Análise: Captain Tsubasa 2: World Fighters é uma sequência digna de troféu

Tsubasa Ozora retorna aos gramados para conquistar a Copa do Mundo Juvenil com jogadas ensaiadas, chutes poderosos e o poder da amizade.

em 04/09/2026
Em meio à  onda de jogos de luta, aventura e RPGs que servem para reviver as jornadas de animes famosos, há um espacinho para o futebol. Captain Tsubasa, que foi apresentado pela primeira vez ao Brasil com o nome de Super Campeões, ganha seu segundo jogo para a atual geração de consoles.

Captain Tsubasa 2: World Fighters traz Tsubasa, Hyuga, Misaki e seus companheiros da Seleção Juvenil do Japão em uma nova jornada contra outros coletivos mundiais, repletos de craques de alto nível e com um arsenal novo de jogadas ensaiadas.

O destino ajuda quem é craque

Se comparada com a do primeiro game, a jogabilidade de Captain Tsubasa 2 melhorou consideravelmente e recebeu mudanças importantes. Para mim, a principal foi a adição de um botão específico para os dribles, que pode ser usado livremente para se esquivar dos carrinhos dos adversários. Isso é muito mais útil e dinâmico do que só ir de encontro ao oponente e torcer para a esquiva dar certo.

Outra alteração positiva foi a dos chutes especiais. Agora está mais fácil realizar esse movimento após uma sequência de dribles e, dependendo dos atributos, a barra para desferi-lo se enche mais rapidamente. Tsubasa, por exemplo, tem um chute cheio de efeitos e curvas, quase infalível, mas para um disparo mais veloz, Shun Nitta e Taro Misaki são as escolhas mais indicadas. Assim que o comando é confirmado, devemos escolher em qual canto a bola vai, pois isso influencia a eficiência do acerto, levando o goleiro a defender ou não.

Agora, todos os jogadores, sem exceção, possuem movimentos especiais, que vão de chutes ainda mais fortes, passes com efeito a manobras defensivas que são praticamente impossíveis de esquivar. Jito, um dos zagueiros japoneses, literalmente vira um caminhão e atropela quem estiver pelo caminho. E não adianta reclamar, pois, como a ideia é que a partida siga o ritmo narrativo do anime, não há faltas. No mais, um lateral de vez em quando.

Os goleiros também ganharam mecânicas novas. Eles possuem barras de HP, situadas no topo da tela, e sempre perdem uma parcela de energia ao realizarem uma defesa. Assim que um chute é desferido, devemos escolher uma entre oito direções para pularmos. Isso influencia se a defesa será perfeita, normal ou ruim e, consequentemente, quanto de HP ele perderá. Se a barra zerar enquanto ele agarra a bola, o gol se torna inevitável.

Ainda assim, há mais um recurso. Os Miracle Moves fazem jus ao nome e causam verdadeiras reviravoltas, dignas dos episódios mais eletrizantes da série: os goleiros usam suas últimas energias para se atirar e impedir o tento adversário; zagueiros se arremessam na frente da bola como último esforço — com direito até ao lendário bloqueio de Ishizaki usando a cara; meio-campistas e atacantes se combinam em movimentos acrobáticos e chutes duplos para conseguir marcar um gol.

Tudo muito chamativo e bonito, e o melhor: feito automaticamente. Cada equipe tem o seu e as suas condições são informadas na tela de seleção de time. Assim que elas forem cumpridas, e não são das mais complicadas, a animação especial se inicia com efeito imediato. Isso é muito mais fluido e divertido do que os antigos V-Zones, que necessitavam de gatilhos manuais para serem usados.

"É sangue no olho, é tapa na orelha, é o jogo da vida, o Japão não é brincadeira"

Captain Tsubasa 2 elimina as diversas narrativas e foca apenas na evolução do nosso avatar, enquanto assistimos de perto aos desdobramentos da vida dos personagens principais, como se fôssemos um espectador de luxo do anime, mas também com a tarefa de fazer gols.

Tudo começa quando ganhamos uma oportunidade na equipe do São Paulo, mesmo time de Tsubasa. Enquanto demonstramos nosso valor e buscamos um lugar na equipe titular, acompanhamos os desdobramentos e rivalidades que nascem entre os jogadores de diferentes clubes e são levadas até suas seleções nacionais.

Aqui temos uma mistura de originalidade com os eventos canônicos já conhecidos por quem acompanha a saga por outras mídias. Cada partida conta com interações e diálogos, além de missões paralelas, como realizar um determinado movimento ou marcar um gol com determinado jogador. As recompensas são outras cenas e conversas separadas, além de movimentos novos para o nosso avatar.

Existem algumas cinemáticas especiais que também dependem de condições específicas e nem sempre elas são sinalizadas no menu pré-jogo ou na galeria, então voltamos ao jogo de adivinhações para liberar todas as cenas possíveis. Para uns, esse é um bom desafio extra. Para outros, é meio chato ter que tentar concluir algo às cegas ou recorrendo a guias externos, e eu me encontro no segundo grupo. Há algumas que lembro por já ter assistido ao anime, mas outras passaram por mim completamente despercebidas.

