Análise: BioEden combina sustentabilidade e gerenciamento de recursos em uma prazerosa campanha de estratégia

O título nos coloca como o responsável em recuperar a biodiversidade em um planeta devastado.

em 03/09/2026

A sustentabilidade é um tema recorrente em alguns jogos, principalmente nos que envolvem sobrevivência ou restauração de um mundo devastado. BioEden, o novo jogo de estratégia da Broken Arms Games, segue essa linha, colocando-nos como o enviado do Coletivo Cósmico para restaurar a fauna e flora de um planeta completamente poluído.

O jogo é estruturado em uma campanha simples, colocando a sustentabilidade como a base de suas mecânicas e nos obrigando a pensar na melhor maneira de recuperar o planeta. Mesmo com algumas limitações, o jogo se mostra competente em equilibrar questões de gerenciamento e meio ambiente e uma jogabilidade que não apressa o jogador e não pune severamente em caso de erro.

Equilíbrio e desenvolvimento

BioEden traz um contexto simples para justificar sua campanha. Após um grande evento de extinção no universo, o Coletivo Cósmico decide enviar o jogador como o responsável para dar início à restauração de um planeta devastado. A proposta do Coletivo consiste em planejar o desenvolvimento do universo, mas tendo em mente um projeto de sustentabilidade que evite uma nova catástrofe que acabe de vez com todos os planetas.

O Coletivo é composto por cinco guildas, as quais almejam o mesmo objetivo, mas por meios diferentes: há aquela voltada para o desenvolvimento de tecnologias; outra com foco na preservação da natureza; a de exploração e mapeamento do planeta; a com foco em restauração e recuperação de recursos naturais; e, por fim, a guilda de misticismo.




Sendo chamado apenas de o Vigia, temos que escolher qual das guildas seguir e começar a nossa campanha. Cada uma delas tem uma proposta diferente para a jogabilidade, podendo facilitar ou dificultar a campanha ao diminuir o acesso a recursos ou ao melhorar a expansão das nossas atividades pela superfície. Mesmo com as diferentes abordagens, no geral as campanhas se mostram bem parecidas.

A base do desenvolvimento das nossas ações ocorrem em domos dentro de biomas. Como o solo, ar e água estão completamente poluídos, essas estruturas permitem que a gente planeje um ambiente controlado e sustentável, permitindo o desenvolvimento de diferentes espécies de animais e plantas. Com o pleno cuidado com o planeta, o bioma se restaura e os seres vivos podem voltar a viver por ali.

No início da campanha, apenas um bioma está disponível. Mas com o tempo desbloqueamos novos locais para explorar. Além de uma nova área para implantar um domo, os novos biomas também podem incluir fontes de recursos importantes, como minérios, água, energia e ruínas.




A sustentabilidade entra no equilíbrio do nosso desenvolvimento: à medida que implementamos maquinário para coletar água e energia e explorar os minérios, uma barra de impacto passa a indicar o quanto estamos interferindo no meio. Quanto mais impactamos, maiores serão as penalidades impostas pelo Coletivo, dificultando a nossa evolução.

A coleta desses recursos é a base de expansão do nosso domo. Apenas com eles conseguimos comprar recursos e adequar o domo ao receber os novos animais, os quais têm requisitos para desenvolvimento. Por exemplo, o Landowl é uma espécie de lêmure que precisa de umidade e temperatura em determinada margem, além de arbustos, framboesas e água para chegar até a fase de acasalamento.




Mas há outros animais com diferentes interesses que também precisam estar encaixados nesse espaço limitado. Com os recursos coletados, podemos criar aquecedores, umidificadores, plantas e alimentos que precisam ser encaixados como um quebra-cabeça para garantir o perfeito funcionamento do domo.

No fim, após explorarmos os minérios, a área ao redor fica limpa e renovada, diminuindo o nível de poluição do planeta. Além disso, um dos equipamentos que desbloqueamos é o despoluidor de água, que também recupera os corpos hídricos. Quando tudo é recuperado, o ambiente volta ao seu estado natural.



Base sólida, mas repetitiva

A estrutura que apresentei anteriormente é a base de qualquer uma das campanhas das guildas. No geral, a jogatina é repetitiva, principalmente no começo, quando alguns recursos básicos são necessários para alavancar o domo. E esse acaba sendo o ponto mais frustrante de BioEden.

Em qualquer uma das campanhas que tentei, a sensação era de repetição, mesmo com as diferenças de cada uma das guildas. A guilda de exploração, por exemplo, facilita a expansão com antenas independentes e acelera a campanha. Já a guilda de restauração dificultava um pouco o acesso a minérios, forçando-me a reciclar componentes para reaproveitar o que já havia sido usado. No fim, era uma questão de ter mais ou menos paciência para conseguir o que precisava.

Isso não é necessariamente ruim. A proposta do jogo é ser algo mais relaxante, não tendo elementos que nos prejudiquem em caso de falha. Os elementos audiovisuais também transmitem esse sentimento, com músicas tranquilas e um estilo gráfico mais simplificado e com cores saturadas que trazem esse ar de ambiente mais amistoso. Caso o jogador queira algo mais desafiador, BioEden pode não ser a pedida exata.




O que mais me incomodou foi a falta de variedade de eventos e sistemas dentro de cada guilda. Dentro de cada proposta, há pouca variação dentro da jogatina, deixando todas as campanhas com a mesma cara, apesar de mudanças ocasionais em eventos climáticos e geológicos aleatórios, além da disposição dos biomas pelo planeta.

Ainda assim, BioEden funciona como um bom jogo para passar o tempo e relaxar, além de ser uma porta de entrada para quem quer se aventurar em jogos de gerenciamento. Abordar e incluir a temática ambiental, apesar de abusar de conceitos um pouco equivocados sobre a área, também é uma forma de conscientizar, mesmo que brevemente, sobre o impacto das ações antrópicas no planeta.



Em busca de um mundo melhor

BioEden consegue entregar uma experiência bastante agradável ao colocar a recuperação ecológica e a sustentabilidade no centro de suas mecânicas. Embora a repetição constante na estrutura das campanhas e a pouca variação real entre as guildas impeçam o título de alcançar voos mais altos, a jogabilidade pausada, a ausência de punições severas e a atmosfera audiovisual relaxante fazem dele uma boa pedida. É um jogo de gerenciamento leve, honesto e acessível, perfeito para quem busca desacelerar ou dar os primeiros passos dentro do gênero de estratégia.

Prós

  • A abordagem da temática de sustentabilidade e restauração junto às mecânicas de gerenciamento é bem feita;
  • A jogabilidade relaxante e sem punições severas é ideal para quem busca uma experiência casual;
  • O estilo artístico colorido e a trilha sonora calma constroem uma atmosfera extremamente amigável;
  • A combinação de exploração de recursos e gerenciamento do domo é bem equilibrada.

Contras

  • A repetição constante do ciclo inicial de coleta de recursos e preparação do terreno em todos os biomas;
  • A pouca variação prática entre as campanhas das guildas;
  • Ausência de sistemas mais profundos e eventos que tragam um desafio real a longo prazo.
BioEden — PS5/XSX/Switch 2/PC — Nota: 7.0
Versão utilizada para análise: PC
Revisão: Vitor Tibério
Análise feita com cópia digital cedida pela Focus Entertainment

OpenCritic
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Gustavo Souza
é geólogo, entusiasta de tecnologias e apenas mais um mineiro que não vive sem café e pão de queijo. Está sempre com um console portátil na mão e gosta de passar o tempo jogando uma partida de FIFA, cuidando de uma pequena fazenda e dirigindo seu caminhão pelas estradas europeias.
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