Desenvolvido pelo estúdio californiano Frozen Flame Interactive, Okko The Exiled é um jogo de ação 2D bastante convencional, que resgata certas filosofias de jogos antigos e mistura com ideias novas. Não estava de olho nessa aventura antes, mas, após ver o estilo visual e a ágil jogabilidade, ela acabou me chamando a atenção.
Tendo concluído a aventura, posso dizer que o que temos aqui não é algo muito diferente dentro do mercado independente, mas é um título perfeito para demonstrar que fluidez e bons aprendizados podem fazer qualquer jogo do estilo parecer engajante.
Terras a serem recuperadas
O jogo se passa em Kutala, terra dominada por demônios e liderada pelo Lorde Demônio Yalda. Há 1000 anos, alguns Oni foram banidos desse local e forçados a viver escondidos, e entre eles, estava o pequeno Okko. Pronto para iniciar sua jornada, o herói deve derrotar Yalda para abrir de uma vez o caminho de ligação entre essa terra e o paraíso.
Embora Okko possa desbravar essas terras perigosas sozinho, ele pode contar com alguns aliados em uma minicidade de outros guerreiros. Poções e outros consumíveis podem ser comprados para ajudar na campanha, assim como desafios e outras melhorias também podem ser desbloqueados.
O primeiro detalhe que chama atenção em Okko The Exiled é sua bela pixel art, que pessoalmente me remete a algo que seria lançado no Nintendo DS. Fundos detalhados com algumas animações e um bom senso de escala do mundo, planos principais que ajudam a contar e ambientar a narrativa daquele mundo e inimigos razoavelmente bem animados são alguns dos detalhes que nos pegam logo de cara.
Inicialmente, a variedade de ambientes que visitamos parece baixa, mas, embora a identidade visual não vá muito além de algo que remeta a mitologias asiáticas, os mundos são divergentes o suficiente entre si com o passar da experiência. As cores são o único detalhe que poderia variar mais, já que o jogo inteiro tem uma paleta mais restrita e às vezes dessaturada, mesmo em paisagens mais naturais.
Os chefes são um show à parte, justamente para mostrar a diferença de tamanho entre Okko e os imponentes inimigos. São bonitos, com designs bacanas e ataques exagerados, que brincam com a agilidade do diminuto protagonista para criar padrões interessantes de desviar ou contra-atacar, quase ajudando a compensar o problema de eles serem resistentes demais para o meu gosto. É o único ponto do jogo em que há uma maior dificuldade geral.
Descendo o porrete em geral
Okko é praticamente uma criança que aguenta um porrete maior que ele em suas mãos, o tacape com nome de Presa Poderosa, e a jogabilidade brinca com esse fato. A mobilidade do herói é sempre veloz, bastante responsiva e fácil de controlar, usando elementos do cenário para chegar a locais desejados, fugir de ataques inimigos ou se posicionar melhor para não ser ferido pelo ambiente.
Durante o ataque, Okko é mais pesado, e há uma exigência de timing na hora das ofensivas. Nada tão agressivo quanto um Dark Souls, mas os inimigos não param suas animações só porque estão levando na cabeça.
Além dos confrontos corpo a corpo, o tacape pode ser usado como um bastão. A partir de uma pisada sobre objetos enterrados ou inimigos menores, Okko pode arremessá-los horizontalmente, afetando ameaças e objetos destrutíveis no caminho. Também há algumas caixas que devem ser usadas ocasionalmente para alcançar lugares mais altos.
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| Okko pode rebater projéteis inimigos também. |
Essa mecânica em si é divertida, mas mal utilizada. Não aparece tanto quanto poderia, e há poucos momentos em que é usada para desafios de plataforma obrigatórios. Seria legal se houvesse mais oponentes que nos obrigassem a usar os pisões, por exemplo, ou mesmo explosivos que causassem dano em uma área maior contra vários malfeitores.
Outro sistema mal implementado é o da batida do coração. A cada segundo, representado pelas batidas do coração de Okko, o próximo ataque sairá mais forte e com um maior alcance, o que é necessário para abrir portas e baús específicos, além de quebrar a defesa de chefes em certos golpes.
Apesar de ajudar com uma forcinha a mais, não parece forte o suficiente, dada a quebra de ritmo que pode causar ao jogador no momento da ação. Na maior parte do tempo, o movimento aprimorado sai sozinho, e só é preciso engajar na mecânica para abrir as fechaduras obrigatórias. Não é orgânico o suficiente para ser engajante.
Um Oni serelepe
O que é bem usado, no entanto, é a mecânica de saltitar sobre qualquer elemento interativo, no melhor estilo Tio Patinhas em DuckTales. Apertando para baixo e atacando, Okko irá quicar novamente, dando dano em inimigos menores caso seja possível. Adoro jogos que utilizem esse tipo de mecânica, e Okko The Exiled faz isso muito bem, especialmente na coleta de itens opcionais.
O que também é muito satisfatório é o tiro de energia, um ataque especial que gasta orbes demoníacas, achadas durante as fases, e que causa um belo dano, inclusive em chefes. Considerando que os encontros são demorados por conta do quão esponja de dano são os caras grandes, dominar e usar esse recurso se torna primordial caso queiramos passar pelos desafios do final de cada mundo rapidamente.
A estrutura de duas fases com um chefe isolado no final funciona e é mais um respiro em meio aos infinitos metroidvania que usam esse tipo de jogabilidade 2D tradicional. Contudo, alguns níveis são longos, e subchefes chegam a se repetir num mesmo mundo em uma tentativa de prolongar ainda mais a experiência. Não é um jogo que fica inchado demais, mas dá para ver que queriam prolongar artificialmente a campanha em determinados momentos.
Por fim, a trilha sonora é um ponto bem alto. Parece muito algo que sairia de um jogo de PS1, com batidas enérgicas se misturando a instrumentos tradicionais asiáticos, e alguns temas sendo bem marcantes. Os efeitos sonoros em chiptune não combinam tanto com as músicas, mas é um daqueles casos de “somos retrô, então vamos usar bips e bops”. Não incomoda, mas poderia ser mais inventivo.
Fugindo do exílio
Okko The Exiled é um jogo bem simples e não demora para pegarmos sua proposta. Porém, ele conquista pelos bons controles, pelo visual bonito e pela ambientação, além da história, que conta com alguns personagens bacanas. A jogabilidade poderia entregar mais, considerando o potencial de suas mecânicas, mas ainda é boa o suficiente quando a campanha não está tentando enrolar demais.
Prós:
- Ótimos controles e boa responsividade, resultando na mobilidade satisfatória do protagonista;
- Visual em pixel art belíssimo, com elementos bem animados e detalhados;
- Chefes divertidos de enfrentar e aprender seus padrões, mesmo sendo esponjas de dano;
- História interessante, com personagens divertidos e uma lore bem abrangente.
Contras:
- A mecânica de arremessar inimigos é mal utilizada;
- Algumas fases se prolongam demais, especialmente quando repetem subchefes.
Okko The Exiled — PC — Nota: 7.5
Revisão: Julia Loffreda Costa
Análise produzida com cópia digital cedida pela Eastasiasoft