As side quests não têm partidas, apenas memórias trazidas por ex-companheiros de clube ou ex-rivais. Logo, uma das coisas que mais incomoda nesse modo é a quantidade de diálogos para acompanhar os acontecimentos. Alguns deles inclusive nem são tão importantes assim, e é possível pular tudo e só focar nas partidas, o que também deixa o modo história bem mais enxuto.

Esse falatório poderia ser muito mais tolerável se as legendas de Captain Tsubasa estivessem em português, mas não é o caso e também não imagino por qual motivo elas não foram incluídas, já que o primeiro Captain Tsubasa vinha com nosso idioma desde o lançamento.

Outra questão é que, além da história, só há o versus (online e offline) e o treino. Seria interessante ter algo na pegada do título anterior, no qual ingressamos como prospecto dos colégios rivais aos de Tsubasa e Hyuga. Não seria má ideia seguir um rumo que nos levasse à seleção brasileira ou alemã, por exemplo.

O caminho para a glória

Para o modo história, várias equipes e seleções novas foram criadas, totalizando 22 equipes. Algumas delas são inspiradas em outras que já apareceram no mangá e no anime. São Paulo e Flamengo, que já foram readequados para Brancos e Domingos, retornam como São Paulo e Rio de Janeiro. 

Além disso, há a inclusão de Porto Alegre e La Boca, times inéditos e inspirados em Grêmio e Boca Juniors, respectivamente, para trazer alguns dos antagonistas e amigos que jogam pelas seleções do Brasil e da Argentina. 

A similaridade é notável principalmente pelas cores e pelo estilo usados nos uniformes, o que sempre é uma referência bacana. Essas equipes se juntam às já conhecidas Academia Toho, Nankatsu High, Akita Commercial, Narugahama Academy e Kunimi Institute. Infelizmente, nem todos os colegiados originais foram incluídos, como Furano High e Musashi High, mas isso se deve à intenção de dar mais espaço às seleções.

Temos aquelas que já se tornaram famosas com a obra original, como é o caso de Brasil, Argentina, Alemanha, França e Itália. Seleções como Senegal, Tailândia, China, Arábia Saudita e Estados Unidos já foram novidade no primeiro jogo e agora teremos mais algumas novatas, mas igualmente difíceis: Uzbequistão, Espanha, Nigéria, Dinamarca, Paraguai, Grécia e Austrália. Por fim, o Canadá é introduzido de forma inédita, sendo o único que não foi citado no mangá ou no anime.

Com tanta gente nova, já era de se esperar que melhorias fossem aplicadas para deixar tanto o jogo quanto os diálogos com uma estética aprimorada. Nas cenas de diálogo, isso pode não ser tão gritante, mas é só o juiz apitar o início do certame que as diferenças saltam aos olhos, principalmente por causa da geração de consoles. 

As animações de eventos conseguem resgatar com fidelidade o clima das cenas do anime e os especiais têm efeitos de luz caprichados e tridimensionais, que aumentam a beleza do espetáculo. Tudo isso vem acompanhado de mais de 180 músicas autorais, que não devem em nada à  produção original.

Logo, quer você conheça Captain Tsubasa — ou Super Campeões — ou não, será difícil não se empolgar ao marcar um gol com um Chute do Tigre do meio da rua ou ao operar um milagre com Wakashimazu realizando um golpe de caratê para impedir um gol.

A Geração de Ouro triunfa mais uma vez

Captain Tsubasa 2: World Fighters pode conter menos modos de jogo e uma consequente diminuição no fator replay, mas as significativas melhorias feitas na gameplay, como a execução de especiais e o controle de ações dos goleiros, tornaram as partidas mais divertidas e próximas do que vemos no anime. Tsubasa conseguiu levar a seleção japonesa à glória (virtual) de novo.

Prós

  • A jogabilidade teve uma melhora considerável em comparação ao primeiro jogo, deixando as partidas mais dinâmicas;
  • Os visuais das partidas, animações e chutes especiais transmitem bem a vibe do anime;
  • O modo história traz eventos canônicos de uma perspectiva nova, incluindo nosso avatar ao lado de personagens famosos;
  • Inclusão de novos times e seleções originais ao universo da obra.

Contras

  • Muito texto entre as partidas deixa o modo história cansativo;
  • Poucos modos de jogo;
  • Ausência de textos em português.
Captain Tsubasa — PC/PS5/Switch/XSX — Nota: 8.5
Versão utilizada para análise: PS5
Revisão: Camila Sales
Análise feita com cópia digital cedida pela Bandai Namco
OpenCritic
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Carlos França Jr.
é amante de joguinhos de luta, corrida, plataforma e "navinha". Também não resiste se pintar um indie de gosto duvidoso ou proposta estranha. Pode ser encontrado falando groselhas no @carlos_duskman
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