Análise: RuneScape: Dragonwilds honra o legado do RPG clássico em um título de sobrevivência bem executado

Crie seu aventureiro e desbrave, sozinho ou com até quatro amigos, um continente misterioso infestado de monstros e dragões.


RuneScape é um MMORPG de fantasia medieval que já conquistou inúmeros jogadores, mas eu, sinceramente, nunca experimentei a consagrada obra, já que não sou a maior fã do gênero. Contudo, com a saída do acesso antecipado e seu lançamento oficial nos consoles, essa foi a chance perfeita para dar uma chance ao seu spin-off, RuneScape: Dragonwilds, que traz a proposta de mesclar elementos de RPG com de sobrevivência, o que me chamou atenção.

Ao poder experimentar essa nova aposta do estúdio Jagex, adianto que ele entrega essa mescla de forma excelente e faz jus ao título de RuneScape. No entanto, o subtítulo ainda apresenta alguns pontos que exigem atenção, os quais serão discutidos ao longo da análise.

Bem-vindo a Ashenfall e cuidado com os dragões 

RuneScape: Dragonwilds nos apresenta o misterioso continente de Ashenfall, um local mágico e praticamente inexplorado, o que atraiu aventureiros loucos por riquezas e fama. O problema é que, ao chegar no local, eles são recebidos por dragões que servem à rainha Kuldra.


Para tentar amenizar a situação, o grupo envia uma mensagem ao continente, avisando que qualquer um que deseje entrar em Ashenfall deve estar preparado para o desafio. Nesse momento, chega ao local o personagem criado pelo jogador, disposto a conquistar renome matando algumas largatixas gigantes.

Na minha experiência, jogos com foco em gestão de recursos normalmente não possuem um foco em narrativas e, quando existem, elas atuam como algo mais secundário. As coisas não são diferentes com Dragonwilds; ele até possui uma campanha, mas ela funciona mais como um tutorial do que realmente conta algo, e os NPCs que são apresentados não possuem carisma ou destaque.


As missões secundárias também compartilham essas mesmas características. Nada disso afetou minha jogatina de forma muito negativa, mas acho uma pena um universo tão rico como o de RuneScape não ter, ao menos, uma narrativa que aproveite as qualidades que ele oferece. Ao menos, o projeto apresenta legendas em português e consegue compensar essa falta de enredo com uma jogabilidade viciante, que mescla de forma excelente elementos de RPG e subsistência.

Como sobreviver em um mundo de fantasia

A gameplay de Dragonwilds pode ser dividida em dois pilares: sua parte de sobrevivência, que conta com características comuns do gênero, como coletar recursos, gerenciar fome, sono e sede; e a construção de estruturas, cujo limite é a imaginação.

Tais atributos se misturam a elementos de RPG que se integram nessas ações; por exemplo, cortar madeira, lutar, pescar e plantar. Em resumo, todas as ações do jogador aumentam seu nível de proficiência na área e, com isso, ele vai liberando novas habilidades ou magias.


Essa última representa um dos aspectos mais singulares do jogo: os feitiços não se limitam a conjurar bolas de fogo ou invocar relâmpagos em combate, mas atuam diretamente na rotina do aventureiro para otimizar tarefas manuais.


Em vez de derrubar árvores manualmente com um machado, por exemplo, o jogador pode invocar ferramentas místicas que fatiam múltiplos troncos de maneira simultânea. Graças a essa dinâmica, a experiência de subsistência em Ashenfall revela-se surpreendentemente fluida e recompensadora.


Graças a isso, a experiência de sobreviver em Ashenfall é surpreendentemente única. Você começa literalmente sem nada, mas, em pouco tempo, adquire matérias valiosas, constrói sua base e se vê enfrentando criaturas cada vez mais fortes.

Tudo isso ocorre de forma muito rápida e prática. Não seria exagero dizer que essa foi uma das experiências mais satisfatórias que tive no gênero, a ponto de, muitas vezes, nem ver a hora passar enquanto jogava. No entanto, nem tudo é perfeito.


Achei o modo de construção um pouco confuso e bugado, com as peças da casa não se encaixando por nada, a ponto de precisar refazer o mesmo projeto várias vezes. Além disso, existem algumas decisões um tanto polêmicas, ao meu ver, em relação à exploração de Ashenfall.

Ashenfall: um continente vasto e lindo

O mapa do jogo é dividido em sete grandes áreas; cada uma apresenta uma geografia distinta, trazendo tipos diferentes de vegetação, clima, animais e ameaças. Essas qualidades são impulsionadas pela escolha de gráficos cartunescos, uma paleta de cores viva e um trabalho muito competente com luzes e sombras, criando paisagens genuinamente impressionantes, tanto de dia quanto na escuridão da noite. Mas beleza não é a única coisa que existe nelas: também estão disponíveis atividades como desbravar masmorras chamadas de cofres, realizar missões secundárias e caçar baús do tesouro.


