o peão é muito prazerosa, pois conseguimos sentir o peso da nossa movimentação e dos ataques. Além disso, o jogo exige um certo domínio da movimentação para executar os melhores movimentos dentro da arena, que é uma meia esfera: ou seja, para alcançar as bordas, é necessário se movimentar e pegar velocidade para aproveitar o melhor das disputas.



A aleatoriedade funciona, mas é limitada

É fácil pensar em como a estrutura de um roguelike pode funcionar dentro de um jogo com essa proposta. Em cada run, temos acesso a diferentes peças que combinamos, tentando sempre alcançar a melhor sinergia possível, e eventos randômicos que tentam trazer uma variedade ao jogo. De certa forma, isso funciona em Slayblade.

As primeiras horas são agradáveis por conta da novidade, principalmente porque as peças são bonitas e contam com efeitos aleatórios divertidos. As arenas pouco mudam, seja no campeonato ou nas batalhas de rua, mas a pouca variedade que elas têm — seja no tamanho ou na presença de obstáculos para atrapalhar — já muda a jogatina de uma forma significativa.




Mesmo que a porposta do jogo seja ser algo relaxante e mais contido, esse potencial poderia ter sido melhor explorado fazendo um pouco mais. Slayblade não é um jogo ruim, mas se torna repetitivo muito rápido por não conseguir explorar melhor essa aleatoriedade de eventos. A cidade, por exemplo, nunca tem algo de novo além de um minigame de cortar grama ou batalhas clandestinas. Acredito que trazer mais minigames permitiria aproveitar melhor a jogabilidade do que focar apenas em combate, que por si só já funciona muito bem.

Outro ponto que poderia expandir a experiência é um modo multiplayer, mesmo que local. Essa ideia poderia explorar melhor a variedade de peças e regras, além de fugir um pouco da dinâmica simples da campanha, que fica repetitiva rapidamente. 




Mesmo com esses problemas, Slayblade vale ser experimentado, principalmente por aqueles que viveram a febre das Beyblades no início dos anos 2000, pois a sensação de controlar os peões é muito prazerosa e as disputas são divertidas. Mas é importante ter em mente que o título funciona mais como um minigame para relaxar e curtir do que para desafiar até o limite.

Let it rip

No fim das contas, Slayblade entrega uma experiência charmosa e nostálgica ao resgatar a febre das disputas de peões do início dos anos 2000. O título se destaca pela física muito bem ajustada das arenas e por uma jogabilidade simples, ágil e prazerosa de dominar. Embora a ausência de um modo multiplayer e a baixa variação de eventos façam com que a estrutura de roguelike se torne repetitiva relativamente rápido, o jogo cumpre bem o seu papel como uma aventura casual para passar o tempo.

Prós

  • A física dos peões é bem desenvolvida, dando peso à movimentação dentro das arenas;
  • A ambientação nostálgica, que resgata os gráficos do PSOne;
  • A jogabilidade simples e acessível, com controles fáceis de dominar e boas combinações de habilidades nas peças;
  • A presença de localização em português brasileiro, facilitando o entendimento dos efeitos e mecânicas.

Contras

  • A ausência de um modo multiplayer local ou online, que agregaria muito valor à proposta do jogo;
  • A pouca variedade de minijogos e interações na cidade, fazendo a rotina dos 20 dias cansar rapidamente;
  • O aproveitamento limitado do fator roguelike, que oferece pouca diversidade real entre uma run e outra.
Slayblade — PC — Nota: 7.0
Revisão: Camila Sales
Análise feita com cópia digital cedida pela Henry's House
OpenCritic
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Gustavo Souza
é geólogo, entusiasta de tecnologias e apenas mais um mineiro que não vive sem café e pão de queijo. Está sempre com um console portátil na mão e gosta de passar o tempo jogando uma partida de FIFA, cuidando de uma pequena fazenda e dirigindo seu caminhão pelas estradas europeias.
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