Dessas três, as tarefas secundárias são as mais divertidas e recompensadoras de fazer, por liberarem receitas para a criação de artefatos únicos. Já os cofres, embora entreguem um item essencial para criar pontos de viagem rápida, são muito parecidos visualmente e possuem o mesmo inimigo, o que logo torna desbravá-los algo monótono e, sinceramente, tedioso. 

As coisas ficam piores quando você vence o chefe do local, espera ganhar algo útil e sua recompensa é um baú lotado de pedras, runas mágicas ou projetos para criar itens decorativos. Objetos que são, com exceção do último, de fácil aquisição — mesmo assim, sinceramente, ninguém quer ganhar móveis por matar um chefe. Os demais itens, como as pedras, literalmente estão no chão, e as runas emanam do solo em fontes de magia que existem em todos os locais imagináveis.


Essa característica dos baús se estende aos que existem fora das dungeons, o que acaba tornando essas atividades extras não tão interessantes de realizar a longo prazo. Parte desses problemas é compensada pelo combate eficiente, que ainda torna a exploração importante.

Um RPG que permite que você seja o que quiser

Embora já tenha comentado sobre a mescla dos elementos de RPG e vivência de survival, preciso pontuar o combate que RuneScape: Dragonwilds oferece, um fator roleplay muito bom. O jogo confere liberdade para o jogador assumir o papel que desejar: guerreiro, mago, ladino, arqueiro ou até uma mistura de todos eles em um mesmo personagem. Tudo isso graças ao sistema de proficiência nos níveis.


Com esse sistema, temos combates divertidos contra variados oponentes, nos quais é possível utilizar diferentes abordagens, ainda mais porque nem todos os monstros possuem as mesmas fraquezas. Falando nas criaturas, é possível encontrar alguns clássicos, como goblins, lobos, goblins de pedra, esqueletos, zumbis e, claro, os dragões. Meu problema foi perceber que, por região, há pouca variedade desses adversários, e o mapa está repleto deles, tornando os confrontos monótonos.


Também existem adversários bastante desbalanceados, como arqueiros que praticamente não erram flechas, druidas com disparos teleguiados e, quando experimentei o modo multiplayer, o nível de dano e vida das criaturas aumentou exageradamente, o que os tornou verdadeiras esponjas de dano.

Todavia, nem é possível alterar esses detalhes, como o dano que os monstros causam, pois o meu mundo foi criado no modo padrão. Por algum motivo, não é possível configurá-lo com a tamanha liberdade existente em um modo personalizável. Considero essa uma decisão estranha, que tira a autonomia do jogador.


Por fim, vale comentar sobre os seres que dão nome ao projeto: os dragões. Eles fazem jus à imponência que demonstram ao sobrevoar a cabeça do personagem principal durante a exploração do mapa; seus duelos são desafiadores e exigem preparação adequada.

Uma obra que honra RuneScape até certo ponto


RuneScape: Dragonwilds
entrega um jogo de sobrevivência bem executado, com uma gameplay robusta, alta possibilidade de criação de builds e construções, combates desafiadores contra dragões e ainda permite compartilhar isso com até quatro jogadores em diferentes plataformas.

No entanto, seu mundo carece de atividades mais variadas: as masmorras são repetitivas e os inimigos tornam-se monótonos rapidamente. Falta a possibilidade de editar mundos criados em dificuldade padrão e de balancear melhor a vida dos monstros no modo multijogador.

Prós:

  • A obra oferece vastas possibilidades para criação de builds;
  • Ashenfall é um mundo lindo, com eficiente variedade de biomas e uma iluminação dinâmica muito boa;
  • A mescla de elementos de gestão de recursos e RPG foi executada de forma excelente, tornando a gameplay divertida e viciante;
  • O modo cooperativo, mesmo com algumas ressalvas, é muito divertido;
  • O confronto contra os dragões é desafiador e recompensador:
  • Legendas disponíveis em português PT-BR.

Contras:

  • Faltam opções para configurar os mundos já criados pelos jogadores nas dificuldades padrão;
  • Os inimigos são desafiadores, mas os confrontos contra eles tornam-se repetitivos muito rápido;
  • As masmorras disponíveis são visualmente idênticas e reutilizam o mesmo arquétipo de inimigo, o que as torna repetitivas;
  • No geral, os baús encontrados durante a exploração não entregam recompensas satisfatórias;
  • As partidas multiplayer são divertidas, mas a vida, força e quantidade dos adversários tornam-se exageradas.
RuneScape: Dragonwilds – PS5/XSX/SWITCH 2 – Nota: 7.5
Plataforma: Playstation 5
Revisão: Mariana Marçal
Análise redigida com chave digital cedida pela Jagex
OpenCritic
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Thiago da Silva e Silva
É um universitário se formando em engenharia na UFRRJ,apaixonado por jogos desde a infância, principalmente RPGs.
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